O torcedor atento, depois da remontada espetacular do Lanús contra o River Plate, deve ter se assustado quando Jonatan Álvez abriu o placar para o Barcelona de Guayaquil, em Porto Alegre, na noite desta quarta-feira. Mas não foi o bastante para de fato ameaçar a classificação do Grêmio à sua quinta final de Libertadores, apesar da derrota por 1 a 0.

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A estratégia controversa de poupar jogadores em várias partidas do Campeonato Brasileiro, afastando o Grêmio de uma briga pelo título mais aberta do que parecia, tem na campanha sul-americana seu melhor argumento: recuperar a chance de ser campeão da Libertadores apaga a maioria das críticas e inibe a maioria dos críticos. O principal título do continente está a duas partidas de distância do tricolor gaúcho.

Difícil cobrar algo mais do que burocracia do Grêmio em Porto Alegre. O trabalho estava feito, bastava reconhecer firma. A vitória por 3 a 0 contra o Barcelona permitia aos donos da casa administrarem a partida, e o único período mais perigoso foi entre o gol, aos 34 minutos do primeiro tempo, e uma bola na trave de Esterilla, aos 10 da etapa final. E, enquanto isso, houve oportunidades para empatar e até mesmo virar.

Cícero perdeu duas: uma de cabeça e outra de perna direita, cara a cara com Banguera. Edílson mandou a bola para dentro da área, gerando aquele bafafá, mas ninguém conseguiu concluir antes do corte. Cortez fez a jogada pela esquerda e cruzou para Jael, que cabeceou na trave de Banguera. Mas no fundo era apenas uma questão de honra, de não classificar perdendo em casa.

Isso o Grêmio não conseguiu, mas quem se importa? Como em 1983 e 1995, quando foi campeão, e em 1984 e 2007, quando não foi, o clube gaúcho decidirá a Libertadores da América, e é o bastante para o torcedor acordar animado nesta quinta-feira. E depois de três anos excluído da maior partida do continente, o Brasil volta a ter um representante na final sul-americana, e com chances reais de ser campeão.