Neste sábado, quem quer que seja sul-americano (ou não) e adore futebol já sabe: terá em Buenos Aires um local para destinar toda a atenção possível e imaginável, com Boca Juniors e River Plate fazendo um Superclásico para render memórias que perdurarão por tempos e tempos, final da Copa Libertadores da América que será. A esta altura, seria a hora de pensar que os torcedores de Xeneizes e Millonarios que têm doenças cardíacas passarão por um drama ainda pior do que o natural durante 90 minutos: afinal, quase certamente, os médicos tratam o jogo como algo contraindicado, o que os privaria de acompanhar o jogo de ida na Bombonera. Pelo menos, a princípio. Mas uma rádio deu um jeito.

Sediada em Colônia do Sacramento, cidade uruguaia, a Radio Colonia (550 AM), também audível na Argentina, fará uma transmissão patrocinada pela Sociedade Argentina de Cardiologia. Eduardo Caimi e Leonardo Uranga serão os narradores – e farão uma transmissão “antiradiofônica”, descrevendo os lances do Superclásico sem acelerar a voz nem aumentar o drama quando a bola estiver na área. Junto a ambos, estará ainda o cardiologista Gonzalo Díaz Babio, que dará conselhos do que uma vítima de moléstias cardíacas deve fazer em lances cruciais que possam, litealmente, maltratar o coração. Som ambiente das “hinchadas” na Bombonera? Nem pensar: a transmissão da partida na Radio Colonia terá músicas calmas como pano de fundo – como, aliás, o Spotify fez, ao divulgar uma lista de reprodução (vá, lá, uma “playlist”), intitulada “Calma es fútbol”, com 45 músicas “zen” para acompanhar a decisão.

Afinal de contas, se este Boca x River já nasce histórico, e se quase certamente será um “teste para cardíaco”, que pelo menos seus efeitos possam ser amenizados.