Ambos chegaram a Madri em 2014 e passaram por suas provações durante os primeiros meses. Não eram necessariamente unanimidades para a posição. No entanto, o trabalho silencioso das duas muralhas se tornou um trunfo. E, hoje, não dá para contar a trajetória de Real Madrid ou Atlético rumo à decisão da Liga dos Campeões sem falar de seus goleiros. Keylor Navas e Jan Oblak, com motivos, podem mesmo disputar o prêmio de melhor da temporada em seus clubes – afinal, estão ao menos entre os cinco melhores arqueiros do futebol europeu no momento. Dois gigantes, capazes de combinar segurança e defesas espetaculares, responsáveis por parte considerável do sucesso vivido entre o Estádio Santiago Bernabéu e o Vicente Calderón.

Navas e Oblak se consagram como goleiros de estilos diferentes. O costarriquenho demonstra uma explosão incrível na meta do Real Madrid, salvando o Real em muitas brechas defensivas de um time que se acertou ao longo da temporada. Já o Oblak serve como a última peça do Tétris montado por Diego Simeone à frente de sua meta. Quando a cabeça de área e nem a linha de zaga dão conta, o goleiro será exigido. Ainda assim, o esloveno trabalhou em diversos momentos fundamentais. Quando merengues ou colchoneros precisaram, ambos não deixaram suas equipes na mão.

navas

A campanha no Campeonato Espanhol, ainda que não tenha terminado com título, serve como carimbo de qualidade. O primeiro a despontar foi Keylor Navas. Se o Real Madrid, sobretudo com Rafa Benítez, se manteve competitivo, o restante do elenco deveu boa parte do seu bicho ao camisa 1. O costarriquenho tinha ganas de mostrar serviço. O que era completamente compreensível, após ser praticamente descartado do clube na frustrada negociação com David De Gea. Navas chorou, mas engoliu as lágrimas e intensificou a rotina de trabalho, pela qual é tão conhecido. E as atuações monstruosas do melhor goleiro da Copa de 2014 (na humilde opinião deste que vos escreve) viraram rotina. Não havia mais questionamento sobre a sua titularidade, nem arrependimento por não trazerem De Gea. No máximo, o sentimento de culpa foi pela insistência de Carlo Ancelotti com Iker Casillas em 2014/15, deixando a “Pantera” no banco de reservas.

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O Real Madrid não teve os melhores números defensivos ao longo de La Liga. Mas nem de longe poderia se reclamar de Keylor Navas. O impossível estava ali, latente, a cada milagre operado pelo goleiro. A aptidão impressionante de salvar o time aumentou a sua influência sobre o restante do elenco, um dos mais queridos nos vestiários ao longo da temporada. Todos sabiam do suor que o ex-jogador do Levante derramava a cada treino, em sua rotina insana de exercícios. E isso se refletia diretamente nos dias de jogos. Tinha a gratidão de todos pela maneira como carregou os merengues nas costas em vários momentos.

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A poucos quilômetros de Valdebebas, quem se esforçava eram Jan Oblak. O esloveno chegou do Benfica por um alto preço, mas como uma aposta de longo prazo do Atlético de Madrid, após a venda de Thibaut Courtois. O bom início de Moyà minou o espaço do jovem em seus primeiros meses. Todavia, bastou o espanhol se lesionar para o seu reserva não deixar dúvidas sobre a sua titularidade absoluta em todas as competições. Mais do que segurança, o novato de 23 anos oferecia uma capacidade incrível para realizar defesas difíceis. Assim, tornou-se um esteio no time de Diego Simeone.

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Por La Liga, Oblak não teve tantas atuações espetaculares quanto o seu rival merengue. Ainda assim, seu nível de excelência foi indiscutível. O esloveno encerrou a campanha com míseros 18 gols sofridos em 38 rodadas, a menor média das grandes lias europeias. Mais do que isso, ainda igualou o recorde de melhor defesa da história de La Liga, agora compartilhado com o Deportivo de La Coruña de 1993/94. O Troféu Zamora se encaixou perfeitamente em suas luvas. Afinal, o camisa 13 atravessou 24 partidas com a sua meta invicta durante 90 minutos. Em uma temporada na qual o sistema defensivo do Atleti sofreu com algumas trocas pontuais por causa de lesões, o arqueiro se tornou uma liderança fundamental.

Já na Champions, a caminhada até Milão possui boas histórias a se contar nas duas partes de Madri. Navas, por exemplo, logo colocou o seu nome na história. O costarriquenho demorou 738 minutos para sofrer o seu primeiro gol na competição, a segunda melhor marca da história, atrás apenas de Jens Lehmann pelo Arsenal em 2006. Das 10 vezes em que entrou em campo, em nove não foi vazado. Ao longo da primeira fase, suas participações nos difíceis jogos contra o Paris Saint-Germain foram vitais. Depois, também ajudou a fechar a porta para a Roma nas oitavas. E deu a sua contribuição contra o Wolfsburg até mesmo no ataque. Na difícil virada no Bernabéu, o camisa 1 saiu em disparada para orientar Cristiano Ronaldo em uma cobrança de falta no segundo tempo. Justo a jogada que terminou no gol da classificação. A euforia do Pantera na comemoração era incontrolável.

Oblak, por sua vez, enfrentou mais dificuldades ao longo da campanha. A primeira fase não foi simples, especialmente com o Benfica no encalço do Atlético. Depois, veio a sofrida classificação diante do PSV. Contra o Barcelona, o trio MSN não exigiu tanto do esloveno. Nada que se comparasse à maneira como foi testado diante do Bayern de Munique, sobretudo na visita à Alemanha. Enfrentando o bombardeio dos bávaros, o arqueiro colecionou defesaças para evitar que o time de Pep Guardiola se impusesse no placar agregado. Foram ao menos cinco defesas de alto grau de dificuldade. Se os colchoneros estarão em campo em Milão neste sábado, o camisa 13 tem grande parcela de responsabilidade.

Comparativamente, Keylor Navas se indica mais decisivo para a final da Champions. O costarriquenho é mais experiente e costuma crescer nas disputas por pênaltis, o que pode ser essencial. De qualquer forma, também não dá para se duvidar de Jan Oblak. Afinal, é difícil imaginar que o esloveno sofra uma prova de fogo tão grande quanto a atravessada na Allianz Arena. E, apesar da derrota, não dá para negar que ele triunfou. Seja qual for o campeão, a taça da Champions estará bem guardada em luvas tão seguras.

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