Nos últimos anos, o Strongest se transformou em um dos clubes mais tarimbados da Copa Libertadores. O Tigre está em sua sexta participação consecutiva, terceira maior sequência vigente, atrás apenas de Nacional de Montevidéu e Emelec. Nem sempre os bolivianos conseguem concretizar campanhas de destaque. Ainda assim, sempre inspiram respeito. E, na atual edição, os aurinegros voaram durante a etapa qualificatória, vencendo três de seus quatro jogos. Nesta quinta, selaram a presença na fase de grupos goleando a Unión Española por 5 a 0, dentro de seu famoso alçapão no Estádio Hernando Siles.

Atribuir a força do Strongest apenas à altitude, porém, é um erro. De fato, o Tigre costuma conquistar os seus melhores resultados em La Paz. Mas vem mostrando além. Na segunda etapa das preliminares, bateram o Montevidéu Wanderers no Uruguai. Já diante da Unión Española, souberam amarrar o duelo no Chile, quando só tomaram o empate nos instantes finais. A experiência na competição continental faz bem aos bolivianos, contando também com bons jogadores e um ótimo técnico.

Os principais nomes do time são figurinhas carimbadas. Alejandro Chumacero permanece como referência técnica. O camisa 3 oferece muita qualidade no passe e intensidade. Nos últimos tempos, porém, em função diferente do que seu costume: o meio-campista tem sido deslocado à ponta. Não à toa, descobriu uma veia artilheira, com um gol em cada uma das quatro partidas desta Libertadores – incluindo uma pintura de voleio, já candidata a maior golaço da competição. Ao seu lado, outro protagonista é o veterano Pablo Escobar. Nesta quinta, especialmente, o camisa 10 esteve inspirado. Marcou três gols e ainda deu duas assistências, participando de todos os tentos no Hernando Siles. Sua movimentação e sua frieza são vitais. O atacante Matías Alonso, uruguaio com rodagem na Europa e parte do Defensor semifinalista em 2014, complementa a linha de frente. Além deles, também merece menção o apoio garantido nas laterais, por Marvin Bejarano e Diego Bejarano.

E tão importante quanto os jogadores na engrenagem é o engenheiro responsável por ela. Desde abril, César Farías dirige o Strongest. O venezuelano assumiu o time referendado pelo excelente trabalho que realizou à frente da seleção de seu país, de 2007 a 2013, com boas participações na Copa América e sonhando até mesmo com vaga na Copa do Mundo. Desde que deixou a equipe nacional, o comandante havia passado por Tijuana e Cerro Porteño. Ganhou a oportunidade quando os aurinegros ainda tentavam salvar a lavoura na Libertadores 2016, orientando o time no empate com o São Paulo na última rodada da fase de grupos. Não conseguiu a classificação, mas pôde desenvolver seus conceitos nos últimos meses.

Sob as ordens de Farías, o Strongest conquistou o último Torneio Apertura do Campeonato Boliviano. Agora, tem a chance de mostrar um pouco mais na Copa Libertadores. E não dá para negar que o futebol exibido pelos aurinegros agrada. O Tigre sabe muito bem como tratar a bola, produzindo belos lances em trocas de passes rápidas pelo chão. No entanto, a grande virtude é mesmo o contra-ataque. Os aurinegros possuem muito velocidade para contragolpear, chave aos 12 gols anotados nas primeiras quatro partidas. Em uma equipe compacta, a verticalidade torna-se uma arma fatal.

Na fase de grupos, o Strongest está na mesma chave de Santos, Independiente Santa Fe e Sporting Cristal. Não terá uma vida tão fácil. Ainda assim, por aquilo que tem demonstrado, se candidata à classificação. O Hernando Siles será uma fortaleza para conquistar vitórias. Mas os aurinegros mostram mais. E os pontos fora de casa tendem a ser determinantes ao sucesso dos bolivianos.