Poucos clubes no leste europeu possuem uma história tão rica quanto o Sparta Praga. Em meio às diversas mudanças que se passaram na região, os grenás sempre se mantiveram no topo – do Império Austro-Húngaro à República Tcheca. No entanto, as transformações tanto da política tcheca quanto da economia do futebol tiraram a força continental do clube a partir dos anos 1990. Até que, enfim, o Sparta sentisse um pouco do gosto pelas glórias do passado nesta Liga Europa. Os tchecos surgem como grande surpresa nas quartas de final, vencendo a Lazio por 3 a 0 dentro do Estádio Olímpico de Roma e garantindo o 4 a 1 no placar agregado.

O feito do Sparta, aliás, remete a outra configuração política na Europa. A última vez que o clube conseguiu chegar às quartas de final de uma competição europeia foi em 1993. A Tchecoslováquia já havia se desmembrado naquele ano, mas os grenás permaneciam representando o antigo país na Recopa. Naquela ocasião, eliminaram o Werder Bremen nas oitavas, antes de caírem para o Parma. A equipe tinha como referências os ídolos Jozef Chovanec e Jiri Nemec, mas o nome que mais chama atenção é o de uma promessa na época: Pavel Nedved, de 20 anos. Curiosamente, o meia se transferiria à Lazio em 1996.

Antes daquela campanha, o Sparta Praga havia chegado duas vezes às semifinais de copas europeias. Em 1972/73, caiu para o Milan na mesma Recopa. Já em 1991/92, na última edição da Copa dos Campeões, parou na fase de grupos que definia os finalistas. Os tchecoslovacos acabaram em segundo em uma chave de quatro equipes, atrás apenas do Barcelona, futuro campeão daquela edição. Em compensação, conquistaram por três vezes a antiga Copa Mitropa, principal competição continental até a década de 1950. Nos anos 1920, inclusive, o clube tcheco era considerado o melhor do mundo, com direito a 58 vitórias seguidas e a triunfo sobre o Nacional, base da original Celeste Olímpica do Uruguai, em 1925.

Atualmente, embora não ande muito badalado, o Sparta Praga mereceu elogios desde as etapas anteriores. Na fase de grupos, o time saiu invicto, embora a concorrência não fosse tão forte – contra Schalke 04, Asteras Tripolis e Apoel.  Nos 16-avos de final, passou por cima do Krasnodar com duas vitórias e 4×0 no agregado. E se aproveitou da temporada decepcionante da Lazio para atropelar os italianos. Na ida, os tchecos acabaram cedendo o empate por 1 a 1 em casa. Mas apresentaram uma eficiência incrível na visita a Roma. Foram três gols em cinco finalizações, sem perdoar os espaços dentro da área. Os 3×0 antes do intervalo, que pediam quatro gols dos laziali, determinaram a eliminatória.

Nas últimas temporadas, dentro do Campeonato Tcheco, o Sparta não vem conseguindo competir com a ascensão do Viktoria Plzen. Desde 2010, os grenás só quebraram a hegemonia do clube do interior uma vez, em 2013/14. E nesta temporada, seis pontos atrás, devem se contentar com o vice novamente. Mesmo assim, o tradicional clube tem os seus valores. Ao longo do último ano, oito jogadores ganharam convocações à seleção tcheca, classificada à Euro 2016. Dois deles marcaram gols nesta quinta: o meio-campista Borek Dockal e o ponta Ladislav Krejci. Já outra figurinha carimbada esteve no banco em Roma: o atacante David Lafata, que disputou a Eurocopa em 2012 e é o capitão do clube.

Já nesta Liga Europa, o Sparta Praga desponta entre os concorrentes mais discretos, em uma edição cheia de equipes badaladas. Em peso de camisa, contudo, os tchecos também se colocam entre os gigantes. E é exatamente essa história que conseguem reavivar com uma campanha que não desfrutam há tanto tempo.


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