A admissão de Kosovo e Gibraltar pela Fifa tornou possível o sonho de viver uma Copa do Mundo às duas nações. Mas, ao que tudo indicava, só a partir das Eliminatórias de 2022. No entanto, em reunião extraordinária nesta quinta, a Uefa anunciou a participação da dupla já almejando o Mundial de 2018. Embora o sorteio tenha acontecido em julho de 2015, a entidade europeia encaixou kosovares e gibraltarinos nas duas únicas chaves das Eliminatórias que contavam com cinco países.

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Arbitrariamente, Kosovo foi colocado no Grupo I, o mesmo de Croácia, Islândia, Ucrânia, Turquia e Finlândia. Tudo porque, diante das preocupações com a segurança, a Uefa optou por evitar um cruzamento com a Bósnia e Herzegovina – cuja população de etnia sérvia barrou o reconhecimento oficial. Assim, os bósnios serão adversários de Gibraltar no Grupo H, juntamente com Bélgica, Grécia, Estônia e Chipre. Pela tabela inicial, os kosovares estreiam diante dos finlandeses, enquanto os gibraltarinos pegarão os gregos.

Os novatos deverão apenas fazer figuração nas chaves. Por mais que Kosovo tenha mais qualidade, o nível de dificuldade da chave não lhe ajuda. Assim, serão oportunidades para que o futebol seja celebrado pela população das duas nações. E, principalmente no caso kosovar, não será surpreendente se manifestações políticas também tomarem os estádios. De seus cinco adversários, três possuem relações relevantes em sua geopolítica, um deles como antagonista.

A Croácia, outra antiga república Iugoslava, carrega uma rixa histórica com a Sérvia e sua independência desencadeou os anseios das outras nações na região. A Turquia, por sua vez, foi um dos primeiros oito países a reconhecerem a independência de Kosovo, em fevereiro de 2008, e chegou a fazer um lobby por apoio entre as nações de maioria muçulmana. Além disso, os turcos vivem uma crise diplomática com a Rússia, principal aliada dos sérvios. Já a Ucrânia nunca reconheceu Kosovo como um país, afirmando que o processo de independência fere as leis internacionais. Postura compreensível, diante dos anseios separatistas dentro de seu próprio território, ainda que a crise com a Rússia possa indicar o contrário. Já Finlândia e Islândia também apoiam a independência kosovar.