Uma das finais de Campeonato Paulista mais lembrada dos últimos 30 anos é a de 1990. A final caipira reuniu Novorizontino e Bragantino e acabou com o título do segundo sobre o primeiro. Desde 1999, porém, o Novorizontino não existe mais. Desde 2001, passou a existir um outro Novorizontino, que começou a jogar apenas categorias de base até resolver disputar o seu primeiro campeonato profissional em 2012. Disputou a Segunda Divisão do Campeonato Paulista (equivalente à quarta) e foi subindo degrau por degrau na A3, A2 e, neste ano, garantiu o acesso à Série A1 em 2016. O Campeonato Paulista voltará a ter o Novorizontino, graças ao esforço e trabalho de ex-jogadores importantes, como Alessandro Cambalhota, Luís Carlos Goiano e do ex-atacante Guilherme, agora chamado de Guilherme Alves, ex-Vasco, Atlético Mineiro e Corinthians, técnico que levou o time a mais um acesso.

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Fundado em 2001, o time só se filiou à Federação Paulista de Futebol em 2010, já com a intenção de tornar-se profissional. Até então, só disputava competições de base, sub-15 e sub-17. Foi em 2012 que finalmente estreou no futebol profissional, na Segunda Divisão do Campeonato Paulista. A campanha foi excelente, conquistando o terceiro lugar com 17 vitórias, oito empates e três derrotas nos 28 jogos que disputou, com 44 gols marcados e 17 sofridos. No seu primeiro ano, o Tigre conquistava o acesso à Série A3.

Em 2013, na nova divisão, o Novorizontino ficou em 14º, sem conseguir uma grande campanha, mas sem cair para a quarta divisão novamente. Em 2014, foi a hora da subida. Terminou a primeira fase em segundo lugar, passou invicto pela segunda fase e chegou à final, já com outro acesso garantido, desta vez à Série A2. Para coroar a boa campanha, o time ainda conquistou o título diante do Independente com uma vitória arrasadora: 4 a 0 fora de casa e, fechando a campanha em casa, outra vitória por 1 a 0. O primeiro título oficial da história do Grêmio Novorizontino.

Na Série A2, em 2015, o desafio era ainda maior, mas o clube mostrou força novamente. Chegou à 18ª rodada nesta fim de semana podendo garantir mais um acesso, o terceiro em quatro anos de futebol profissional, um feito inacreditável. Venceu o Mirassol por 1 a 0, chegou a 36 pontos com 11 vitórias, três empates e quatro derrotas. Com uma rodada de antecedência, o Tigre se garantiu na primeira divisão em 2016. A torcida fez a festa em Novo Horizonte.

Guilherme Alves, técnico do Novorizontino
Guilherme Alves, técnico do Novorizontino (Foto: William Lima/Novorizontino)

Quem comemorou também foi o dirigente, Genílson da Rocha Santos. “O trabalho conta com uma equipe comprometida, pessoas que apoiam muito. Novo Horizonte é privilegiada por isso. Elas querem o bem do futebol e de maneira alguma voltariam a trabalhar na área se não fosse por fazer um bom trabalho. É um privilégio de ter pessoas qualificadas, como Luiz Carlos Goiano, Alessandro Cambalhota e outras pessoas com credibilidade. Nós jogamos no antigo Novorizontino, que deixou saudades”, disse o dirigente ao site da Federação Paulista.

“Quando o futebol voltou aqui, inclusive lembrando as cores do outro time, foi para gerar essa mobilização, que está sendo muito boa. A cada competição fomos nos fortalecendo, mostrando que estávamos dispostos a fazer um futebol de forma organizada, honesta e respeitosa. Dando ao torcedor um estádio adequado, recebendo bem os visitantes, fazendo com que eles se sentissem em casa. O futebol merece ser respeitado. Fomos fazendo as coisas acontecerem e o trabalho foi coroado ano após ano, fortalecendo ainda mais nossas ideias, atraindo os torcedores, patrocinadores e investidores”, contou ainda o dirigente.

Guilherme Alves, ex-jogador que ainda inicia a sua carreira como técnico, foi o responsável pelo título da Série A3 em 2014 e pelo acesso à primeira divisão em 2015. Ele chegou ao clube em agosto de 2013, montou o elenco que seria campeão em 2014 e manteve o bom trabalho nesta temporada. O técnico elogiou a estrutura, os pagamentos em dia e como o clube tem trabalhado a médio e longo prazo.

O Novorizontino jogará a Série A1 do Campeonato Paulista em 2016. Para alguns, será o retorno do Tigre – que tem o mesmo uniforme e o mesmo hino do antecessor -, só com um nome diferente. Em vez do antigo Grêmio Esportivo Novorizontino, agora o time se chama Grêmio Novorizontino. Os mais radicais fazem questão de separar os dois com histórias distintas. A Federação Paulista considera a história do antecessor, mesmo não sendo oficialmente o mesmo clube. Diversos clubes ao redor do mundo fecharam as portas e tiveram que ser refundados por problemas financeiros.

O mais recente deles foi o Rangers, que teve que ser refundado em 2012 depois de entrar em insolvência. Ninguém questiona que o Rangers atual, que está na segunda divisão, é o mesmo Rangers de 2012. O Novorizontino pode não ser exatamente o mesmo, não ter o mesmo CNPJ, nem o mesmo nome, mas herdou as cores, a torcida, o hino, o apelido, o mascote e, sim, a história do Novorizontino do passado. Para os torcedores de Novo Horizonte, fazer essa diferenciação talvez não passe de um detalhe sem importância.

Com informações da Federação Paulista