O que muitos são-paulinos achavam que aconteceria, de um jeito ou de outro, veio mais cedo do que a maioria supunha. Apenas sete jogos depois, Doriva foi demitido pelo São Paulo. Os resultados não apareceram e, segundo comunicado do treinador, a intenção da diretoria era criar um “fato novo” para mexer com o time na reta final do Brasileirão, em busca da quarta vaga na Copa Libertadores. Só que, independentemente dos resultados ruins dentro de campo, a decisão escancara muito mais os problemas que acontecem nos bastidores do Morumbi. O clube parece andar em círculos em 2015, sem saber que rumo tomar. Aposta no desespero para tentar, de alguma maneira, melhorar o que virá na próxima temporada.

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A contratação de Doriva tinha muitas ressalvas desde o início. O técnico, que preferiu deixar a ascendente Ponte Preta, tinha bons trabalhos em seu currículo. Mas vinha com um perfil praticamente oposto ao de Juan Carlos Osorio. E em um momento no qual a agitação interna tricolor não lhe daria calma para comandar. Entre confiar em seus princípios e arriscar alternativas para salvar seus resultados, Doriva perdeu a mão do time. Seu trabalho não engrenou em nenhum momento e a falta de resultados cobrou seu preço, especialmente com a impotência diante do Santos na Copa do Brasil. Ao invés de ser mantido até o fim do Brasileiro, como parecia um pouco mais lógico, perdeu o emprego em mais um dos lapsos que costumam acometer os dirigentes brasileiros.

Porém, também há certa motivação política na demissão de Doriva. Afinal, a contratação do técnico tinha sido um dos últimos atos de Carlos Miguel Aidar antes de sua saída.  E a queda de braço entre as diferentes lideranças são-paulinas se torna evidente pelo entra e sai que tomou o Morumbi nas últimas semanas. Desde que assumiu a presidência, Leco demitiu o CEO e o gerente de futebol do clube. Trouxe de volta os antigos donos dos dois cargos, que haviam sido mandados embora por Aidar, além de Ataíde Gil Guerrero, pivô da queda do ex-presidente. E o detalhe mais absurdo: o novo-velho CEO, Alexandre Bourgeois, foi demitido pela segunda vez em menos de dois meses – três semanas após sua recontratação. Sinal mais do que evidente dos desencontros da diretoria tricolor.

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Para as últimas rodadas do Brasileirão, Milton Cruz vai para a sua nona passagem como técnico interino do São Paulo, a segunda vez apenas em 2015. Contando também Muricy Ramalho e Osorio (talvez o único acerto do ano, e mesmo assim em meio a tantos erros), são quatro mudanças de técnico no ano – um recorde desde a fundação do clube. A apenas um ponto de entrar no G-4, o Tricolor tem condições de se classificar à Libertadores, ainda que a tabela não seja tão simples assim – pega ainda Atlético Mineiro, Corinthians, Figueirense e Goiás. Contudo, se a vaga vier, não pode nem de longe ser creditada ao que vem acontecendo na direção do clube. De modelo de gestão, o São Paulo beirou o amadorismo em 2015. Negociações frustradas, falta de planejamento, brigas e decisões contestáveis que, de certa forma, minaram também o caminho do time.

A vaga na Libertadores, ao menos, seria um alento para dar rumos a uma grande renovação no Morumbi – e não apenas na maneira de gerir seu futebol, mas também na própria montagem do time. O problema é que, hoje, o São Paulo parece distante de sair do lugar em tão pouco tempo. A não ser que a reviravolta tivesse sucesso imediato, fica difícil criar muitas expectativas se a classificação para o torneio continental realmente vier.