O São Paulo trocou controle por agonia, mas, salvo por Volpi e Brenner, sobreviveu a um valente Fortaleza

O fim de domingo seria atípico, com um duelo decisivo pela Copa do Brasil. São Paulo e Fortaleza já tinham feito uma partidaça na ida, com os 3 a 3 dentro do Castelão, e se reencontravam no Morumbi para definir o classificado às quartas de final. O embate, tão carregado de simbolismo, também ganharia doses cavalares de drama. Os são-paulinos tinham a vaga nas mãos, ao abrir dois gols de diferença. Não souberam administrar a vantagem e, mesmo com Tiago Volpi segurando a pressão, permitiram a reação do Leão do Pici – que era superior mesmo quando tomou o segundo tento. Os cearenses, mesmo assim, precisaram insistir para arrancar o 2 a 2 nos acréscimos do segundo tempo. E a angústia se alongou por longos minutos, numa disputa por pênaltis que parecia não ter fim. Depois de 18 chutes certos, Volpi pegou o tiro de Gabriel Dias e garantiu a agonizante vitória paulista por 10 a 9.

Quando a bola rolou, o São Paulo se soltaria e controlaria a partida em seu início. O Fortaleza adotou uma estratégia de recuar mais e isso dava campo aos anfitriões, que tiveram o primeiro lance de perigo num chute desviado de Gabriel Sara, aos nove minutos. Foi a deixa para que o gol saísse na sequência. Daniel Alves cobrou o escanteio e Igor Gomes foi para a disputa, antes que Brenner dominasse e emendasse o voleio às redes. Os são-paulinos puderam conduzir a sequência do primeiro tempo com tranquilidade.

Não era uma exibição tão agressiva do São Paulo. Mesmo assim, a equipe da casa dominava as finalizações. Igor Gomes tentou por cima, antes que Luciano errasse por pouco a chance do segundo, aos 29. O Fortaleza só foi registrar seu primeiro chute aos 40, com David, e sem direção. A impressão é que os são-paulinos desperdiçavam um primeiro tempo no qual poderiam ter aberto vantagem maior, considerando a maneira como criavam os lances, mas sem martelar tanto. E a situação mudaria no segundo tempo.

O Fortaleza voltou do intervalo com a entrada de Yuri César no lugar do volante Ronald, e o garoto ajudou os visitantes a mudarem sua postura. O Leão do Pici ainda começou recuado, mas ganhou velocidade para atacar e maltrataria o São Paulo. Sem que os são-paulinos fossem tão incisivos, Volpi teria trabalho do outro lado. O goleiro começou a aparecer aos 12, saindo nos pés de Gabriel Dias para evitar o tento. Logo depois, voaria para espalmar uma pancada de Felipe que seguia rumo ao ângulo.

O Fortaleza virou o tabuleiro, passando também a controlar a posse de bola e a pressionar no ataque. Conseguia ser mais perigoso do que o São Paulo, em comparação ao primeiro tempo dos anfitriões. Volpi ainda faria defesa em dois tentos num chute de David, antes de parar o atacante até em impedimento. Já os são-paulinos, que erravam demais, acabavam travados pelo Leão do Pici quando chegavam. Daniel Alves era uma lástima, sem qualquer capacidade para controlar o meio-campo entre tantos desleixos.

O futebol, porém, nem sempre tem caminhos óbvios. E quando tudo indicava a reação do Fortaleza, o São Paulo fez o segundo aos 27. Depois de ganhar no ombro, Gabriel Sara cruzou da direita, Bruno Alves escorou no alto e Brenner mais uma vez foi oportunista, emendando de primeira no cantinho. O problema é que as alterações de Fernando Diniz não funcionaram. E, ainda exposto, o time da casa quase colocou tudo a perder. O Leão do Pici renasceu no jogo aos 35, a partir de um erro dos adversários. Diego Costa passou mal a bola e entregou o contra-ataque a Yuri César. O garoto puxou o avanço ao lado de David e, depois da tabela, entregou ao companheiro, para finalmente superar Volpi e anotar o primeiro.

O tento deu ainda mais ímpeto ao Fortaleza, que colocou o São Paulo contra as cordas e pressionava no ataque. Os são-paulinos forçariam uma boa defesa de Max Walef, num chute de Luan, mas o momento era dos cearenses. As bolas paradas representavam um perigo constante, até que o Leão do Pici concretizasse o merecido empate aos 47. Numa cobrança de falta, Juninho tentou duas vezes, até encontrar a cabeça de Roger Carvalho. O zagueiro estava desmarcado e cabeceou no canto. Revertendo o ocorrido no Castelão, o time de Rogério Ceni marcou nos acréscimos, o que forçava a disputa por pênaltis no Morumbi.

Os batedores foram perfeitos. Ninguém errou nas dez primeiras cobranças, com muita segurança e chutes colocados. A mesma precisão se seguiu nas alternadas, com quatro jogadores de cada lado prolongando a igualdade. A história só mudaria no 19° chute, de Gabriel Dias. O lateral mirou o canto e Volpi espalmou. Por fim, a responsabilidade caberia a Léo Pelé, que guardou e botou o São Paulo na próxima fase, com muito suor.

O Fortaleza sai de cabeça erguida, ao complicar um adversário de mais recursos, embora tenha ficado uma impressão de que dava para avançar. O Leão do Pici foi melhor pelas condições do jogo no Castelão e não teve sua noite de maior sorte no Morumbi, embora tenha demorado a corrigir sua escalação. Já o São Paulo poderia ter passado com muito mais tranquilidade, mas correu riscos pelos erros e pela falta de contundência. Ao menos, a Copa do Brasil permanece como uma possibilidade aos paulistas.