A Copa Libertadores possui uma aura diferente para o São Paulo, não dá para negar. Mais do que a maioria dos clubes brasileiros que foram campeões, o torneio ajudou a moldar grandes ídolos tricolores. Por isso mesmo, a taça toma ares de obsessão no Morumbi. E é no estádio que a torcida se acostumou a ver o clube se impor diante de outros gigantes sul-americanos. O River Plate chegou como atual campeão (embora não ande tão bem, é verdade) e ameaça à continuidade dos são-paulinos na competição. No entanto, a equipe de Edgardo Bauza se deixou possuir pelo tal “espírito da Libertadores”. Em uma atuação bastante aguerrida, a vitória por 2 a 1 vale muito aos paulistas.

Na volta ao Morumbi, contra o Trujillanos, o São Paulo se sobressaiu pela seriedade de engolir um rival bem mais fraco, para buscar três pontos necessários. Mas o estádio esteve de volta mesmo à Libertadores nesta quarta, com arquibancadas cheias, como se espera. Mais de 51 mil torcedores encheram o velho palco, no maior público do futebol brasileiro em 2016. Não viram uma atuação exuberante do Tricolor. Porém, aplaudiram a raça e a entrega dos jogadores durante a maior parte do tempo.

A primeira etapa contou com superioridade dos são-paulinos. A equipe demonstrou uma concentração imensa para controlar o jogo do River Plate e atacar com voracidade. Se não criou tantas ocasiões, teve eficiência quando chegou. E, aproveitando um erro defensivo dos adversários, abriu o placar com Calleri, aos 28 minutos. O argentino volta a demonstrar sua importância no atual elenco, especialmente pela dinâmica que confere ao ataque e pelo senso de oportunismo. Valeu muito nesta quarta.

Na volta para o segundo tempo, o São Paulo se desencontrou e perdeu a solidez, tomando pressão do River Plate. Contudo, Calleri apareceu outra vez de maneira decisiva, aproveitando o cruzamento de Michel Bastos e ampliando aos 14. Pouco depois, para alimentar o histórico de confusões no confronto, D’Alessandro se destemperou e Calleri tomou um tapa de Vangioni, expulso. A torcida não se esqueceu dos antigos episódios e gritou o nome de Luís Fabiano. Mas o atrito pararia por ali. Com boa vantagem, o São Paulo relaxou e passou a dar mais espaços aos Millonarios. O erro de Denis permitiu que Iván Alonso descontasse, enquanto João Schmidt recebeu o segundo amarelo e deixou as equipes em números iguais. De qualquer maneira, apesar dos sustos, Alan Kardec e Centurión ainda jogaram fora a chance de matar o jogo nos minutos finais.

Ao São Paulo, valeu demais a garra em campo, sobretudo no primeiro tempo. Hudson e João Schmidt tiveram noite destacada na cabeça de área, tanto pelo combate quanto pela saída de bola. Mas, outra vez, quem merece largos elogios é Paulo Henrique Ganso. A vontade que tanto se cobra do meia, mais uma vez, sobrou. Correu e se entregou. E fez o principal que se espera dele, regendo o resto da equipe, aparecendo no ataque, abrindo a defesa com dribles desconcertantes. Talvez tenha jogado melhor no Monumental, embora a atuação no Morumbi não fique muito para trás. Melhor jogador do time em 2016, ajuda no crescimento do restante do coletivo e se coloca como a grande referência.

Claro que o São Paulo está distante da perfeição. Há pontos a se corrigir, em especial a inconstância e os erros de posicionamento da defesa. Ainda assim, para quem começou tão mal a campanha, o alívio é tremendo. Até pela responsabilidade menor na visita a La Paz, para decidir a classificação diante do Strongest. Um empate já será suficiente para o Tricolor avançar – provavelmente na segunda colocação, já que o River Plate deve vencer o Trujillanos e manter a vantagem no saldo. Se a disposição se mantiver, ela deverá acontecer sem maiores problemas.