O Santos disputou 180 minutos de futebol contra o Barcelona de Guayaquil e, ao longo de todos eles, ficou poucas vezes no controle. Foi constantemente ameaçado pelo adversário, criou poucas chances, exigiu mínimas defesas de Banguera e foi eliminado sem muito do que reclamar – com exceção dos acréscimos do segundo jogo. Os equatorianos, organizados, intensos (às vezes até demais), raçudos (às vezes até demais), chegam às semifinais, depois da vitória por 1 a 0 na Vila Belmiro, com méritos e com o terceiro brasileiro dentro do bolso.

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Na fase de grupos, o Barcelona já havia vencido o Botafogo, no Rio de Janeiro. Eliminou o Palmeiras, nas oitavas de final, e, agora, o Santos. O resultado do Equador – 1 a 1 – havia sido bom para os brasileiros, que precisavam apenas vencer na Vila Belmiro ou empatar sem gols. Mas eles fizeram muito pouco para ambas as coisas: não conseguiram arrefecer a pressão barcelonista, nem criaram oportunidades para ganhar. Deram oito chutes a gol. O Barcelona deu 15.

A sorte do Santos é que a pontaria do Barcelona é extraordinariamente ruim. Das 15 finalizações, apenas duas foram corretas: uma bomba de Oyola de fora da área e o gol de Jonathan Álvez, no segundo tempo. Os desfalques pesaram. Além de Victor Ferraz, um válvula de escape pela direita, Levir Culpi não teve Renato e Lucas Lima, os passes mais apurados do meio-campo. Leandro Donizete não consegue fazer nada além de reforçar a marcação, e Vecchio, apesar de experiente, não conseguiu fazer com que os santistas mantivessem a bola no campo de ataque.

O Santos partiu para cima do Barcelona, no começo da partida, e Daniel Guedes conseguiu uma boa falta, oportunidade para os donos da casa jogarem a bola na área. Não deu em nada. A melhor oportunidade saiu em outra bola parada, quando Vecchio cobrou falta na área e David Braz apareceu como um foguete entre os zagueiros. Sua cabeçada explodiu no travessão. Pouco a pouco, os equatorianos foram dominando o meio-campo e construindo o seu volume de jogo, que geralmente preza mais pela quantidade do que pela qualidade. Foi novamente assim.

O adversário criava chances, nenhuma muito boa, para falar a verdade. Além do chute de longe de Oyola, a única defesa que Vanderlei precisou fazer, ameaçou com cabeçada de Esterilla, com Diáz, também de média distância, e com Caicedo, batendo cruzado de dentro da área. Como no jogo do Equador, o Barcelona encurralava, circulava, abafava e tinha dificuldade de criação. Mas, mantendo este ritmo por muito tempo, uma hora alguma coisa daria certo.

O que deu foi Castillo aparecendo pela esquerda, aos 23 minutos da segunda etapa, e cruzando na cabeça de Álvez, que surgiu entre Lucas Veríssimo e David Braz. Soltou um tijolo, sem defesa para Vanderlei. O Santos só foi capaz de controlar a partida depois da controversa expulsão de Álvez, por ter deixado a mão no rosto de Alisson. Ele já tinha cartão amarelo, mas levou vermelho direto, o que foi bastante exagerado. Mesmo um segundo amarelo talvez fosse.

O Santos, porém, não soube o que fazer com a bola, mesmo com Jean Mota no lugar de Vecchio e uma pilha de atacantes na frente. A melhor chance saiu no abafa: lançamento na área, Banguera espalmou em cima do próprio zagueiro, e a bola ficou viva na pequena área. O goleiro equatoriano se recuperou e ficou com a criança.

O Santos ainda não havia perdido nesta Libertadores, mas a derrota vinha batendo na porta. O segundo jogo contra o Atlético Paranaense foi muito ruim. O primeiro contra o Barcelona também não foi muito, muito melhor. Os paulistas fizeram muito pouco nas quartas de final para seguir adiante e, às vezes, o futebol leva isso em conta.