Entrar em campo sem torcida nas arquibancadas não costuma ser das missões mais simples. Muitos times não conseguem jogar na intensidade necessária, tratando a ocasião sem a importância devida. E, nesta terça-feira, a Vila Belmiro sofreu com uma partida muito fraca tecnicamente. O Santos não imprimiu um ritmo razoável contra o Delfín e, mesmo superior, falhou na hora de matar o jogo. O gol saiu num lance de sorte do Peixe, enquanto os minutos finais guardaram o risco do empate. Contudo, os equatorianos estiveram ainda mais distantes de realizar uma boa exibição e os alvinegros puderam comemorar a vitória por 1 a 0, a segunda nesta fase de grupos da Copa Libertadores.

Por conta dos incidentes ocorridos durante a Libertadores de 2018, no duelo com o Independiente, o Santos precisou atuar com os portões fechados na Vila Belmiro. E, sem a energia das arquibancadas, o Peixe permaneceu um tanto quanto letárgico ao longo do primeiro tempo. Mesmo contra um adversário tecnicamente inferior, os alvinegros não conseguiam acelerar seu jogo para abrir os espaços na defesa equatoriana. Faltava mais qualidade no domínio santista, por mais que as chances de gol surgissem apenas de um lado.

Os principais lances do Santos vieram em chutes de média distância e bolas alçadas na área. Demorou um pouco para que os alvinegros calibrassem sua pontaria. Sasha arriscou o primeiro tiro com perigo, para fora, antes que Kaio Jorge desperdiçasse uma ótima cabeçada dentro da área. A posse de bola do Peixe superava os 70%. No entanto, a criatividade dos santistas era mínima, sem repertório para construir as jogadas e sem inspiração dos principais nomes. Enquanto isso, o Delfín até se permitiu acreditar. Saiu um pouco mais ao campo de ataque e buscava ameaçar, sobretudo com as bolas paradas.

O gol do Santos viria um tanto quanto ao acaso, aos 30 minutos. Carlos Sánchez cobrou falta em direção à área e o goleiro Alain Baroja saiu mal do gol. Assim, na marca do pênalti, Lucas Veríssimo aproveitou a meta aberta para concluir e comemorar. O Peixe até melhorou depois do tento, criando um pouco mais. Pituca forçaria uma boa defesa de Baroja na sequência, antes que Sánchez também parasse em uma intervenção vital do goleiro. Já nos acréscimos, o Delfín daria um susto, em arremate de Martín Alaníz que saiu próximo à trave.

O Delfín tentava jogar em cima dos erros santistas. E, durante o segundo tempo, os equatorianos passaram a pressionar mais os seus adversários. A partida se tornava mais difícil ao Santos e os erros eram constantes. Alaníz, mais uma vez, ameaçou com um chute que passou ao lado da meta de Everson. O Peixe não encaixava os contra-ataques e, sem saída de bola, aceitava o abafa dos visitantes. Nem mesmo as entradas de Yuri Alberto e Arthur Gomes, nos lugares dos lesionados Kaio Jorge e Sasha, ajudou tanto assim.

À medida que o cansaço batia nos dois times, o duelo ficava um pouco mais aberto. Everson precisou trabalhar em finalização de Alaníz, aos 21. Já quando o Santos acordou, com chegadas um pouco mais frequentes, Yuri Alberto desperdiçou excelente chance. Soteldo deixou o garoto de frente para o crime, mas ele desviou para fora. O venezuelano, aliás, não fazia boa apresentação e ainda assim os principais lances dos santistas vinham de seus pés. Aos 29, Sánchez pararia novamente em mais uma defesa arrojada de Baroja.

Durante os minutos finais, a partida permanecia sujeita a lances fortuitos. O Santos se arriscava de maneira desnecessária, sem qualidade para manter a posse de bola ou para executar bons ataques. A sorte é que, tecnicamente, o Delfín também não mostrava muito. Limitado às bolas alçadas na área, o time equatoriano não criava oportunidades claras para o volume que tinha. Sempre faltava um pouco para completar os cruzamentos. Quando David Noboa acertou um chute perigosíssimo de longe, que Everson desviou com a ponta dos dedos, o lance terminou anulado por impedimento. Nos acréscimos, o embate ficou até mais pegado, cheio de entradas duras e cartões. Mas o temor do Peixe não se concretizou graças às deficiências do Delfín.

Ao menos na tabela, a situação do Santos é boa. O Peixe soma seis pontos em duas partidas na Libertadores, liderando o Grupo G. A equipe aguarda o resultado do embate entre Olimpia e Defensa y Justicia, que ainda não venceram na competição continental. Mas, se a pontuação guarda um cenário favorável aos santistas, o futebol apresentado deixa bem claro que é preciso melhorar. Há muito o que evoluir em uma equipe que, mesmo contra o adversário mais fraco da chave, não conseguiu viver uma noite tranquila na Vila Belmiro.

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