No Mundão do Arruda se via mais concreto que gente. Sinal do descrédito, seja no time do Santa Cruz que vem cambaleante no segundo semestre, seja na situação delicadíssima para avançar na Copa Sul-Americana, após a derrota por 2 a 0 na Colômbia. Ainda assim, a fé se concentrava em 5,5 mil torcedores presentes. Uma pequena multidão de crentes dispostos a presenciar o milagre. Chegaram a vislumbrá-lo, mas não puderam consumi-lo. Os tricolores abriram três gols de vantagem sobre o Independiente Medellín, num épico protagonizado por Grafite, o herói improvável do jejum de gols que durava desde junho. No entanto, receberam o duro golpe no fim. E, com o gol dos visitantes, a vitória por 3 a 1 se transformou em frustração. O Santa caiu nas oitavas de final.

O Independiente Medellín era um adversário de respeito. Atual campeão colombiano, também aparece na liderança do Torneio Clausura. Mas não fez suas melhores exibições contra o Santa Cruz, longe disso. Até porque, nesta quarta, era o time coral que jogava o ano em 90 minutos. Precisando do resultado, os pernambucanos partiram para cima. E conseguiram ao menos a hipótese dos pênaltis antes do intervalo. Grafite amargava 15 partidas em branco, mas balançou as redes duas vezes, aproveitando as brechas dos colombianos no jogo aéreo. E cabia mais.

Tão criticado nas últimas semanas, Grafite tirou esta para ser a sua noite. O seu empenho era notável. Seria recompensado, mais uma vez ainda, no segundo tempo. Aos 25 minutos, após ótima enfiada de Keno, o artilheiro fuzilou para as redes. De três meses sem marcar a três gols em uma virada memorável. O roteiro já era perfeito ao veterano, no primeiro confronto internacional da história do Santa Cruz em uma competição oficial. Contudo, era preciso se garantir na defesa. Algo que os tricolores não conseguiram.

O frio na espinha veio a partir de uma cobrança de escanteio, a 15 minutos do fim. Congelou a alma da torcida coral quando o goleiro Edson Kolln, substituto de Tiago Cardoso, saiu sem achar nada e deixou o caminho livre para Carlos Alberto Ibargüen descontar. Naquele momento, o Santa voltava a precisar de um gol. Poucas foram as oportunidades para isso. Na melhor delas, já aos 45, Mazinho parou no goleiro David González. Não era dia de milagre, apesar de tudo.

Aquela pontinha de decepção prepondera. Apesar disso, o Santa Cruz deveria sair de cabeça erguida. Fez jogo duro a um adversário que, ao menos no papel, tinha o favoritismo muito mais a seu favor. Fica a lição pelo espírito de luta. Se persiste alguma esperança de permanecer a primeira divisão do Brasileiro, ela depende da mesma perseverança em campo. Restam 11 rodadas pela frente. Só não da para, outra vez, vacilar nos instantes finais.