Tudo conspirava a uma noite entristecida na Arena Condá. A Chapecoense recebeu mais cedo a notícia de que, em primeira instância, havia perdido os pontos da vitória heroica contra o Lanús na Argentina, pela escalação irregular de Luiz Otávio. Enquanto remoía os erros e pensava em recorrer, o Verdão do Oeste precisaria entrar em campo em mais um jogo vital, seja lá o que interessasse. Enfrentaria o Zulia, encerrando sua participação na fase de grupos da Copa Libertadores. E o desânimo se completava quando os venezuelanos abriram o placar. Quando várias e várias bolas dos anfitriões insistiam em não entrar. No entanto, a Chape não forjou sua aura copeira se entregando assim. O espírito de luta preponderou mais uma vez em Chapecó. Sem desistir jamais, o time buscou a virada por 2 a 1, com dois gols em sequência, depois dos 45 do segundo tempo. Triunfo que vale a defesa do título na Copa Sul-Americana, a princípio, embora ajude a classificação na Libertadores caso o recurso dê certo.

Apesar de toda a dor de cabeça dos últimos dias, a Chapecoense precisava seguir em frente. E demorou um pouco a pegar no tranco nesta terça, na visita do Zulia. O jogo começou sonolento, até que os catarinenses tivessem maior iniciativa. A Chape via os adversários possuírem mais posse de bola, mas se fechava bem na defesa e ameaçava no ataque. Alguns mais exaltados gritaram gol em jogada de Apodi que quase culminou em um tento contra. Entretanto, logo em seu primeiro lance mais contundente, os visitantes abriram a contagem. Aos 29 minutos, Sergio Unrein fez a jogada pela esquerda e cruzou para o veterano Juan Arango completar. A desvantagem não abateu o Verdão, que partiu para cima e criou outras oportunidades até o intervalo, desperdiçando por pouco.

Na volta para o segundo tempo, Vágner Mancini ratificou a postura agressiva de seu time, com a entrada de Túlio de Melo no lugar de Luiz Antônio. O reforço do centroavante era importante para aproveitar as recorrentes jogadas pelo lado do campo. E intensificou o bombardeio em Chapecó, sob forte chuva e neblina. Aos oito minutos, a trave negou o empate de Wellington Paulista, um elemento recorrente na narrativa do jogo. Ao lado do goleiro Renny Vega, o poste insistia em frustrar os catarinenses. O sufoco que valorizou ainda mais o épico.

Faltava mais precisão à Chapecoense nos arremates e nos cruzamentos aos montes, enquanto o Zulia se segurava. Teve bola salva em cima da linha, teve gol anulado por falta no goleiro. Já aos 25, os ares de dramaticidade aumentaram quando Hector Bello recebeu o segundo amarelo. O time da casa era todo ataque, mas esta não parecia ser a sua noite. Vega se desdobrava para segurar as muitas finalizações, auxiliado providencialmente por seus postes. Foram mais dois lances na trave e outro no travessão depois dos 30 minutos. A bola atravessava a pequena área com frequência enorme, mas nada de entrar. As expectativas já pareciam se esvair, com a eliminação completa se desenhando.

Só que exatamente quando a maioria já dava a situação como perdida é que o clube reconhecido por sua coragem reverteu o quadro. A bola rebateu várias vezes na área até Arthur completar para as redes e empatar, aos 46. Naquele momento, a situação ainda pedia mais um gol. Foi quando Andrei Girotto surgiu como o salvador, segundos depois, saltando dentro da área para se antecipar à marcação e completar o cruzamento de Rossi. A virada causava uma explosão de alegria na Arena Condá. A motivação que o Verdão do Oeste tanto precisava.

O tribunal determinará o tamanho do sucesso da Chapecoense nesta Libertadores. Obviamente, o desejo é continuar figurando entre as melhores equipes do continente e avançar às oitavas de final. Para tanto, a vitória sobre o Lanús precisaria ser validada, superando o Nacional de Montevidéu na tabela de classificação. De qualquer maneira, a vaga na Copa Sul-Americana não é um cenário tão ruim assim, com o atual terceiro lugar. Os catarinenses terão a chance de defender seu título e sua história, e com o moral recuperado nas duas últimas rodadas da fase de grupos. É essa garra que transformou as perspectivas na Arena Condá e que se faz tão necessária, em uma equipe com suas limitações. Limitações, que, todavia, não limitam os anseios.