Quem acompanhou o San Lorenzo na última Libertadores, sabe que não dá para esperar um futebol exuberante dos atuais donos da taça. O Ciclón se sagrou campeão justamente pela consciência de suas limitações. Uma equipe muito bem montada por Edgardo Bauza, que joga na defesa, mas tenta aproveitar a mínima chance da vitória. A fórmula se repete em busca do bicampeonato. Dá sobrevida aos argentinos, especialmente em uma fase de grupos tão dura, ainda que as chances de título pareçam bem menores. De qualquer forma, valeu a vitória sobre o São Paulo nesta quarta, no fundamental 1 a 0 no Nuevo Gasómetro.

Diante do desmanche que o San Lorenzo sofreu nos últimos meses, é até difícil cobrar a mesma força de 2014. Saíram alguns dos jogadores mais aptos a criar as já escassas chances de gol, especialmente Ángel Correa e Ignacio Piatti. O que não impede os cuervos de seguirem apostando no mesmo plano de jogo. E confiarem o trabalho de decidir a outros nomes. Como Martin Cauteruccio, que já fazia parte do time durante a campanha do título, mas perdeu boa parte dos jogos por conta uma séria lesão.

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Para vencer em seu estilo, o San Lorenzo não precisa dominar o jogo durante 90 minutos. Por isso mesmo, até “deixou” o São Paulo pressionar mais durante o primeiro tempo. No entanto, a enorme solidez defensiva do Ciclón, especialmente na cabeça de área, se combinava com a ineficácia do Tricolor na criação. Fazia uma partida modorrenta, em que o próprio time da casa saia ao ataque com cautela. Ainda assim, aproveitando as brechas dos são-paulinos e apresentando um repertório de jogadas pelo alto. Pelo menos finalizaram, ainda que sem tanto perigo a Rogério Ceni.

Em um segundo tempo que seguia o ritmo do marasmo, o San Lorenzo encontrou o que tanto queria: uma chance para o contra-ataque. Aconteceu aos 26 minutos e contou com o brilhantismo de Cauteruccio, que entrou no lugar de Romagnoli para dar mais presença de área aos cuervos. O centroavante recebeu de Mauro Mattos e, depois de aplicar um lindo chapéu em Rafael Tolói, aproveitou o clarão do São Paulo para sair na cara do gol, fuzilando Rogério Ceni. O suficiente para que os argentinos se concentrassem ainda mais na defesa e segurassem a vitória simples, valendo igualmente três pontos.

Sem tantas virtudes individuais no ataque, o San Lorenzo de 2015 é um pouco mais covarde do que o que saiu campeão no ano anterior. Não peita os adversários com mais potencial ofensivo, como fez contra Botafogo, Cruzeiro ou Bolívar em 2014. Mesmo nos dois jogos em casa nesta Libertadores, preferiu jogar mais na defesa, ainda que tenha pressionado o Corinthians nos minutos finais. Sabe da qualidade dos adversários, mas não é por isso que entregará os pontos na tentativa de avançar aos mata-matas. Afinal, é nas oitavas que a competição continental começa de verdade. Quando se cobrará mais atitude do San Lorenzo.

A situação do San Lorenzo está longe de ser confortável. Além do jogo contra o Danúbio em casa e da visita a Itaquera contra o Corinthians, precisa torcer para que os uruguaios arranquem pontos do Tricolor em Montevidéu e pelos alvinegros no Morumbi. O clássico, sobretudo, é o que deve definir os classificados do grupo. Por isso mesmo, buscar pelo menos um empate na Arena Corinthians será vital. Com a solidez defensiva do time de Bauza, por mais que os alvinegros vivam boa fase, dá para conseguir.

O problema é que não dá para esperar o bicampeonato do San Lorenzo. Não desse jeito, dependendo até mais da sorte e da precisão do que há um ano. Em uma situação mais aberta, em que dois times avançam, até dá para aproveitar o vácuo do Corinthians. Mas, no um contra um, diante de times mais fortes ofensivamente (como Boca Juniors, Tigres, Racing e o próprio Corinthians) é difícil acreditar em outra campanha surpreendente, como em 2014. Se conseguir o segundo milagre, o Papa Francisco já poderá se tornar santo.