O San Lorenzo fazia uma campanha de milagres na Libertadores. Vencera todos os seus jogos até então por um gol de diferença, exceto um. Justo o duelo contra o Botafogo na última rodada da primeira fase, quando os 3 a 0 no placar ficaram em cima da risca para a classificação suada. Sofrendo, de maneira parecida, o Ciclón superou Grêmio e Cruzeiro para chegar às semifinais. E, por mais que sustentasse o favoritismo entre os quatro melhores da Copa, não era o que apresentava o futebol mais impressionante. Desconfiança? Toda ela desfeita nesta quarta, em um massacre que não era imaginado nem mesmo pelo cuervo mais otimista.

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O San Lorenzo guardou toda a sua fome de gols para o jogo de ida da semifinal contra o Bolívar. Foram cinco gols, só um a menos do que em toda a fase de grupos. O Nuevo Gasómetro explodiu na goleada por 5 a 0 sobre o Bolívar, que coloca o Ciclón a 90 minutos de sua primeira final da Libertadores. Nem que La Paz suba para 8 mil metros de altitude, é difícil de imaginar uma reviravolta no confronto. Sem mudar o seu padrão de jogo, a equipe de Edgardo Bauza conquistou sua vitória mais contundente.

Desde os primeiros minutos, o San Lorenzo não apresentou nada de tão diferente dos primeiros jogos nesta Libertadores. Era uma equipe que conseguia dominar o meio-campo, mas sem ser agressiva ofensivamente, como tinha sido antes. Dependia de uma brecha do adversário, uma chance para marcar. E o Bolívar, muito aquém de seu melhor nesta campanha, deu várias oportunidades. As bolas paradas eram sempre uma temeridade. Assim, partiram os cruzamentos do veterano Leandro Romagnoli, para Mauro Matos e Emanuel Matos abrirem dois gols de vantagem com apenas 28 minutos.

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Era o jogo de um time só. Porque o Bolívar parece ter perdido a consciência tática que o fez ir tão longe nesta Libertadores. O San Lorenzo não atacava tanto, mas, quando conseguia, era fatal. Enquanto isso, os celestes apresentavam muito pouco na linha de frente. Torrico não teve que sujar a camisa, enquanto os “milagres de Papa Francisco”, tão frequentes, sequer precisaram ser suplicados.

Com o Bolívar aberto a diminuir o prejuízo é que o San Lorenzo ampliou ainda mais o placar. Mercier puxou o contra-ataque e tratou de concluir para fazer o terceiro, aos 25 do segundo tempo. O gol que desmoronou os visitantes. Buffarini acertou um lindo chute para anotar o quarto, pouco depois. Cabia mais. E coube em mais uma jogada de bola parada, concluída outra vez por Más para as redes. A semifinal da Libertadores contava com uma goleada por cinco gols, algo que não acontecia desde 1989.

Por décadas, o San Lorenzo teve que aturar as piadas dos rivais. Era o único grande da Argentina que não tinha ganhado o título continental, que sequer tinha chegado à final. Não há momento mais propício do que agora. Porque, se o Ciclón não havia mostrado muito nas fases anteriores, parece estar embalado para a reta final do torneio. E é na eficiência de um time tão bem encaixado, não na intensidade, que os cuervos constroem seu sucesso. Afinal, poucos na Libertadores 2014 foram tão eficientes quanto o San Lorenzo na inesquecível noite do Nuevo Gasómetro.