Neymar é, de longe, o melhor jogador Brasileiro em atividade. Vale qualquer sacrifício para ficar com ele, certo? Em tese, sim. O Santos paga um salário de clube europeu para continuar com o seu camisa 11. Uma estratégia que pareceu um milagre, mas ajudado por dois fatores importantes: o fortalecimento da economia brasileira, somado à crise econômica europeia. Porém, com a posição decepcionante do time no Campeonato Brasileiro e a frágil situação financeira do clube, a conta parece não fechar.

O Santos bolou um esquema financeiro envolvendo patrocinadores e direitos de imagem nas mãos do jogador, que tem uma agenda apertada de compromissos fora de campo. Com o que ganha, Neymar não precisa sair do Brasil. Nem parece querer. Vive em uma cidade que conhece bem, onde está bem adaptado, é ídolo e joga uma com uma camisa que gosta e fica totalmente à vontade. Parece tudo muito bom. Só que isso pode começar a mudar.

O elenco do Santos tem ficado mais fraco. Se em 2011 já chegou longe na Libertadores – um pouco pelos adversários que enfrentou e muito pela atuação maiúscula de Neymar e dos coadjuvantes Arouca e Ganso -, em 2012, a situação piorou. O time, que já dependia demais de Neymar, tornou-se completamente dependente dele. O problema é agravado pelo fato que os coadjuvantes pioraram de nível. Não conseguem fazer o time ser competitivo e brigar na parte de cima.

Talvez você ache que eu estou sendo duro demais com o Santos. O time que entrou em campo neste domingo contra o Náutico foi: Aranha; Bruno Peres, Bruno Rodrigo, Durval e Léo; Pedro Castro, Henrique, Leandrinho e Felipe Anderson; Victor Andrade e Bill. Com essa escalação, o Santos brigaria para não cair. Sim, é claro que esse não é o time titular, mas o que os escalados para este domingo mostram que o elenco do Santos é fraco.

Muricy Ramalho já veio a público reclamar do elenco cobertor curto do Santos. O técnico é acusado de não dar chances a jovens, o que pode até ser verdade. Entre as muitas discordâncias que tenho com Muricy, essa não é uma delas. O elenco do Santos não é suficiente para ficar dando chance a tantos garotos. Faltam jogadores de mais peso. Borges e Elano não estavam em grande fase, mas são jogadores experientes e poderiam ajudar – como estão fazendo nos outros clubes. Alan Kardec era um jogador muito útil, mas era muito caro para manter, de fato.

O problema é que saíram estes e quem chegou não parece ser do mesmo nível. Miralles, Bill, Patricio Rodriguez, João Pedro, David Braz e outros que chegaram são menos do que coadjuvantes. São jogadores para compor elenco. Não resolvem o problema. Podem crescer, claro, sempre há margem para isso. Mas acreditar que serão suficientes será um erro.

O time é frágil. Henrique não é sombra do volante que foi no Cruzeiro. Arouca não joga bem há pelo menos um ano. Léo faz, no máximo, partidas razoáveis. Durval tem comprometido mais do que de costume. Dos garotos, Felipe Anderson é bom jogador, mas é instável. E a aposta nos garotos é arriscada, especialmente porque o time começa a ficar em uma situação difícil, longe de todos os times do bloco da frente.  É o 16º colocado, apenas uma posição à frente da zona do rebaixamento. Um ponto à frente do Bahia. Situação de pressão que não é boa para lançar novos talentos.

Não acredito no rebaixamento do Santos. Rafael irá voltar da seleção, assim como Ganso – que, apesar de tudo, ainda pode ajudar. Ajudam a qualificar o time. E principalmente, claro, Neymar. Ele, sozinho, é capaz de elevar o nível do time a ponto de não só fazer escapar do rebaixamento, mas passar longe disso com tranquilidade. O problema é que pensar em ir além disso já está difícil. E para um time que faz contorcionismo para manter Neymar, se endividando e enfraquecendo o elenco, parece pouco. Muito pouco. Então, fica a pergunta: vale a pena manter Neymar nessas condições?