Quando aconteceu o sorteio das oitavas de final da Copa Libertadores, River Plate x Racing se sugeria um dos confrontos mais equilibrados. A Academia vinha de uma boa campanha na fase de grupos, apesar da segunda colocação, enquanto os Millonarios contam com um elenco recheado de estrelas. As mudanças ocorridas após a Copa do Mundo, especialmente com a venda de Lautaro Martínez, faziam a balança pender um pouco mais a Núñez. Ainda assim, a partida de ida no Cilindro de Avellaneda contou com um parelho 0 a 0. No entanto, as diferenças se escancararam nesta quarta-feira. Com uma atuação excelente, o River demoliu o Racing. Triunfo por 3 a 0, no qual os visitantes perderam a cabeça.

Os primeiros minutos de jogo foram equilibrados. O River Plate buscava o ataque, mas o Racing também tinha as suas chances. Aos dez minutos, entretanto, começou a se desenhar a classificação dos Millonarios. Uma boa trama coletiva abriu espaços na defesa da Academia. Na base da troca de passes, Lucas Pratto recebeu dentro da área e encheu o pé para estufar as redes. A Academia tentava responder e Matías Zaracho chegou a forçar uma boa defesa de Armani. Só que o ímpeto dos visitantes seria punido com um contra-ataque fulminante. Em grande noite na organização do time, Juan Fernando Quintero iniciou a jogada. Lucas Orbán tentou fazer o corte e mandou a bola nos pés de Exequiel Palacios. Então, o jovem não teve problemas para ampliar, aos 26.

O segundo gol baqueou o Racing. Tocando com qualidade e rapidez, o River Plate dominou totalmente as chances de gol nos 15 minutos finais. Só não ampliou porque viu a zaga racinguista se safar, diante das boas oportunidades. Somente na volta do intervalo é que a Academia se recuperou. Precisando de dois gols, os visitantes passaram a se postar no campo de ataque e a pressionar a defesa dos Millonarios, que buscavam um respiro nos contra-ataques. Mas nada tão efetivo quanto os albicelestes precisavam, com poucas jogadas de real perigo.

O momento decisivo aconteceu entre os 32 e os 36 minutos. Primeiro, Franco Armani fez uma grande defesa em cabeçada de Gustavo Bou. Depois, Maximiliano Cuadra carimbou a zaga em ótimo lance dentro da área. E quando o tento do Racing parecia amadurecer, o River anotou o terceiro, em cruzamento que Rafael Santos Borré completou dentro da área. A pá de cal. Logo na sequência da partida, ainda aconteceria uma confusão, após alguns atritos entre os jogadores.

Substituído, Enzo Pérez começou a provocar os visitantes e, depois de discutir com alguns jogadores, passou a ser perseguido por Ricardo Centurión, que tentava acertá-lo. Os jogadores se amontoaram, houve troca de agressões e os dois protagonistas do vexame acabaram expulsos. Alexis Soto deixaria a Academia com um a menos logo depois, ao receber o segundo amarelo. De qualquer forma, o confronto só esperava o apito final para a comemoração dos anfitriões. Apesar da confusão nos tribunais que se arrastou ao longo da semana, quanto à utilização irregular de Bruno Zuculini, o time da casa provou sua força independentemente dos bastidores.

O River Plate, sempre copeiro desde a chegada de Marcelo Gallardo, exibe sua força na Libertadores. É um time que possui bons jogadores e mostrou sua qualidade coletiva durante o primeiro tempo. Há muito talento na ligação, além de um goleiro excepcional como Franco Armani. E o Monumental é outra arma, como bem se viu nesta quarta, com um efervescente recebimento e a cantoria que durou os 90 minutos. O próximo desafio será o Independiente, outro clássico local. O favoritismo, ainda assim, estará em Núñez.


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