O River Plate apela ao passado e, enfim, poderá coroar uma geração perdida na Libertadores

O River Plate busca Aimar, Saviola e Lucho González para tentar reconquistar a Libertadores após 19 anos

Os títulos do Boca Juniors na Libertadores durante os anos 2000 não têm peso apenas pelos timaços montados. Eles também davam motivos à supremacia dos xeneizes contra os seus maiores rivais. Desde os anos 1980, o River Plate conta com mais títulos nacionais. E, no torneio continental, a leve vantagem do Boca começou a ser ameaçada na década de 1990. Os Millonarios chegaram ao segundo título em 1996, e tinham ótimos elencos para irem além por pelo menos uma década. Estacionaram aí, com quatro quedas nas semifinais. Enquanto isso, precisaram assistir às glórias em azul y oro, com direito à “galinhada” de Tevez em 2004.

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Neste tempo, o River Plate viu uma ótima geração de revelações se frustrar na América. E muitos deles voltam a Núñez em 2015 para tentar a conquista da Libertadores. O time que está nas semifinais do torneio sul-americano aposta (até demais) na experiência para derrotar o Guaraní nas semifinais e chegar à decisão. Entre os reforços anunciados desde a classificação sobre o Cruzeiro, três velhos conhecidos dos Millonarios: Pablo Aimar (35 anos) até já entrou em campo, enquanto Lucho González (34, que estourou no Huracán antes de chegar ao clube) e Javier Saviola (33) foram anunciados nesta semana. Também se juntam a Fernando Cavenaghi, outro veterano que está no grupo.

Os três repatriados participaram da época “quase áurea” do River Plate, entre o fim da década de 1990 e o início dos anos 2000, e também integraram a seleção argentina em Copas do Mundo – e o trio esteve junto, inclusive, no Mundial de 2006. Valem pela tarimba e também pela qualidade técnica que possuem, em um time que avançou nos mata-matas graças ao seu bom plano de jogo e à capacidade física. No máximo, dois velhos conhecidos devem ser titulares, até mesmo pela fase recente deles. Lucho González esteve longe de brilhar no Al Rayyan, do Catar. Aimar, pior, se escondia no Darul Takzim do poderoso Campeonato Malaio. E o mais bem colocado deles, Javier Saviola, esquentou o banco do Verona de Luca Toni.

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Pelo posicionamento, dá até para esperar que Lucho González faça mais partidas como titular. Ainda assim, Aimar e Saviola podem muito bem ter papéis de destaque na campanha da Libertadores. Por mais que não mostrem serviço há temporadas, ambos possuem talento para decidir jogos em lampejos. Serve o próprio exemplo de Romagnoli pelo San Lorenzo na última edição, com participação destacada no título inédito dos cuervos. Um chute ou um passe podem ser suficientes para alimentar a aura dos baixinhos. Mesmo nunca vingando como se esperava, a dupla conhece do riscado para brilhar em um momento fortuito. Mas se não fizerem nada, porém, não será surpreendente.

Além do mais, os velhos ídolos também acirram a rivalidade com o Boca Juniors neste momento em que Tevez retorna à Bombonera. Os três juntos não se equivalem à grande fase que vive o camisa 10, após liderar a Juventus ao tetracampeonato italiano e à final da Liga dos Campeões. Também estão longe de tornar o River Plate mais forte ao Campeonato Argentino, ainda mais na fórmula arrastada do torneio de 30 clubes. De qualquer maneira, apelam para a nostalgia. Dão uma boa levantada no clássico, especialmente depois da mancha vivida pela “vergonha” do spray de pimenta.

Resta saber, de fato, qual será o impacto das novidades no time. O técnico Marcelo Gallardo, velho conhecido de todos eles dentro de campo, saberá como lidar com a situação. Faltam apenas quatro jogos para o River Plate sentir o gosto de erguer a Libertadores outra vez, após 19 anos de jejum. Em uma arrancada de tiro curto, não custa confiar na mística e, enfim, coroar uma geração que até merecia mais sorte nas Américas.