A camisa traz um cadarço para amarrar a gola, em clara referência aos uniformes do passado. Uma camisa retrô que não poderia ter dono mais apropriado do que o Retrô FC, clube fundado em 2016 em Camaragibe, região metropolitana do Recife, que fará sua primeira partida na elite do Campeonato Pernambucano no próximo sábado, contra o Central.

O Retrô surgiu como um projeto social capitaneado pelo empresário Laércio Guerra, do setor da educação, com a missão de “retirar crianças e adolescentes da vulnerabilidade e inseri-los em um contexto de acompanhamento, desenvolvimento e suporte psicológico e educacional”. Começou focado apenas na formação de jogadores e na disputa de torneios de categoria de base, mas profissionalizou-se em 2019 e jogou a segunda divisão do campeonato estadual.

As condições financeiras são muito acima do normal para um clube desse tamanho. O centro de treinamento que conta com seis campos e 64 quartos custou R$ 35 milhões. Conquistou o acesso na primeira tentativa, mas perdeu o título da segundona nos pênaltis para o Decisão Bonito, na Arena Pernambuco, onde manda seus jogos.

Segundo o jornalista Cassio Zirpoli, sempre bem informado sobre o futebol pernambucano, o Retrô conta com uma folha salarial de R$ 400 mil para o Pernambucano, equivalente às de Santa Cruz e Náutico, e promete prêmio de R$ 1 milhão em caso de título. O objetivo é chegar à Série B em cinco anos.

E por que Retrô? A ideia é resgatar os ideais de futebol arte do futebol brasileiro, inspirando-se na seleção brasileira de 1982 – pois é, anos oitenta já é retrô -, como explicou o diretor-executivo do clube, Gustavo Jordão, ao Yahoo. “Quando se criou esse nome, veio um conceito de jogo atrelado. Não é algo engessado, como se jogássemos só no 4-4-2 ou no 4-3-3. Não é o sistema, mas a forma. Os pilares são na verdade, princípios do futebol moderno, aliado com o clube que imaginamos. Jogadores leves, volantes com características de meia, que não apenas marquem, atletas habilidosos que no último terço do campo partam para cima, jogar sempre que possível com marcação alta e em linhas, propor o jogo, jogo apoiado, triangulações”, explicou.

O slogan “Aqui é futebol raíz” aparece em peças publicitárias do clube. E, falando nisso, o Retrô informou que, por decisão do presidente Laércio Guerra, os uniformes não receberão patrocínio no Campeonato Pernambucano. “É o nosso primeiro Pernambucano e vamos sempre trabalhar com história, que envolta o futebol do passado, assim como o nosso nome surgiu, Retrô. O futebol arte! Que esse padrão nos traga muita sorte e conquistas”, diz o clube.