A grandeza do Independiente é transcendental. O Rojo possui 16 títulos do Campeonato Argentino em sua história. E, somando todas as taças que faturou além das fronteiras, consegue ser ainda mais condecorado internacionalmente. São 18 conquistas em torneios oficiais, 11 deles referendados pela Conmebol. As sete Libertadores geraram não apenas o apelido de Rey de Copas, como também batizam a casa do clube em Avellaneda. Desde a década de 1990, porém, o Independiente precisa se contentar com as competições secundárias. Levantou a Supercopa, a Recopa, a Copa Sul-Americana. Já nesta terça-feira, recobrou um pouco de seu gigantismo. Vai para a sua 15ª final sul-americana. Reverteu o tropeço na ida contra o Libertad e, graças à vitória por 3 a 1 em uma semifinal emocionante, o Rojo se confirmou na decisão, aguardando Flamengo ou Junior de Barranquilla.

A derrota na visita ao Defensores del Chaco não havia sido totalmente ruim ao Independiente. Ficou a insatisfação principalmente pela irregularidade no gol de Óscar Cardozo, que determinou o triunfo do Libertad por 1 a 0. No entanto, o Rojo demonstrou ter recursos para reverter a situação em Avellaneda. Além disso, contaria com uma bela ajuda do próprio craque rival: no segundo tempo, Cardozo foi expulso de maneira infantil, após deixar o braço em um adversário. Faria falta à sua equipe no reencontro desta terça.

O Independiente não deu margem ao erro. Começou o jogo partindo para cima e não demorou a abrir seu caminho. Aos 17 minutos, em uma jogada rápida após cobrança de lateral, Ezequiel Barco abriu o placar para os argentinos, cobrando pênalti. Já aos 19, Emmanuel Gigliotti aproveitou a brecha dentro da área para ampliar. O Libertad conseguiria se mostrar vivo pouco depois, aos 24, com Ángel Cardozo aproveitando cobrança de falta. Ainda assim, o primeiro tempo eletrizante contaria com o terceiro gol dos anfitriões, em excelente lance de Gastón Silva pela esquerda, cruzando para Gigliotti aparecer no meio da zaga e completar rumo às redes.

Antes do intervalo, o Libertad criou mais algumas chances para marcar, mas parou na segurança do goleiro Martín Campaña. Já o segundo tempo se incendiou mesmo nos minutos finais. Barco poderia ter feito um golaço, após enfileirar os adversários, mas falhou na conclusão. E, depois dos 43, só deu Gumarelo. Precisando de apenas um tento, os paraguaios partiram para cima e ficaram com o grito preso na garganta. Foram três chances que congelaram os argentinos, especialmente em chute desviado de Ángel Cardozo, no qual Campaña estava totalmente vendido. Também houve uma falta perigosíssima de Santiago Salcedo. Mas, ao final, a festa era vermelha.

E foi interessante ver como o Estádio Libertadores de América entrou em erupção pela Copa Sul-Americana. A torcida do Independiente já havia promovido um recebimento incrível antes do pontapé inicial. A multidão cantava com toda a sua alma, entre os fogos de artifício, a fumaça vermelha, o mosaico alvirrubro, as bexigas e os papeis picados. Já ao apito final, o êxtase rompeu o peito. Os jogadores e funcionários do clube invadiram o campo, entre longos abraços pelo feito. Enquanto isso, nas arquibancadas, a cantoria não parou por um instante sequer, ainda mais carnal, pelo sonho febril de reconquistar o continente.

Acima da camisa pesada, o Independiente possui um time qualificado para buscar a taça da Copa Sul-Americana. Conta com jogadores experientes, a exemplo de Fernando Amorebieta, Juan Sánchez Miño e Martín Campaña, além do próprio Gigliotti, antigo artilheiro do Boca Juniors. A espinha dorsal ainda é composta por atletas com nível de seleção, sobretudo Gastón Silva e Nicolás Tagliafico. E há uma quantidade considerável de talento precoce, em especial Barco, que aos 18 anos se coloca entre os protagonistas da equipe. Mescla grande, mas que tem rendido muito bem no torneio continental, além de manter o Rojo nas primeiras colocações do Campeonato Argentino.

À frente do grupo, um dos treinadores mais particulares do futebol sul-americano: Ariel Holan, de carreira iniciada no hóquei sobre grama, antes de mudar de modalidade na década passada. É o responsável por tentar aplicar um estilo de jogo ofensivo, de jogadas trabalhadas, e que rendeu elogios de ninguém menos que Jorge Sampaoli. Nesta terça, a eficiência prevaleceu para classificar o Rojo.

Nos dois anos anteriores, o Independiente havia sido eliminado na Copa Sul-Americana justamente pelos futuros campeões – Independiente Santa Fe e Chapecoense. Agora, retorna à final continental sete anos depois, para tentar repetir a celebração que aconteceu contra o Goiás. Sem conquistar o Campeonato Argentino desde 2002, o Rojo vive os seus lampejos na competição secundária. Já suficiente para alimentar a aura do Rey de Copas.


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