Sete anos entre a incerteza de não ter um campeonato nacional para disputar e o sofrimento na Série D. Desde que sofreu o rebaixamento na Terceirona em 2008, o Remo convivia com o sofrimento. Estava até acostumado, já que nem sempre tinha vaga garantida na quarta divisão – sendo que, em 2012, chegou a ser acusado de comprar a vaga do Cametá no torneio. E nas três vezes anteriores que a disputou, o Leão morreu nas oitavas de final. O trauma já havia sido superado com certa tranquilidade neste ano, virando o confronto com o Palmas para avançar à fase decisiva. E, desta vez, nada pôde estragar a enorme festa que se armou no Mangueirão. Os azulinos, enfim, puderam comemorar o retorno à Série C, batendo o Operário de Ponta Grossa por 3 a 1. Desabafo de uma massa cansada de tanto tempo no limbo.

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Desde o início da competição, o Remo surgiu como um dos favoritos ao acesso na Série D. E não apenas por sua tradição. Os remistas já viviam um bom ano nos torneios regionais, se recuperando após três meses de incerteza. Depois da chegada do técnico Cacaio, conquistaram o Paraense, com o gostinho de eliminar o Paysandu. E ainda acabaram vice-campeões da Copa Verde. Apesar da virada espetacular do Cuiabá na decisão, o Leão também tinha derrubado o Papão nas semifinais. Vinham motivados e a força se cumpriu desde a fase de grupos da quarta divisão, superando rivais regionais como o Rio Branco do Acre e o Nacional do Amazonas. Já nas oitavas, o Palmas ganhou o primeiro jogo graças a um pênalti absurdo, mas não suportou pressão do Mangueirão.

Assim, o Remo seguiu o embalo para pegar o Operário Ferroviário. Adversário qualificado, depois de conquistar o histórico título Paranaense, encerrando a sequência de 14 vice-campeonatos estaduais. Só que o ano especial não serviu de impulso para o Fantasma. Os remistas já começaram a encaminhar o acesso em Ponta Grossa, vencendo no Estádio Germano Krüger por 1 a 0. Tudo preparado para a celebração no Mangueirão, desde a volta do Paraná, com centenas de torcedores recepcionando os ídolos já no aeroporto.

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O Remo não desapontou os 33,6 mil presentes. E adiantou o serviço desde o primeiro tempo, partindo para cima dos visitantes. O primeiro gol saiu aos 20 minutos, em cobrança de escanteio de Eduardo Ramos que Welthon desviou. Antes do intervalo, o Operário ainda tentou voltar para o jogo. Mas teve seus planos frustrados no início da segunda etapa. Eduardo Ramos ampliou a diferença aos 10, enquanto Aleilson anotou o terceiro quatro minutos depois.

A partir de então, o Fantasma perdeu a cabeça. Criou confusão durante a comemoração do gol. E, logo depois, Levy foi expulso. Mesmo com um a mais, o Leão se acomodou em campo e passou a sofrer pressão do Operário, que precisava de quatro gols. Os paranaenses acertaram a trave e reduziram a desvantagem aos 33, com Alemão. Gol que fez os remistas acordarem e voltarem a atacar. Também carimbaram a trave e tiveram outra chance de fazer o quatro, em belo lance de Eduardo Ramos, destaque da campanha. Nem precisou. De uma vez, os paraenses matavam dois fantasmas.

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Por seu tamanho e sua importância histórica, o Remo não deveria ficar tanto tempo no risco de disputar a Série D ou não, que invariavelmente colocava em xeque suas próprias contas. Mas não a sua existência. Porque foram exatamente os fiéis azulinos que mantiveram o Leão vivo por todo esse tempo. Ao longo dos últimos meses, o clube pagou as consequências por montar um elenco mais caro do que poderia manter. Teve que fazer um desmanche e, mesmo assim, Cacaio segurou as rédeas do time. Então, o Remo ganhou o apoio da sempre presente torcida, que levou mais de 28 mil nos três jogos no Mangueirão pela Série D (os azulinos cumpriram punição no início do torneio), ajudando a pagar parte dos débitos.

Agora, o temor da quarta divisão já é passado. O Remo sobe já como uma das forças da Série C, tentando repetir por lá o feito de seus maiores rivais, que subiram em 2012 e também em 2014. Neste ano, o Paysandu já sonha em voltar à Série A. E o Leão tem a gana de alcançar os arqui-inimigos, para reviver o grande clássico do Norte a nível nacional. Diante de toda a paixão nas arquibancadas, o Pará merece. E o futebol brasileiro é quem pode ganhar com isso. O feito dos remistas neste domingo já é um grande passo.