Por anos seguidos, o Napoli se erigiu como o maior desafiante à Juventus na Serie A – às vezes o único. Os celestes faziam campanhas históricas e quebravam recordes, mas sempre faltaram detalhes para terminar à frente da Velha Senhora na tabela. Nesta temporada, o clube se distancia dos sonhos recentes e até mesmo da Champions League, com uma campanha caótica no Italianão. E justo quando a desesperança anda mais forte pelas bandas do San Paolo, o Napoli se reergue contra a Juve. Neste domingo, em Nápoles, a má fase pareceu apenas um prólogo e valorizou a vitória categórica do time de Gennaro Gattuso por 2 a 1.

O Napoli atravessa um deserto na Serie A. A equipe emendou oito partidas seguidas sem vencer a partir de outubro e, mesmo depois de encerrar o jejum no final de dezembro, o novo ano começou com três derrotas consecutivas. A classificação sobre a Lazio na Copa da Itália durante a última terça-feira gerou certas esperanças. Mas nada comparado ao que aconteceu no San Paolo neste domingo, pelo simbolismo contra o rival mais execrado. Os napolitanos não permitiram que Maurizio Sarri, vaiado massivamente, triunfasse no retorno à velha casa.

O Napoli segue com diversas ausências por lesão, incluindo Dries Mertens e Kalidou Koulibaly – além de Allan, que retornou ao Brasil para ver o nascimento do filho. Já a Juventus, apesar de também ter desfalques, sobretudo na defesa, contou com seu tridente ofensivo intacto – com Paulo Dybala, Gonzalo Higuaín e Cristiano Ronaldo. Nada que intimidasse os napolitanos, saindo mais para o jogo durante os primeiros minutos, embora com certa cautela.

Arkadiusz Milik deu o primeiro susto, em uma cabeçada que saiu por cima do travessão após pegar mal na bola. Já aos 15 minutos, José Callejón desviou para a primeira defesa de Wojciech Szczesny. Todavia, não seria uma etapa inicial tão movimentada. Os celestes levavam perigo mais pela velocidade de seus avanços do que pelas oportunidades, enquanto os bianconeri mal invadiam a área, sem passar pelas linhas compactas do time da casa.

O segundo tempo, em compensação, traria emoções. A Juventus chegou a balançar as redes aos sete minutos, quando Dybala carimbou a trave e Cristiano Ronaldo escorou o rebote, mas Higuaín estava impedido na construção. Piotr Zielinski respondeu na sequência, antes que Alex Meret fosse obrigado a barrar o chute rasteiro de Higuaín. No entanto, a consistência do Napoli seria premiada aos 18, com o primeiro gol. A partir de um cruzamento errado, Lorenzo Insigne puxou o contra-ataque do campo de defesa. O ponta avançou até a intermediária adversária, tabelou e arriscou de longe. Szczesny espalmou para frente e Zielinski conferiu no rebote.

Sarri não demorou a acionar Douglas Costa e Federico Bernardeschi no banco, tirando Dybala e Blaise Matuidi. O Napoli, porém, conseguiu proteger bem a sua área e não passava grandes apuros. Os lances mais agudos dos bianconeri surgiam em bolas alçadas na área, neutralizadas pelos celestes. Sem inventividade, sequer a Juve conseguia finalizar a gol. Pior, sofria bem mais com os contra-ataques dos napolitanos. O desenlace estava anunciado e os anfitriões mataram o jogo aos 41.

O contragolpe até parecia não dar resultado, depois que o tiro cruzado de Milik passou por Szczesny e ninguém completou na pequena área. No entanto, Callejón aproveitou a sobra do outro lado e conectou com Insigne, o homem da noite. O capitão acertou um lindo chute de primeira, que quicou no gramado e matou Szczesny, atrasado na reação. Só depois disso a Juventus tentou responder, mas era tarde demais.

Cristiano Ronaldo descontou aos 45, a partir de um lançamento soberbo de Rodrigo Bentancur. O artilheiro ganhou da marcação na corrida e, quando Meret vinha para abafar, o lusitano deu um toquinho antes do goleiro. Nem mesmo a Lei do Ex funcionou nos acréscimos. No momento derradeiro, em que Higuaín virou uma meia-bicicleta, Meret apareceu com segurança para encaixar e assegurar a vitória.

O Napoli não precisava apenas vencer, mas também carecia de um bom mais convincente. No nível máximo motivação oferecido pelo clássico, os celestes conseguiram cumprir essa missão. Gattuso, agora, precisa saber como capitalizar o resultado para atenuar um pouco a situação na tabela. Mesmo com os três pontos, os celestes estão no modesto décimo lugar, com 27 no total. Ficam a 11 pontos da zona de classificação à Champions. A projeção mais realista é a Liga Europa, a quatro pontos no momento.

A Juventus, por sua vez, desperdiça uma oportunidade enorme de se desgarrar na liderança. Numa rodada em que a Internazionale perdeu pontos acessíveis e a Lazio empatou no dérbi, a Velha Senhora tinha um compromisso difícil, mas poderia ter feito melhor em Nápoles. Apesar da sequência de vitórias recentes, o rendimento do time de Maurizio Sarri é posto em xeque, tornando o tropeço deste domingo mais incômodo pela ineficácia dos bianconeri. Ainda em primeiro, estão três pontos à frente da Inter.

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