O confronto com o Viktoria Plzen, dentro do Estádio Santiago Bernabéu, parecia o compromisso perfeito para o Real Madrid atenuar a crise. Uma goleada sobre os tchecos não aliviaria a barra de Julen Lopetegui, mas encerraria a sequência sem vitórias e melhoraria o ambiente no clube antes do clássico contra o Barcelona, pelo Campeonato Espanhol. De fato, os merengues somaram três pontos na Liga dos Campeões. No entanto, estiveram bastante distantes de convencer, com o magro placar de 2 a 1 e os momentos de pressão exercidos pelos visitantes. Há muitas falhas evidentes no time madridista, seja no ataque ou na defesa. E a vitória insuficiente para satisfazer acaba aumentando um pouco mais a cobrança, num cenário em que só o massacre bastaria para apaziguar os ânimos.

Lopetegui escalou uma equipe bastante ofensiva no Bernabéu. Lucas Vázquez e Marcelo eram os laterais, enquanto Gareth Bale estava de volta para compor o trio de frente com Isco e Karim Benzema. Em início de jogo movimentado, Sergio Ramos cabeceou uma bola na trave logo aos dois minutos, enquanto o Plzen responderia pouco depois, com Milan Petrzela forçando boa defesa de Keylor Navas. Ao menos a segurança dos merengues não demorou, com Benzema abrindo o placar aos dez minutos. Vázquez cruzou da direita e o centroavante cabeceou firme, tirando do alcance do goleiro.

O Real Madrid tinha o controle do jogo. Chegou a acumular 70% de posse de bola apenas no primeiro tempo. Mas depois do primeiro tento, não era incisivo. Tinha dificuldades para construir o jogo, muito lento, sem aproveitar as brechas na defesa tcheca. Pior, o Plzen levaria perigo algumas de suas chegadas. A principal válvula de escape era pela esquerda, nas costas de Vázquez. David Limbersky faria a torcida da casa prender a respiração aos 30 minutos, em bola que triscou a trave. E pouco antes do intervalo, Petrzela desperdiçou em ótimas condições, depois de saída errada de Marcelo. Para não dizer que os madridistas só tomaram pressão, também criaram seus lances, com direito a um tento de Bale anulado por impedimento. Isco e Benzema também tentaram, sem precisão alguma. As vaias ecoavam na saída dos times aos vestiários.

No segundo tempo, o Real Madrid ainda concedia espaços na defesa, mas voltou concentrado ao ataque e ampliou a vantagem logo aos nove minutos. Boa trama pela esquerda, que contou com a participação de Federico Valverde, substituindo Isco, sem sentir o peso de sua estreia na Champions. O uruguaio recuperou a bola e iniciou a troca de passes, Bale deu de calcanhar e Marcelo invadiu a área, desferindo um toque sutil para tirar do alcance do goleiro. Na comemoração, apontou ao escudo do clube e fez que “não”, como se afirmasse a sua permanência no Bernabéu e rebatesse as críticas.

Pelo domínio do jogo e por alguma insistência no ataque, o Real Madrid parecia mais propenso a ampliar. Teve, inclusive, mais um tento bem anulado pela arbitragem. Mas se desleixou nos minutos finais e permitiu que o Plzen descontasse aos 33. Patrik Hrosovsky aproveitou o rombo no miolo da zaga, avançou e tocou rasteiro para vencer Keylor Navas. A partir de então, certo nervosismo pareceu abater os espanhóis. Não tinham ímpeto no ataque e tomavam sufoco a cada aproximação dos tchecos. E a situação se complicou um pouco mais quando Marcelo se lesionou e deixou o time com um a menos, depois das três alterações. Por sorte, o relógio foi amigo dos anfitriões e o tempo acabou antes que o estrago se tornasse maior.

Julen Lopetegui está mantido até o clássico com o Barcelona e muito provavelmente seu destino será definido no Camp Nou. O Real Madrid precisa de muito mais para ser competitivo, embora os grandes jogos costumem tirar o melhor de jogadores tarimbados. Necessitarão mesmo, diante da falta de agressividade no ataque, da transição falha e da defesa insistentemente mal posicionada. À Champions, ao menos, o triunfo magro sobre o Viktoria Plzen vale para os merengues recuperarem a liderança do Grupo G, com seis pontos, ao lado da Roma. Os tchecos têm apenas um, mas voltam razoavelmente saciados pela maneira como encararam os espanhóis. E o agradecimento vem também entre aqueles que se beneficiam com a crise, sobretudo os blaugranas.