Santiago Solari venceu os seus três primeiros compromissos à frente do Real Madrid, mas o peso dos resultados não valia muito ao novo treinador. Um triunfo contra um adversário da terceira divisão na Copa do Rei, outro sofrido e imerecido diante do Valladolid, a goleada sobre o Viktoria Plzen na Liga dos Campeões. Neste domingo, entretanto, os merengues teriam um jogo difícil pela frente. Encarariam o Celta de Vigo no Estádio Balaídos, um dos mais temidos de La Liga e que vitimou os madridistas em compromissos recentes. Não desta vez. Os visitantes superaram as muitas adversidades ao longo da noite e, com mais uma grande apresentação de Karim Benzema, alcançaram a vitória por 4 a 2 – que revigora um pouco mais os ânimos no Bernabéu.

Não foi um início de jogo fácil ao Real Madrid. O Celta criava boas oportunidades, levando perigo à meta de Thibaut Courtois. Poderia até mesmo ter aberto o placar, em cabeçada de Okay Yokuslu que estalou a trave. E para piorar, a lesão de Casemiro não trazia boas perspectivas aos merengues, substituído por Dani Ceballos. Os visitantes, porém, não puderam reclamar da sorte. Pouco depois de ambos os sustos, Benzema abriu o placar. A jogada começou com um lançamento preciso de Luka Modric. Ainda melhor foi o domínio fabuloso do centroavante, com o peito do pé, girando o corpo. Movimento de bailarino, que deixou o francês de frente para o gol, antes de fuzilar o goleiro Sergio Álvarez. Antes do intervalo, Toni Kroos desperdiçou uma chance claríssima de ampliar.

Benzema parece renascido com Solari e assume a responsabilidade neste momento difícil. No início do segundo tempo, ajudaria a dar mais tranquilidade ao Real Madrid. Depois de acertar o travessão, fez a ótima jogada que rendeu o segundo tento. O centroavante aplicou um drible sensacional no marcador e arrematou com força, em lance inicialmente desviado por Álvarez. A bola bateu na trave e, quase em cima da linha, respingou no corpo de Gustavo Cabral, que anotou o infeliz gol contra.

Só que o Celta não estava morto. Os galegos seguiam criando suas ocasiões no ataque e ameaçando o gol de Courtois. Assim, voltaram para a partida aos 16, graças ao belo chute de Hugo Mallo. Não seria inimaginável um empate neste momento, pela fome que os anfitriões apresentavam e pelos problemas do Real. Além de Casemiro, Sergio Reguillón também se contundiu no final da primeira etapa, substituído no intervalo pelo obscuro Javi Sánchez. Já aos 26, quem sentiu foi Nacho Fernández. Solari deslocou Javi Sánchez ao miolo de zaga, Lucas Vázquez à lateral esquerda e gastou a terceira alteração com Marco Asensio.

O Real Madrid precisou se resguardar nos 20 minutos finais, mas conseguiu ampliar a vitória. Um pênalti rendeu o terceiro gol aos 38, com Sergio Ramos mandando mais uma cavadinha. Gustavo Cabral deixou o Celta com 10, expulso aos 42. Por fim, um lance de extrema beleza aconteceu aos 46, em bomba de Dani Ceballos que morreu no ângulo. Ainda haveria tempo para que Brais Méndez descontasse mais uma vez, dando uma noção melhor sobre o que foi o jogo. Mas nada que tire os méritos dos madrilenos, pela forma como superaram as adversidades.

O Real Madrid volta para casa com suas preocupações, considerando a maneira como as lesões prejudicam ainda mais um elenco relativamente curto. As quatro vitórias consecutivas sob as ordens de Solari, ao menos, voltam a clarear os céus pelos lados de Chamartín. Os merengues terminam a rodada na sexta colocação, com 20 pontos, e a quatro pontos do líder Barcelona. Em uma temporada totalmente equilibrada do Campeonato Espanhol, longe dos padrões, as expectativas se reavivam. Já o Celta precisa de mais, com 14 pontos, ocupando o modesto 14° lugar.