O Real Madrid domou o Atlético para Cristiano Ronaldo demolir o Vicente Calderón

Atacante marcou três gols e se tornou o maior artilheiro do dérbi, naquele que possivelmente foi o último encontro dos rivais no estádio

O jogo no Estádio Vicente Calderón trazia consigo uma carga emocional extra. E não apenas por ser um Dérbi de Madri, decisivo para o Campeonato Espanhol. Este foi possivelmente o último clássico na casa do Atlético de Madrid, o que deixou a torcida rojiblanca claramente empolgada. Houve até mesmo um bandeirão, dizendo que o “legado no estádio será eterno”. No fim das contas, os anfitriões tiveram que engolir a seco a vitória do Real Madrid. Zinedine Zidane domou Diego Simeone. Já no ataque, Cristiano Ronaldo impôs sua capacidade impressionante para marcar gols. Jogando como homem de referência, o craque balançou as redes três vezes e demoliu os rivais com a vitória por 3 a 0. Tornou-se também o maior goleador da história do dérbi, superando Alfredo Di Stéfano.

Se o Atleti deixou de ser freguês do Real nos últimos anos, conquistando grandes resultados contra os merengues, Zidane tratou o clássico com a seriedade necessária. Trouxe o seu time a campo com uma postura mais cautelosa, com Kovacic trancando a cabeça de área e fazendo muito bem a função de Casemiro. Modric e Isco completaram a trinca no meio, auxiliados por Lucas Vázquez e Bale nas pontas, oferecendo muito empenho sem a bola. Simeone, por sua vez, viu sua equipe com problemas para conectar Torres e Antoine Griezmann no ataque, dependendo mais das escapadas de Ferreira-Carrasco pela esquerda.

O Real Madrid não demorou a mostrar a sua disposição no Calderón. Não concedia espaços aos rivais e criou as melhores chances no começo. Cristiano Ronaldo só não abriu o placar aos 11 porque Jan Oblak operou um milagre, salvando em cima da linha a cabeçada à queima-roupa. Mas, se não deu sorte neste lance, o craque daria aos 23. A cobrança de falta não foi boa, mas explodiu no meio da barreira e enganou o goleiro esloveno, abrindo o placar. A deixa para que os merengues mantivessem a frieza e o controle da noite, diante de um rival dissonante.

O Atlético de Madrid só acordou para o jogo na volta para o segundo tempo. Os dez primeiros minutos foram os melhores dos rojiblancos no dérbi e o empate até pareceu palpável. Griezmann e Carrasco passaram a insistir, mas não venceram Keylor Navas. Simeone aproveitou o momento, tirando Fernando Torres e Gabi para as entradas de Gameiro e Ángel Correa. Todavia, a tentativa de colocar o time ao ataque não surtiu o efeito esperado. O Real Madrid mataria o jogo pouco depois, atacando com velocidade.

Excelente na condução do meio-campo, Isco começou a se sobressair ainda mais. De qualquer maneira, a noite era mesmo de Cristiano Ronaldo. O atacante nem fez a atuação mais espetacular de sua carreira, mas cumpriu sua missão: marcar gols. Aos 26, cavou um pênalti discutível, que ele mesmo converteu. Já aos 32, após ótimo lançamento de Isco, Bale fez grande jogada ao puxar o contra-ataque e rolar para o camisa 7 só escorar. Com a tripleta, Cristiano chegou a 18 tentos contra os colchoneros, um a mais que Di Stéfano. Saiu pouco depois, festejado pelos companheiros e vaiado pela torcida da casa. Nos instantes finais, o Atleti tentou fazer o de honra, sem sucesso.

O Real Madrid conquista a sua vitória mais contundente na temporada. E não necessariamente pelo volume de jogo ofensivo ou pelo placar. A grandeza do resultado está mais na maneira como os merengues fizeram o Atlético de Madrid caber em seu bolso. Além disso, a capacidade de Cristiano Ronaldo pesou. A equipe chega aos 30 pontos, quatro a mais sobre o Barcelona, em uma vantagem importante antes do clássico no Camp Nou, marcado para a primeira semana de dezembro.

O Atleti, por sua vez, deixa o G-4 e tem nove pontos a menos que o Real Madrid. Se os resultados fora de casa não vinham sendo bons, os colchoneros também sofrem um duro golpe dentro de sua famosa fortaleza. Uma derrota para fazer Simeone traçar planos mais modestos no Espanhol desta vez, priorizando mesmo a classificação à Champions, ao invés de sonhar com o título. E que deixa uma péssima lembrança, apesar da bonita festa dos torcedores no Calderón. O estádio será demolido dentro de alguns meses, mas, simbolicamente, Cristiano Ronaldo já fez isso.