“Eu não sei quantos milagres foram proclamados antes de serem realizados. Não temos nenhum direito de falar sobre isso, mas temos de dar tudo no campo e jogar com força. Se conseguirmos um bom resultado que nos classifique, será grandioso; se não, queremos dar adeus para a Liga dos Campeões com uma grande atuação. Como sempre, daremos tudo para vencer, porque devemos isso aos nossos torcedores. Colocaremos toda a paixão do mundo”. A declaração de Jürgen Klopp na véspera do jogo decisivo ecoou no Borussia Dortmund. E uma partida que parecia resolvida a favor do Real Madrid se tornou um duelo memorável. Um dos melhores confrontos da Liga dos Campeões dos últimos anos.

O Dortmund não ficou com a classificação. Porém, até fez por merecer, tamanha força de vontade que demonstrou. Com uma equipe ainda depenada pelas lesões, os aurinegros só não levaram o confronto para a prorrogação por um gol. Da derrota por 3 a 0 no jogo de ida, bateram o Real Madrid por 2 a 0, em uma senhora atuação de Marco Reus. Ainda assim, a vaga nas semifinais ficou com os merengues, que suaram sangue para segurar o placar, e devem idolatrar um pouco mais Iker Casillas pelas defesas imprescindíveis.  Um resultado para os espanhóis recobrarem que um título da Champions nunca é feito só de goleadas e, especialmente, para corrigirem suas falhas defensivas antes que seja tarde demais.

A situação parecia tranquila para o Real Madrid. Depois da boa vantagem construída no jogo de ida, Carlo Ancelotti preferiu não arriscar a entrada de Cristiano Ronaldo, com problemas físicos. Escalou Asier Illarramendi no meio-campo, com Ángel Di María deslocado para a ponta. Enquanto isso, o 11 inicial do Borussia Dortmund não inspirava tanta confiança assim, com Manuel Friedrich, Erik Durm, Oliver Kirch e Milos Jojic. Podia não inspirar tanto olhando no papel, mas a diferença não foi tão sentida assim dentro de campo.

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O começo de jogo foi amarrado. Os aurinegros tinham iniciativa, mas erravam demais os passes no ataque. Enquanto isso, o Real Madrid tentava controlar o jogo, trabalhando o toque de bola, ainda que majoritariamente em seu campo de defesa. Aos 17 minutos, a primeira grande chance. O árbitro marcou um toque de mão de Lukasz Piszczek dentro da área. Pênalti, que Weidenfeller salvou. Era a motivação que o Dortmund precisava.

O lance fez os anfitriões crescerem, começarem a sufocar. A equipe de Jürgen Klopp atacava com intensidade e também cercava a saída de bola do Real Madrid com muita vontade, a pressão que tanto caracterizou os aurinegros nos últimos tempos. E forçar o Real Madrid ao erro foi fundamental para que os alemães fossem para o intervalo com dois gols de vantagem. Marco Reus marcou o primeiro a partir de uma falha de Pepe, enquanto um passe errado de Illarramendi terminou com mais um tento do alemão, após Lewandowski carimbar a trave.

Ancelotti viu que a mudança em seu time era inevitável. Illarramendi saiu para a entrada de Isco, com Di María voltando para o meio-campo. Deu certo, ao menos nos primeiros 15 minutos da etapa final. Weidenfeller foi obrigado a fazer mais uma defesa, enquanto Bale teve uma grande chance de diminuir, em chute cruzado que passou a centímetros da trave. Mesmo assim, os merengues estavam longe da sede de gols que costumam demonstrar com Cristiano Ronaldo em campo.

Do outro lado, a chave de ignição era Marco Reus. Uma senhora partida do camisa 11, aquele que botava fogo em seu time. Foi dele a jogada que possibilitou a grande chance para o Dortmund na segunda etapa. O atacante arrancou desde o meio-campo, se desvencilhou dos volantes e deu um passe açucarado para Henrikh Mkhitaryan. O armênio driblou Iker Casillas e, com o gol vazio, acertou a trave. Era a grande chance dos 3 a 0, o gol que os aurinegros tanto precisavam.

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O Borussia Dortmund ainda viu Casillas fazer duas defesas milagrosas, negando o tento. E ao mesmo tempo em que perdia o gás, via o Real Madrid se acertar no meio-campo. Muito mal na partida, Di María deu lugar a Casemiro. Mais fixo na marcação, o brasileiro deu a proteção extra que os merengues precisavam, ainda que o Dortmund seguisse na pressão. No fim do jogo, com o campo aberto, as melhores chances de marcar foram dos espanhóis em contra-ataques, mas Weidenfeller seguia impecável. Apenas sacramentou a sensação de que, por um mero gol, os alemães levariam o duelo para a prorrogação.

O Real Madrid passa para as semifinais da Liga dos Campeões pela quarta temporada seguida. Desta vez, espantando justamente o último fantasma que os impediu de chegar à sonhada decisão. Mais suado do que o esperado, com muito mais erros do que deveriam cometer. E agora esperando o retorno de Cristiano Ronaldo para ir rumo à tão sonhada ‘La Décima’.

Formações iniciais

Dortmund x Real Madrid

Destaque do jogo

Marco Reus. Em seis partidas que o atacante atuou desde que voltou de lesão, marcou sete gols. E sempre o Dortmund venceu. Desta vez, o craque do time teve uma noite ainda mais impressionante, carregando o time nas jogadas em velocidade, finalizando nos lances mais perigosas e também criando oportunidades para os seus companheiros. Pena que, em sua melhor jogada, Mkhitaryan parou na trave.

Momento chave

O pênalti perdido por Ángel Di María. Era a grande chance do Real Madrid abrir o placar e obrigar o Dortmund a marcar cinco gols. Mas Weidenfeller, que já tinha feito defesas fantásticas na visita ao Bernabéu, pegou a cobrança e renovou as esperanças dos aurinegros. Difícil imaginar que o jogaço se desenrolaria da mesma forma se a bola tivesse entrado. Além disso, também cabe citar o gol perdido por Mkhitaryan, que ainda podia levar o duelo para a prorrogação.

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Os gols

24’/1T – GOL DO BORUSSIA DORTMUND! Lançamento do campo de defesa e Pepe recua errado de cabeça. Reus domina, passa por Casillas e toca para as redes vazias.

37’/1T – GOL DO BORUSSIA DORTMUND! Erro de Illarramendi na saída de bola. Reus arranca em velocidade e passa para Lewandowski, que chuta na trave. Na sobra, Reus enche o pé e faz.

Curiosidade

É a terceira vez na história que o Real Madrid chega a quatro semifinais seguidas da Liga dos Campeões. Desta vez, porém, os merengues não passaram à decisão nos últimos três anos. Entre 2000 e 2003, foram campeões duas vezes. Entre 1956 e 1960, ficaram com a taça nas cinco ocasiões.

Ficha técnica

BORUSSIA DORTMUND 2×0 REAL MADRID

Borussia Dortmund
Roman Weidenfeller, Lukasz Piszczek (Pierre Emerick Aubameyang, 35’/2T), Manuel Friedrich, Mats Hummels e Erik Durm; Oliver Kirch e Milos Jojic; Kevin Grosskreutz, Henrikh Mkhitaryan e Marco Reus; Robert Lewandowski. Técnico: Jürgen Klopp.

Real Madrid
Iker Casillas, Daniel Carvajal, Pepe, Sergio Ramos e Fabio Coentrão; Xabi Alonso, Asier Illarramendi (Isco, intervalo) e Luka Modric; Ángel Di María (Casemiro, 28’/2T), Karim Benzema (Raphael Väräne, 46’/2T) e Gareth Bale. Técnico: Carlo Ancelotti.

Local: Signal Iduna Park, em Dortmund (ALE)
Árbitro: Damir Skomina (ESL)
Gols: Marco Reus, 24’/1T, 37’/1T.
Cartões amarelos: Marco Reus, Pierre-Emerick Aubameyang (Borussia Dortmund); Sergio Ramos, Xabi Alonso, Dani Carvajal, Casemiro e Karim Benzema (Real Madrid).
Cartões vermelhos: Nenhum