O Racing Club de Avellaneda possui uma história curiosa ao redor da escolha de seu nome. A inspiração veio de Germán Vidaillac, um estudante de ascendência francesa, que na reunião de fundação do clube tinha nas mãos uma revista de automobilismo do país europeu. Na capa, o destaque era o tal “Racing Club”, que virou sugestão e foi aprovado com louvor. O sucesso do Racing inspirou outros clubes homônimos, incluindo o Racing de Córdoba, criado em 1924. E surge como uma belíssima ironia que os cordobeses tenham anunciado nesta quinta-feira a contratação de um “craque”: Ayrton Cena não pilotará o Racing, mas vai defender a sua meta.

Se a chegada de Ayrton Cena ao Racing de Córdoba parece uma grande ironia, o nome do rapaz não é. O sobrenome “Cena” é da família. Em compensação, o nome Ayrton foi inspirado no próprio Senna. Pai do goleiro, seu Oscar Cena era fã de automobilismo e seria um dos tantos impactados pelo acidente fatal do brasileiro em Ímola. Naquele momento, sua esposa Rosa Cena estava grávida. O rebento, nascido exatos três meses depois, em 1° de agosto de 1994, guardaria uma homenagem a Ayrton.

“Meu pai era muito fã de Senna e coincidiu que, no ano em que ele morreu, eu nasci. Então, como tínhamos o sobrenome Cena, aproveitou e colocou Ayrton. Algumas pessoas não sabem quem é Senna, mas a maioria sabe e não acredita. Muitos pedem meu RG pra ver se é isso mesmo. Mas não me chamou atenção ser piloto. De vez em quando vejo alguma corrida, mas nada mais”, declarou Cena, em entrevista ao Via Córdoba.

O complemento do sobrenome soa mais como uma piada. Mas talvez Senna e Cena representem um parentesco ou uma vizinhança muito distante. Ambas as famílias possuem a mesma origem italiana. As mudanças de grafias são comuns ao longo dos séculos e não seria surpreendente se, no passado, um “N” tenha sido suprimido, ao passo que o “S” foi trocado pelo “C”.

Fato é que a carreira esportiva de Ayrton Cena é bem mais modesta que a do seu xará. O goleiro começou no Huracán de Córdoba e rodou por outros clubes, incluindo Chacarita Juniors, All Boys, Belgrano, Alumni de Villa María e Almirante Brown de Malagueño. O Racing de Córdoba, entretanto, garantiu sua visibilidade por motivos pitorescos. Tentará honrar a repercussão que superou as fronteiras.

Frequente na elite do Campeonato Argentino em oito temporadas durante a década de 1980, o Racing de Córdoba chegou a ser vice-campeão nacional no ano de 1980. Treinada pelo iniciante Alfio Basile, a equipe eliminou o Independiente e sucumbiu apenas na decisão contra o Rosario Central. O presente é bem mais modesto e o clube milita no equivalente à quarta divisão. Ayrton Cena precisará de muito braço se quiser levar os cordobeses de volta à relevância.