Um amistoso (quase) com a relevância de uma partida oficial. Não só na teoria, que muitas vezes tenta promover alguma importância, mas pelo que se esperava para o confronto entre Argentina e Espanha, no estádio Vicente Calderón: a equipe branca e azul tinha a obrigação de apagar uma classificação sofrida, mostrar que a qualidade individual de seus jogadores ainda a diferencia e que Messi pode sim, conduzir a seleção de Diego Maradona ao título na África em 2010.

Embora muita gente esperasse uma surpresa, a poucos meses do Mundial, a Argentina não tem “cara”, não tem tática e durante a partida do último sábado, em muitos momentos esteve envolvida pelo toque de bola do meio campo da Fúria. Restou a Coloccini fazer o que podia lá atrás -muitas vezes de maneira dura demais- enquanto Maxi Rodriguez e Higuaín tentavam qualquer coisa no ataque, em uma partida ora lenta, ora com lampejos da conhecida garra albiceleste.

Além do conflito com Bilardo, um dos maiores erros de Maradona em um ano de comando, foi não dar nenhuma continuidade ao trabalho de Basile. Com o mínimo de organização em campo, Diego poderia dar sua motivação “mística” ao elenco, que entraria em campo com a responsabilidade de atuar para e por ele.

Sem organização, nem mesmo espantar a melancolia Diego consegue e a Argentina é um time sem coração. O time sente a falta de um goleador que não é, e provavelmente não será, nem Dí Maria nem Higuaín e Carlitos Tevez até fala em se aposentar, aos 25 anos.

Sob discussão e expectativa também esteve a atuação de Messi “em casa”. Na Espanha, A pulguita teria a chance de amenizar as críticas quando veste a camisa de seu país. Com uma conversa a sós com Maradona, a palavra de “Dios” tocaria a maior estrela argentina. Não foi o que aconteceu.

Messi mais uma vez não apareceu, a não ser na cobrança de pênalti que tirou o zero do placar visitante. O que não o faz render? São duas as teorias: um pouco da anarquia tática da seleção, onde não existe um esquema que possa o apoiar, um pouco de carência por estar sempre em segundo plano, atrás de uma das maiores estrelas midiáticas do planeta.

Pelo lado positivo, ainda se pode acreditar que a Argentina pode chegar à África do Sul com a leveza de uma seleção desacreditada. Sem pressão, pode surpreender e tem potencial para isso. “A Argentina vai incomodar no Mundial da África do Sul”, declarou Maradona. Se ele estiver por lá…

Boca Fora

Palermo reclama, Coco é pressionado, os desfalques por lesão só crescem, entre eles Riquelme, fora desde a partida contra o Chacarita, e o time não voltou a ganhar.

As estatísticas fazem retomar a discussão sobre a dependência do time em relação à Riquelme. Com ele, o Boca Juniors conquistou 59% dos pontos disputados, sem ele, apenas 25%.

Insúa assumiu parte da responsabilidade e afirmou que as cinco rodadas restantes serão como cinco finais. Quer manter a esperança, apesar da diretoria já pensar em reforços para 2010 e Basile afirmar que terá longas conversas com Bianchi.

Místico, imbatível em La Bombonera, terror dos times brasileiros. A Libertadores sem os xeneizes perderá certa graça.

Agonizante

Claudio Vivas conquistou sua primeira vitória no comando do Racing, em sua estréia em Avellaneda. O adversário, o Estudiantes, que já pensa no Mundial Interclubes.

O treinador destacou a melhora de postura do time, que se mostrou mais equilibrado no 3-4-1-2 proposto pelo ex-escudeiro de Bielsa. Porém, Vivas ainda quer seu ataque avançando sem medo, já que a defesa foi bem ao conseguiu segurar Verón e cia.

O Racing está em 18º na tabela de promedios (média de pontos por partida nas últimas três temporadas), à frente apenas de Atletico Tucumán e Chacarita que estão com uma média inferior a um ponto.