O último veio da África. Ao vencer por 2 a 0 o Orlando Pirates no Cairo, o Al Ahly se tornou o oitavo classificado para o Mundial de Clubes de 2013. Com isso, os africanos conhecem seus dois representantes no torneio que sediarão pela primeira vez. No entanto, jogar em casa – ou perto dela – não assegura favoritismo aos egípcios ou aos marroquinos do Raja Casablanca.

O Al Ahly vai encarar o Guangzhou Evergrande, campeão da Liga dos Campeões da Ásia e tricampeão chinês. O time é comandado pelo experiente Marcelo Lippi fora de campo e por Darío Conca dentro. O Guangzhou ainda tem os brasileiros Muriqui, que acaba de se sagrar o maior artilheiro de uma única edição da AFC Champions League, com 13 gols, e Elkesson, artilheiro da Super League com 24 gols em sua temporada de estreia na China.

A força do campeão asiático não é apenas estrangeira. O atacante Gao Lin e o volante Zheng Zhi, que atuou no futebol inglês e no Celtic, são destaques da seleção chinesa e têm um papel importante no sistema de jogo de Lippi.

Esse pacote deixa o Guangzhou como favorito no duelo contra o Al Ahly, mas os egípcios também contam com seus trunfos. O primeiro é o entrosamento. Dos onze titulares, sete atuam juntos no clube há pelo menos quatro anos. Outro fator é a força da torcida, que devem acompanhar o time no Marrocos.

O último ponto favorável é o retorno de Mohamed Aboutrika. O craque do Al Ahly, mesmo com 35 anos, é um dos melhores jogadores da África na atualidade e deu novo ânimo ao time com seu retorno após alguns meses emprestado ao Baniyas, dos Emirados Árabes. O meia muda completamente a forma de jogar e o espírito de luta do time. Prova disso é a superioridade dos Diabos Vermelhos no jogo de volta da final da Champions League africana: vitória por 2 a 0 com gol e grande atuação de Aboutrika, que na comemoração, homenageou os “72 mártires” (referência aos mortos na briga com torcedores do Al Masry em Port Said em 2012).

Na outra chave do Mundial, a do Atlético Mineiro, o Raja Casablanca é amplo favorito contra o Auckland City na primeira rodada. O problema é na etapa seguinte, onde estará o Monterrey. Com Suazo, Nery Cardozo, Madrigal, Arellano, Delgado, Meza, Zavala, Lucas Silva e Orozco, a equipe mexicana é muito superior e mais experiente que a marroquina, ainda mais por disputar o terceiro Mundial seguido.

No entanto, nem tudo é boa notícia para os atuais tricampeões da Concacaf. Após o primeiro semestre excelente, com título da Concachampions, o Monterrey caiu muito de produção. O clube foi apenas o 11º colocado do Apertura Mexicano, com cinco vitórias, cinco empates e sete derrotas em 17 jogos. O ataque matador e o bom meio-campo não funcionaram tão bem, e o time anotou apenas 22 gols. A defesa segura também caiu de rendimento, sofrendo 23 tentos. Para o Mundial, o cenário é ainda pior, pois Mier, um dos pilares da retaguarda mexicana, se contundiu e está fora do torneio.

Enquanto isso, o Raja tem apenas uma derrota em oito jogos e quatro vitórias seguidas, é o vice-líder do Campeonato Marroquino, com 15 pontos, três atrás do Moghreb Tétouan. No papel, o principal trunfo é Déo Kanda atacante que atua pelos lados do campo e tem experiência com surpresas. O congolês jogava no Mazembe que eliminou o Internacional na semifinal do Mundial de Clubes de 2010 e perdeu para a Internazionale na decisão. O problema é que, fora o histórico de Kanda e o apoio da torcida (tida como a mais fanática do Marrocos), o Raja não tem um time tão forte quanto o Monterrey.

Por isso, os dois representantes africanos entram como azarões no primeiro Mundial de Clubes sediado no continente. Mas uma surpresa não seria uma zebra tão grande assim.