A Supercopa não é o torneio mais valorizado, nem é uma taça que vai ser lembrada por muitos anos. É um jogo que quase serve de pré-temporada. Exceto quando é entre Barcelona e Real Madrid. Aí, o jogo vale muito. E valeu. No Camp Nou, o Barcelona recebeu o Real Madrid em um jogaço. E foi o Real Madrid que saiu com a vitória, 3 a 1, em um jogo que teve muita coisa: golaços, pênaltis, expulsões e uma vitória do visitante.

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A escalação do Barcelona foi muito parecida com o que se via na temporada passada. Jogou com Deulofeu na vaga que costumava ser de Neymar. O Real Madrid não começou com Cristiano Ronaldo, que ainda faz uma preparação melhor e começou no banco. Isco foi meia, Gareth Bale e Karim Benzema foram os atacantes. Modric, suspenso, deu lugar a Kovacic.

O primeiro tempo acabou não sendo grande coisa. Os dois times ainda pareciam sentir um pouco a pré-temporada. Só que o segundo tempo foi totalmente diferente. Os dois times tiveram uma postura mais agressiva, até porque a situação do jogo mudou completamente logo no início da etapa final.

Marcelo desceu pela esquerda, cruzou e Piqué tentou cortar e marcou gol contra: 1 a 0 para o Real Madrid, logo aos cinco minutos. Aos 13 minutos de partida, Cristiano Ronaldo foi chamado a campo e substituiu Karim Benzema. No Barcelona, Saíram Deulofeu e Iniesta, entraram Denis Suárez e Sergi Roberto. O Real Madrid também colocou depois Asensio no lugar de Kovacic.

O Barcelona tinha muitas dificuldades em articular jogadas, mas, claro, como é normal em um time que tem Messi e Suárez, procurava seus craques para tentar resolver. Em um lance com Suárez, que deu um toque para tirar de Navas e saltou. O árbitro marcou o pênalti, para muita reclamação dos merengues. Lionel Messi, que não tinha nada com isso, cobrou com categoria e empatou o jogo.

O Real Madrid ainda chegaria ao empate, mas o gol foi anulado corretamente por impedimento de Cristiano Ronaldo, que estava de fato à frente. A empolgação contagiou o Barcelona, que acelerou o jogo. Teve, em dois ataques, chances para virar o jogo. Só que o contra-ataque armado pelo Real Madrid de Zinedine Zidane foi fatal.

Aos 34 minutos do segundo tempo, em uma saída rápida, o Real Madrid conseguiu o segundo gol. Isco pegou a bola no centro do campo e abriu em velocidade para Cristiano Ronaldo. O camisa 7 ficou no mano a mano com Piqué, puxou para o lado, tirando do zagueiro, e finalizou com precisão, no ângulo: golaço e 2 a 1 para o Real Madrid. Na comemoração, o português tirou a camisa, mostrando o físico e tomando cartão amarelo.

Dois minutos depois, Ronaldo foi lançado em velocidade, recebeu à frente do Umtiti e cai. O árbitro não marcou o pênalti – que de fato não aconteceu -, mas dá amarelo ao português como simulação, um completo exagero. O  camisa 7 ficou inconformado e empurrou o árbitro. Já estava expulso.

O Barcelona, claro, foi para cima. E foi também por isso que o Real Madrid teve espaço para mais uma espetada. Aos 45 minutos, mais um contra-ataque, com um erro de passe de Luis Suárez, Lucas Vazquez arrancou com a bola e abriu na esquerda para Asensio. O meia, com categoria, chutou no ângulo do goleiro Ter Stegen, no próprio canto do goleiro. Sem chance de defesa e 3 a 1 no placar.

O Real Madrid de Zidane está mais pronto, joga mais coletivamente e explorou os problemas do Barcelona. Piqué teve uma noite infeliz, errando bastante. O técnico do Barcelona, Ernesto Valverde, olhou para o banco e não viu grandes opções. O elenco é inferior ao do Real Madrid, que viu seus jogadores que saíram do banco decidirem o jogo com dois contra-ataques fortíssimos.

O jogo de volta será na quarta-feira, no estádio Santiago Bernabéu. O Barcelona precisará de três gols de diferença para ficar com a taça. Isso nem é o mais importante. A questão, para o Barça, é que o time claramente está abaixo do rival, que brigará pelos mesmos títulos. A pressão por novas contratações será mais forte ainda, especialmente para um jogador que venha para o lugar de Neymar, no ataque. Mas há poucas opções também no meio-campo, razão pela qual o time já queria Paulinho antes mesmo da saída de Neymar. Só que diante da situação, a contratação do volante da seleção brasileira será muito pouco. O torcedor vai querer mais.

Enquanto isso, o Real Madrid dá uma sólida demonstração de força, de um time mais bem montado e que, mais uma vez, terá ambição de ganhar todos os títulos possíveis. Com o elenco que tem – e que até pode ganhar mais nomes, já que sabemos que o Real Madrid adora uma contratação cara para fazer barulho -, o time de Madri tem tudo para largar como favorito em todas as frentes.