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O Campeonato Italiano volta neste sábado, dia 20, e veremos uma reta final de temporada com várias histórias para se acompanhar. A Trivela, então, lista algumas delas para você acompanhar tudo que vem pela frente. Do topo da tabela até a rabeira, temos muita disputadas ainda abertas para serem definidas.

A Lazio conseguirá manter o ataque ao título contra a Juventus?

A grande história da temporada na Itália é a Lazio. O time de Simone Inzaghi é um dos melhores do país e vinha muito embalado antes da paralisação. Conta com um artilheiro afiado, Ciro Immobile, e um time coletivamente muito consistente no seu esquema 3-5-2. O time tem Luis Alberto e Sergej Milikovic-Savic, dois meio-campistas que tornam o time muito perigoso. A última vez que a Lazio perdeu pela Serie A foi em setembro, na quinta rodada. O time ainda vem de quatro vitórias seguidas. Embalada e sonhando pelo título que não vem desde a temporada 1999/2000.

A Juventus é a líder, segue favorita ao título, com um ponto à frente, mas o ritmo da Lazio é forte e o momento do time é de baixa. As atuações contra o Milan, na semifinal da Copa da Itália, e contra o Napoli, na final, não convenceram. Mais do que isso: contra o Napoli, o time foi pior em campo e só não perdeu no tempo normal por causa do goleiro, Gianluigi Buffon.

Com todos os problemas, a Juventus ainda é um elenco forte, tem jogadores de alta qualidade e um time que á acostumado a vencer. O momento, porém, é da Lazio, que terá o desafio de tentar retomar o ritmo de antes da quarentena. A diferença de um ponto torna a disputa muito interessante.

A disputa pela artilharia: Immobile x Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo, da Juventus (Getty Images)

Cristiano Ronaldo está acostumado a ser artilheiro. Foi artilheiro de algum torneio por 19 vezes, sendo uma vez da Premier League, três vezes de La Liga, sete vezes da Champions League. É um jogador de números absurdos, mas a artilharia da Serie A ele ainda não conseguiu. Na sua primeira temporada, foram 31 jogos e 21 gols – foi poupado de alguns jogos, o que prejudicou a disputa e ficou atrás de Fabio Quagliarella (26) e Duván Zapata (23). Nesta temporada, tem os mesmos 21 gols, mas em 22 jogos.

Desta vez, a disputa é com Ciro Immobile, que está em uma fase fantástica. Ele também tem um histórico de artilheiro. Conquistou o prêmio na Serie B, duas vezes na Serie A e uma vez na Liga Europa. Nesta temporada, são 26 jogos na Serie A e 27 gols. Sim, mais gols do que jogo. Mantendo o ritmo, poderá não só ser artilheiro, mas levar a Lazio ao título.

Durante a temporada, Immobile conseguiu marcar em nove jogos consecutivos. Cristiano Ronaldo marcou em 11 jogos consecutivos que esteve em campo. Uma marca impressionante. A briga pela artilharia pode estar totalmente ligada à disputa do título.

O que a Inter é capaz de fazer?

Eriksen, da Internazionale (Getty Images)

A chegada de Antonio Conte e alguns bons reforços tornou a Inter uma concorrente ao título, mas o desempenho irregular dos nerazzurri afastou o time da disputa do título. O time já fez jogos bons na temporada, mas peca justamente nos jogos maiores. No último jogo antes da paralisação pela pandemia do coronavírus, fez um jogo horroroso contra a Juventus, em Turim, sendo facilmente derrotado. Com tudo isso, o time é o terceiro colocado na Serie A e parece em uma ilha.

Teoricamente, ainda pode brigar pelo título, a nove pontos da líder Juventus e a oito do vice-líder, Lazio. Na prática, com 12 jogos a serem disputados, o time não mostrou ser capaz de acompanhar o ritmo forte dos rivais. Por outro lado, a Inter não é ameaçada pelos times que vem abaixo. A Atalanta, quarta colocada, tem seis pontos a menos, a Roma tem nove e o Napoli está a 15. A vaga na Champions, portanto, está segura, a não ser que o time tenha uma queda vertiginosa.

A chegada de Eriksson foi um reforço em janeiro, mas não conseguiu se encaixar no time antes da paralisação. Lautaro Martínez, um dos principais jogadores do time, rendeu pouco no jogo da Copa da Itália, em meio a diversas especulações sobre o interesse do Barcelona. O time de Conte tem sentido muita dificuldade em dominar os adversários e resolver os jogos. Foi assim contra o Napoli, na semifinal da Copa da Itália. Precisará fazer mais. É suficiente para vencer a maioria dos jogos, contra times mais fracos.

A briga por Champions League entre Atalanta, Roma e Napoli

Jogadores da Atalanta comemoram (Getty Images)

Uma das brigas que mais promete é pela última vaga na Champions League. Com o título entre Juventus e Lazio e a Inter já bem à frente, três times brigam pela quarta vaga: a Atalanta, favorita, sensação na Europa, e que ocupa a posição no momento, com 48 pontos; a Roma, quinta colocada, com 45; e o Napoli, sexto, com 39.

A missão do Napoli é dificílima, já que a Atalanta vem bem na Serie A – e na Europa –, é o melhor ataque da Serie A com 70 gols, 20 a mais do que a líder Juventus e 10 a mais que a segunda colocada Lazio. Tem alguns jogadores em uma fase brilhante, como Ilicic, que faz a temporada da sua vida. Tem ainda Alejandro Gómez, capitão do time, que também faz uma temporada notável.

A Roma é instável, mas tem um time tem potencial. Edin Dzeko é um dos líderes técnicos do time e mesmo que não esteja nas suas temporadas mias goleadoras, ainda é capaz de ser decisivo. Com 12 gols e quatro assistências, é o principal jogador do time na Serie A. Mas tem também Lorenzo Pellegrini, que tem se tornando também um líder do time. Aos 24 anos, ele é visto como um futuro capitão do time. Além deles, Nicolò Zaniolo, um dos principais talentos do futebol italiano, que sofreu uma lesão, mas com a paralisação, poderá voltar a jogar.

O Napoli vem empolgado pelo título da Copa da Itália e com um time cada vez mais com características do técnico Gennaro Gattuso. Como falamos aqui há alguns meses, antes da quarentena, o Napoli dava sinais de vida, o que poderia ser ótimo para o clube e para o técnico. A conquista do título sobre a Juventus foi muito importante em vários aspectos. Não só por ser o primeiro título desde 2014, mas também por ter sido melhor que a líder. Com um futebol mais consistente, precisará fazer com que se reflita em resultados para tirar a enorme diferença de pontos. Há bons indicativos disso. Mesmo assim, os Partenopei precisam escalar uma montanha para terminarem a temporada entre os quatro primeiros.

O Milan consegue ir além da mediocridade?

Hakan Çalhanoglu comemora seu gol pelo Milan (Getty Images)

O Milan, ah, o Milan… Se fosse um meme, seria aquele de “começo de um sonho/deu tudo errado”. No começo da temporada, Marco Giampaolo chegou com o trabalho excelente na Sampdoria para referendá-lo. Só que deu tudo errado. O técnico não conseguiu tornar o Milan e acabou demitido. Veio Stefano Pioli e veio também Zlatan Ibrahimovic, mas o romance pareceu durar pouco. Lesionado, o sueco talvez nem jogue mais.

O time tem 36 pontos, 12 pontos atrás da Atalanta, o que parece longe demais para sonhar com uma vaga na Champions. É possível sonhar com a Liga Europa, mas será preciso ser melhor que o Napoli, ao menos. O time tem poucos destaques. Ismael Bennacer talvez seja a melhor notícia, muito bem no meio-campo. Theo Hernández tem sido uma arma importante pela lateral esquerda. Alessio Romagnoli é um pilar defensivo importante. No mais, o time varia. Ibrahimovic chegou com desempenho alto, mas sem ele, o time perde demais.

Por tudo isso, será importante vermos o que o Milan conseguirá fazer para sair da sua mediocridade de meio de tabela que mostrou até aqui. O time precisará mostrar mais do que fez até agora, que foi pouco.

A briga contra o rebaixamento

Balotelli, do Brescia (Getty Images)

A parte de baixo da tabela promete uma boa briga. O Brescia é o lanterna, com 16 pontos, e é o grande candidato a ficar afundado no fundo da tabela. A Spal é a 19ª colocada, com 18 pontos. São os dois times mais afundados na lama do rebaixamento.

Depois, completando a zona do descenso, está o Lecce, com 25 pontos, mesma pontuação do Genoa, primeiro time fora dali. A Sampdoria, de Claudio Ranieri, tem 26 pontos. Torino, com 27 pontos, e Udinese, com 28, estão mais distantes.

O caso mais preocupante é o Brescia, não só pela posição na tabela, mas porque o futebol do time simplesmente é fraco demais. O problema com Mario Balotelli, que deve fazer com que o jogador sequer entre mais em campo pelo time da Lombardia, deve complicar ainda mais as coisas. Sandro Tonali, principal talento do time, tem só 20 anos e não parece pronto para liderar o time em uma campanha milagrosa para sair da zona da degola.

A Spal, por sua vez, tem um jogador que vem brilhando e que já se sabe que não ficará por lá na próxima temporada: Andrea Petagna, que voltará ao Napoli, clube com quem tem vínculo. Com 11 gols, o atacante é o principal nome e esperança para tentar sair dali. O Lecce tem Riccardo Saponara, meia que tem sido o destaque do time na temporada, além do goleiro brasileiro Gabriel. No jogo antes da parada, o time tomou 7 a 2 para a Atalanta.

No Genao, Lasse Schöne chegou para ser destaque, mas tem sido um jogador apenas razoável. Mattia Perin, goleiro que veio da Juventus, é destaque, assim como Cristian Romero na defesa. Domenico Criscito é um destaque na lateral esquerda. Há nomes promissores como Christian Kouamé, atacante de 22 anos, marfinense, e que tem mostrado que pode ser importante. Tem também Andrea Pinamonti, emprestado pela Inter, que também mostra potencial. A pior fase do time parece já ter passado e, por isso, tem plenas condições de permanecer na Serie A.

O mesmo vale para a Sampdoria. O time do artilheiro da temporada passada, o veterano Fabio Quagliarella, tem rendido pouco. O meia Gastón Ramírez tem sido o nome mais importante do time, com boas atuações sempre que esteve em campo. Manolo Gabbiadini tem sido outro a jogar com frequência e, embora as atuações não sejam ruins, tem faltado gols. Foram só seis até aqui. Aliás, faltam gols ao time, porque mesmo Quagliarella só tem nove.

O time consegue resultados que parecem suficientes para escapar da ameaça de rebaixamento. Isso, ao menos, se não entrar em sequências de derrotas como aconteceu no final de setembro e começo de outubro e depois em dezembro. O time tem tudo para não cair. Resta saber se o técnico Ranieri conseguirá tirar mais do time.

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