O Brasileirão 2019 começou com quatro clubes muito cotados para serem os campeões. Entre eles, o atual campeão Palmeiras, o reforçado Flamengo, o badalado Grêmio e o campeão da Copa do Brasil, Cruzeiro. Passadas cinco rodadas, com mais alguns jogos servindo de amostra, o que aconteceu com estes quatro candidatos?

Segundo a Betway Futebol, o quarteto ocupava as primeiras colocações nas cotações de apostas antes do início do campeonato. A força dos elencos e o retrospecto recente referendavam os números. No entanto, o começo da Série A deixa claro como a realidade não reflete necessariamente os prognósticos, em uma competição tão equilibrada. O Palmeiras é o único que segue fazendo jus à sua posição.

Palmeiras

Bruno Henrique, do Palmeiras (Foto: Palmeiras)

Antes de começar o Brasileiro, o Palmeiras já era cotado como uma clara força do futebol nacional. Passadas cinco rodadas, é o líder e confirma as expectativas – com direito a um impiedoso 4 a 0 diante do Santos no quinto compromisso. Com um elenco muito forte e um técnico de peso, Luiz Felipe Scolari, os palestrinos tendem a manter um ritmo forte na campanha.

O alviverde é um dos poucos que pode lidar bem mesmo com os imprevistos – como, por exemplo, as lesões de Ricardo Goulart e Gustavo Scarpa, dois titulares. Zé Rafael entrou no lugar do primeiro e se adaptou bem ao time, com Dudu sendo deslocado de posição. Além do mais, há vários candidatos à outra vaga no 11 inicial. Raphael Veiga tem sido usado, embora não corresponda plenamente, mas é um bom nome. Ainda há Moisés e Lucas Lima, outros mais tarimbados. Um elenco montado com investimento total de R$ 91,3 milhões, segundo o blog da Betway.

O grande trunfo do Palmeiras é a defesa. É um dos times que mais mostra segurança, não só pelos nomes, mas pelo sistema, um mérito do treinador. Gustavo Gómez e Luan são essenciais, em uma equipe trabalha bem atrás e sofre pouco. Antes o Campeonato Brasileiro, eram apenas sete gols sofridos, como informa a Betway. No Brasileirão, em cinco jogos, só um gol sofrido. É verdade que os palmeirenses encontram dificuldades para buscar viradas no placar, mas tomar gols não é uma constante para este grupo. Tanto que são 28 jogos de invencibilidade, se contarmos os jogos de Campeonato Brasileiro desde que Felipão assumiu. Um diferencial que deve manter a cotação alta até o final da temporada.

Flamengo

Bruno Henrique, do Flamengo (Foto: Getty Images)

A fome do Flamengo por grandes títulos é enorme. Depois de um 2018 decepcionante em todas as competições, um dos problemas identificados era a falta de atitude. Por isso, Abel Braga, um notório gestor de grupos, foi contratado. O título do Campeonato Carioca chegou, mas não pareceu satisfazer a torcida, até pela exigência de um time que jogue melhor – em parte, o que Palmeiras também é cobrado. E essa exigência tende a aumentar no Campeonato Brasileiro, onde o elenco do Fla, tão badalado, precisa dar respostas.

Na Libertadores, houve um pouco de sufoco, mas no último jogo da fase de grupos o Flamengo mostrou personalidade e maturidade para lidar com uma situação difícil. No Brasileiro, são duas vitórias, um empate e duas derrotas, o que significa uma distância de seis pontos para os líderes. Há muito espaço para melhorar, porque o Flamengo tem um bom elenco e opções no banco de reservas que podem ajudá-lo a manter o rendimento alto, mesmo nos momentos de oscilação ou de calendário congestionado. Ao menos, é essa a expectativa, diante de tantos negócios recentes. O problema é o que time não corresponde no início da campanha.

Entre os bons destaques, Bruno Henrique tem mostrado grande capacidade, seja como ponta esquerda, seja como centroavante, onde ele é utilizado eventualmente por Abel. Gabigol é um nome importante e que sabe fazer gols, ainda que não tenha apresentado o seu melhor. Quem tem sido essencial é Éverton Ribeiro. Foi nele que se mexeu quando Georgian De Arrascaeta ganhou a vaga de Diego, fazendo o ex-jogador do Cruzeiro ficar mais centralizado e permitindo ao uruguaio atuar na esquerda – com Bruno Henrique mais à frente e Gabigol na direita. É uma das variações, a um grupo que busca a melhor forma de jogar. O time tem capacidade de fazer muito mais – o principal motivo para que o rubro-negro seja um dos principais candidatos ao título, mesmo com as primeiras oscilações nessas rodadas iniciais – e aí estamos falando da derrota para o Internacional em Porto Alegre e para o Atlético Mineiro em Belo Horizonte.

Grêmio

Éverton comemora o primeiro gol contra o Libertad (Foto: Lucas Uebel / Grêmio)

Um dos times com melhor futebol, ao menos nos últimos dois anos, o Grêmio naturalmente é apontado como uma das forças do Brasileirão. Os primeiros jogos, porém, decepcionaram. Em cinco rodadas, nenhuma vitória, dois empates e três derrotas. Os tropeços contra o Santos e o Fluminense ainda podem ser vistos como jogos que o time jogou bem, mas errou muito defensivamente e acabou derrotado por adversários com propostas de jogo ofensivos. A derrota para o Ceará, em Fortaleza, já não tem essa desculpa, assim como o empate diante do Avaí. Renato Portaluppi, todavia, segue dizendo: o time vai arrancar. Há motivos para acreditar no técnico, apesar do mau momento.

O elenco do Grêmio também é interessante, ainda que não se compare a Palmeiras e Flamengo nesse sentido. Renato encontrou soluções ao longo dos últimos dois anos e precisará achá-las rapidamente mais uma vez se não quiser ficar muito atrás dos líderes neste início. Há uma instabilidade que apareceu neste ano mais do que em temporadas anteriores, o que pode gerar desconfianças. Há problemas na zaga, por exemplo, onde a falta de jogadores preocupa e levou até o treinador a improvisar. Ainda assim, com seus titulares o Grêmio tem uma das melhores defesas do país.

Entre as principais jogadores do time estão Matheus Henrique, meio-campista que surgiu nas categorias de base mostrando muita qualidade e que ganhou a posição de titular. É um dos grandes candidatos a revelação do Brasileiro. Ele, ao lado de Maicon, dá uma ótima saída de bola e controla o jogo, algo importante no estilo de Renato. Everton é o principal nome do elenco e, se não deixar o clube no meio do ano, tem tudo para ser destaque também do Brasileirão. Mesmo nas derrotas, o Cebolinha tem aparecido muito bem. Diego Tardelli foi contratado e ainda não entrou definitivamente no time, mas é outro capaz de brilhar. Apesar do péssimo início, o Grêmio tem força, um trabalho de longo prazo com seu técnico e tem jogadores para atuar melhor e, consequentemente, também se recuperar e passar a ocupar um lugar de maior destaque no Brasileirão.

Cruzeiro

Fred comemora um de seus gols contra o Huracán (Juliana Flister/Getty Images)

Atual bicampeão da Copa do Brasil e com um elenco que segue como um dos principais do Brasil, o Cruzeiro abriu 2019 como um dos times mais cotados para fazer uma grande temporada. Os primeiros meses, com vitórias tranquilas no Campeonato Mineiro e uma campanha segura na Libertadores empolgaram o torcedor. Só que os jogos ruins e derrotas no início do Campeonato  Brasileiro preocupam. Dos cinco jogos, duas vitórias e três derrotas. De favorito no início, o que sobra ao Cruzeiro agora? O potencial do time, que é o que pode levar a equipe mineira de volta ao rumo para brigar mais em cima.

Com o elenco que o Cruzeiro tem, não se espera um rendimento como o da temporada passada, quando ficou apenas no meio da tabela. Até porque a cobrança, que o próprio Mano Menezes admite, é para que o time jogue mais bola. Na Libertadores, nadou de braçada em um grupo fraco, que em tese já é mais forte que o estadual. Mano é um técnico capaz e o Cruzeiro é competitivo, ao menos no mata-mata. Se não abandonar a disputa na Série A, como já vimos acontecer, certamente tem condições para buscar as primeiras posições. Para isso, o time precisa colocar ordem na casa, arrumar a defesa que tem tomado mais gols do que o normal e se armar para aproveitar os ótimos jogadores que possui. Isso sem falar na mentalidade do treinador, agarrada ao pragmatismo.

Fred é decisivo e, mesmo veterano, aos 35 anos, entregará muitos gols se receber chances para isso. E os responsáveis por fornecê-las são Robinho, que segue muito bem; os novos contratados Marquinhos Gabriel e Rodriguinho, que começou voando; e Thiago Neves, um dos mais decisivos. O problema de Neves são as lesões, que têm atormentado o agora camisa 10. Há ainda os pilares do time, com o goleiro Fábio, o zagueiro Dedé e o volante Henrique. São recursos que permitem à Raposa sonhar com mais futebol do que o que se tem visto, e por isso sua cotação do time no início do Brasileirão era alta. Ela, claro, muda rodada a rodada. Considerando os altos investimentos, a pressão e a própria ambição de Mano Menezes, que sabe que será cobrado, o que dá para esperar é que o Cruzeiro encontre alguma forma de melhorar e voltar a engrenar – e assim, estar entre os primeiros colocados, como era cotado.

E os demais?

O fato de surgirem quatro times como favoritos ao título antes do Brasileirão não quer dizer que não haja outros que podem correr por fora e ganhar a disputa. Afinal, já vimos isso acontecer várias vezes e o equilíbrio natural da Série A sempre permite reviravoltas. O que muda, no caso, é que quem apostar em outros clubes no começo do campeonato pode ganhar uma bolada. Afinal, quanto menos cotado, maior o prêmio. Se você acha que outra equipe além das quatro citadas será campeã, bom, vale olhar as cotações e tentar a sorte.