Tudo começou muito bem. José Mourinho parecia mais simpático e menos negativo, o Tottenham estava fazendo muitos gols e vencendo. Não seria assim para sempre. Agora, chegam os primeiros desafios. São apenas três vitórias nos últimos nove jogos, o português começa a ficar mais reclamão e, para piorar a situação, Harry Kane ficará afastado até abril.

Não se sabe exatamente em qual momento de abril, mas a lesão que Kane contraiu contra o Southampton, no dia de Ano Novo, prejudica os objetivos do Tottenham na Premier League e na Champions League. Porque não é que ele é o principal atacante do Tottenham: ele é o único. “Todo mundo sabe a importância de Harry. Eu acho insubstituível. Se você pensa em cada jogador, ele é insubstituível”, disse o treinador, após aquele jogo.

E Mourinho tem razão. Quando começou a temporada, a novidade era que o Tottenham havia aberto a carteira para fazer grandes contratações, depois de dois mercados em branco. Trouxe Giovanni Lo Celso, Tanguy N’Dombélé, Ryan Sessegnon e ficou próximo de Paulo Dybala. No entanto, era necessário o alerta: as opções no elenco como um todo haviam diminuído.

Isso ficou mais claro na lateral direita, com a saída de Kieran Trippier. Com apenas o jovem Kyle-Walker Peters e o irregular Serge Aurier, o Tottenham vem tendo problemas na posição. E, agora, sentirá também a falta de Fernando Llorente, liberado para acertar com o Napoli sem uma reposição. Justamente quem melhor quebrou o galho no comando de ataque quando Kane se machucou na reta final da campanha passada.

Outro jogador para a posição era Vincent Janssen, que foi um desastre no norte de Londres e agora vem fazendo golzinhos com frequência pelo Monterrey, do México. Não que deveria ter ficado. Realmente jogou muito mal nas poucas oportunidades que teve. Mas, saindo junto com Llorente, deixou o ataque do Tottenham descoberto de reposições.

E, agora, Mourinho tem uma tremenda dor de cabeça, embora Kane não faça sua melhor temporada. Fez 11 gols em 20 rodadas da Premier League, uma marca bem boa, mas abaixo das suas melhores. No entanto, é um líder do time, tem muita importância quando sai da área para ajudar na armação e é basicamente o único jogador do elenco com características de área.

O ideal seria buscar alguém no mercado porque um reserva para Harry Kane não é uma necessidade apenas emergencial. O Guardian afirmou que Piatek, do Milan, está na lista de compras. Mas, quando foi contratado, o português sabia que não teria muitos fundos para gastar em janeiro e chegou a dizer que “trabalharia com os jogadores disponíveis e não do mercado” na empreitada para substituir Kane.

Se esse é o caso, o que fazer? Quando apresentado com esse problema, Mauricio Pochettino centralizava Son, com excelentes resultados. Mourinho pode tentar fazer o mesmo com o sul-coreano ou com Lucas Moura, mas seu time tem atuado de uma maneira diferente à do seu predecessor, cujo time focava em troca de passes, pressão alta e muita movimentação.

Com uma ligação mais direta, Son ou Moura ficariam isolados dentro da área e em inferioridade física. Nesse contexto, uma improvisação razoável poderia ser Dele Alli, com mais porte para brigar com os zagueiros.  O garoto Troy Parrott, de apenas 17 anos, pode ganhar mais chances. Até agora, soma apenas 71 minutos em campo, ao longo de dois jogos.

A verdade é que não há opção perfeita, a não ser que alguém seja contratado. Resolver o dilema da lesão de Kane durante os próximos meses torna-se o primeiro grande desafio de Mourinho à frente do Tottenham.