Depois de muita polêmica, o Corinthians finalmente não vai precisar abrir as portas de seu CT para Vitor Júnior. O meia de 28 anos, contratado do Atlético Goianiense como promessa em 2012, jogou apenas sete partidas pelo Alvinegro, somando uma expulsão e 184 minutos em campo. Ele não atua pelo clube do Parque São Jorge desde 15 de abril de 2012, derrota de 2 a 1 para a Ponte Preta, mas tem contrato – e receberá seu salário – até dezembro deste ano.

A situação financeira de Vítor Junior está assegurada até o final do ano. Ele poderia pedir para ser emprestado para outro clube (como ocorreu com Botafogo, Internacional, Figueirense e Coritiba nas últimas três temporadas) e tentar mostrar serviço, já pensando em 2016. Mas ele preferiu uma aventura no Oriente.

 

O meia anunciou que iria à Tailândia defender o Police United. Parecia uma furada. O time de Bangcoc acabou de ser rebaixado para a segunda divisão. É verdade que, no momento, lidera a Segundona, mas o ideal seria uma oportunidade na elite. E essa chance veio.

Dias depois de fechar com o Police United, Vitor Júnior mudou para o Navy. Mas também não parece o pacote mais interessante. A equipe faz uma campanha bem discreta, com 12 pontos em 16 jogos (3v, 3e, 10d), e só está fora da zona de rebaixamento no saldo de gols.

Tecnicamente, o brasileiro está na elite tailandesa, mas em um espaço que olha a segunda divisão com uma proximidade preocupante. Nesse aspecto, uma outra opção que ele tinha parece mais atrante.

Antes de rumar para a Ásia, Vitor Júnior chegou a negar um empréstimo para o Bragantino, então parceiro do Corinthians e atualmente na 11ª posição da Série B, com 16 pontos em 13 jogos, oito atrás da zona de promoção e quatro acima da degola.

O Bragantino não dá pinta que brigará pelo acesso e não conta com um dos melhores elencos da Série B, mas tem jogadores experientes como o goleiro Lauro (ex-Internacional e Ponte Preta), os zagueiros Leandro Silva (ex-Avaí), e Renato Santos (ex-Flamengo), os volantes Sandro Silva (ex-Palmeiras, Botafogo e Vasco) e Leo Gago (ex-Vasco, Grêmio e Palmeiras) e do atacante Lincom, 31, que costuma ser o goleador do time, mas estava machucado.

A tendência é que o time do interior paulista fique no meio da tabela, não tão longe da zona de rebaixamento. Vitor Júnior teria espaço no elenco e possibilidade de continuar no time para 2016 ou chamar a atenção de outra equipe. Financeiramente, ir para a Tailândia ou para Bragança Paulista seria o mesmo, pois o salário é pago pelo Corinthians.

Nesse contexto, a única justificativa para Vitor Júnior resolver ir para a Tailândia é tentar se firmar nas 18 rodadas que faltam e arranjar um clube local na próxima temporada, quando já não estará sob vínculo com o Corinthians e ganhando o salário. É uma possibilidade válida, mas arriscada. Além de ser complicado se destacar num time que briga contra o rebaixamento desde o início da temporada, Vitor Júnior ainda vai morar em Chonburi, cidade de 30 mil habitantes a 90 km da capital Bangcoc, tendo de se adaptar à cultura principalmente, já que não deve ser impossível encontrar restaurantes de comida estrangeira.

Talvez fosse melhor aceitar a proposta do Bragantino, né?

Curtas

– O Navy acumula cinco rebaixamentos à segunda divisão da Tailândia desde a temporada 1996/97. O tempo máximo que o time conseguiu ficar na elite nacional foi em três edições seguidas, entre 2009 e 2011.

– Até o momento, o Navy atraiu total de 22.784 torcedores nos jogos em casa na primeira divisão de 2015, média de 3.254, na 14ª posição no quesito. Houve crescimento de 33,1% no público em relação à segunda divisão de 2014, mas o Navy FC está longe de superar o Buriram United neste pormenor: 161 mil torcedores no total, média de 23.098 por jogo. A média de público da elite tailandesa é de 7.062 pessoas.

– Vitor Júnior deve ter grande auxílio do atacante brasileiro Rodrigo Careca em sua adaptação ao país asiático. O futuro companheiro do atleta começou no Corinthians, passou por vários times do interior paulista e do futebol japonês, se destacando no Shonan Belmare. Após algumas temporadas no futebol árabe, Rodrigo Careca voltou ao Brasil e foi campeão da Copa Paulista 2013 pelo São Bernardo, chamando a atenção do Náutico, que em março contratou o atleta de 31 anos para jogar a Série B. Porém, após apenas sete jogos e dois gols, Careca recebeu proposta do exterior e pediu a rescisão do vínculo, o que o Náutico aceitou.

– Vitor Júnior, revelado na base do Internacional, já teve outras experiências no exterior. O atleta defendeu na carreira Dinamo Zagreb (Croácia), Koper (Eslovênia) e Kawasaki Frontale (Japão), nada comparado às excentricidades da cultura tailandesa.