A Copa do Mundo de 2018, mais uma vez, ofereceu um grande quadro sobre movimentos migratórios ao longo das últimas décadas. A seleção francesa, por si, garante uma aula completa que vai muito além das próprias fronteiras do país. Da mesma maneira, os representantes da África apresentam o outro lado da moeda. E se torna possível ainda aprender sobre outros fluxos em tantas seleções que representam a história e a geopolítica em seus próprios elencos. Eurocopa e Copa Africana de Nações, especificamente, propõem retratos mais densos de migrantes em seus próprios continentes. O que, de maneira um pouco mais sutil, também se percebe nesta Copa da Ásia.

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Sobretudo pelo nível de desenvolvimento da modalidade em muitos países da Ásia, o “pé de obra” asiático não costuma ser tão marcante nas seleções de outros continentes – e a ligação direta com os processos de colonização também é menos intensa. Em compensação, a Copa da Ásia apresenta os detalhes e demonstra como migrantes e/ou descendentes contribuem para o crescimento de suas seleções. Alguns times ascendentes que se classificaram ao torneio em 2019, inclusive, possuem uma política expressa de buscarem atletas que atuam por ligas menores na Europa, na América ou na África. Se o expediente é amplo em federações como a de Marrocos, por exemplo, ele serve de lição e impulsiona novatos como Filipinas, Palestina ou Quirguistão.

Obviamente, não é só o interesse de reforçar os elencos que rege a presença de muitos “estrangeiros” na Copa da Ásia. Há uma consequência direta dos fluxos migratórios “naturais”: de pessoas que buscaram melhores condições de vida em outros países, mas ainda assim se identificam com a cultura de sua terra natal e, por oportunidade ou identificação, optam por suas seleções ancestrais. E em um continente tão marcado por conflitos, é natural que iraquianos, iranianos ou também palestinos tenham nascido em outras nações.

Além do mais, existem ainda movimentos que seguem por vias diferentes, com migrações rumo aos países que disputam a Copa da Ásia. A Austrália é a principal nação “acolhedora” neste sentido, especialmente por se abrir a refugiados. Por outro lado, os contingentes de trabalhadores nos Emirados Árabes e Catar começam a apresentar seus traços nas seleções – em fluxos também ligados ao próprio desenvolvimento do futebol de base nos principais clubes. Tendências que podem se fortalecer dentro de algumas edições da competição continental.

A partir dessas ideias, traçamos um quadro de jogadores nascidos em outros países que atuam na Copa da Ásia. Dividimos em sete partes, dividindo os casos conforme seleções ou regiões. Uma maneira de se aprofundar um pouco mais na realidade ampla que se apresenta através do futebol. Confira:

As Filipinas e a evolução além das fronteiras

A partir das décadas de 1960 e 1970, as Filipinas tiveram grandes fluxos migratórios para fora do país. Mudanças provocadas não apenas por questões políticas, diante da ditadura vigente no país, mas também por questões econômicas. Mulheres, em especial, eram estimuladas a trabalhar em outros países desempenhando serviços domésticos. Atualmente, cerca de 10 milhões de cidadãos filipinos moram no exterior. Além disso, 10% do produto interno bruto vêm de remessas de dinheiro enviadas por imigrantes. E o futebol começou a se aproveitar de maneira sistemática desta parcela da população, quando, a partir da última década, a federação saiu em busca de jogadores com raízes no país.

O caso mais emblemático é o de Phil Younghusband, recordista em jogos e gols pela seleção. Filho de uma imigrante filipina, o atacante nasceu na Inglaterra e e passou pelas categorias de base do Chelsea. Em 2005, a federação filipina foi alertada sobre a promessa graças a um gamer anônimo que o descobriu no Football Manager. Phil Younghusband logo passou a ser convocado ao lado de seu irmão mais velho, James, meio-campista que também foi cria do Chelsea e atuou pelo Wimbledon. Viraram dois pilares da equipe nacional, além de exemplos claros da política da federação, que mergulhou profundo nas águas da internet para encontrar possíveis convocáveis – incluindo aí casos descobertos através do Facebook. Paul Mulders, um destes, nasceu na Holanda e foi encontrado pela federação filipina depois que amigos criaram a ele uma fanpage na rede social, ao se transferir para o ADO Den Haag.

Colonizador das Filipinas, a Espanha se tornou um importante “centro de formação” à seleção. Lá nasceu o zagueiro Álvaro Silva, por exemplo. Neto de uma filipina, começou a carreira nas categorias de base do Málaga. Também nasceram na Espanha o atacante Javier Patiño e o lateral Carli de Murga. O fluxo migratório para o Reino Unido, mais ligado a oportunidades de emprego, também é bastante palpável no elenco convocado à Copa da Ásia. Além dos irmãos Younghusband, também estão presentes Adam Reed, Curt Dizon e Luke Woodland – este, nascido em Abu Dhabi, mas filho de pai inglês com mãe filipina. Mudou-se ainda na infância para a Inglaterra e atuou por anos nas categorias de base do Bolton, no qual se profissionalizou.

Ainda assim, o grupo mais evidente é o de descendente de filipinos que nasceram na Europa Central – sobretudo filhos de mães asiáticas que migraram em busca de melhores condições econômicas. Nada menos que dez jogadores nasceram na Alemanha ou em países vizinhos – são seis alemães, além de dois dinamarqueses, um austríaco e um holandês. Um caso especial é o do lateral Stephan Palla, que nasceu na Áustria, mas húngaro por parte de pai. Inclusive, o defensor jogou nas seleções de base austríacas – poderia ser este também o destino de David Alaba, outro filho de mãe filipina que vingou no futebol.

Outros movimentos rumo a países um pouco menos estabelecidos no futebol também se fazem presente no time de Filipinas. Iain Ramsey é filho de um escocês com uma filipina, mas nasceu na Austrália e por lá deslanchou como jogador. Principal destino dos migrantes filipinos, os Estados Unidos é o país-natal de Miguel Tanton. Já Daisuke Sato nasceu nas Filipinas, mas se mudou ao Japão na juventude, nação de seu pai.

O mais interessante das Filipinas é que esse grande número de forasteiros não beneficiam apenas a seleção. Dos 23 convocados, 13 deles atuam em clubes locais e 11 deles são nascidos fora do país. Enquanto os irmãos Younghusband jogam pelo Davao Águilas, todos os outros representam o Ceres-Negros, atual bicampeão nacional. O auxílio vai muito além da Copa da Ásia e, em breve, também pode repercutir nas outras competições asiáticas.

Em menor escala, os outros países do sudeste asiático na Copa da Ásia também possuem os seus “estrangeiros”, sem transformar a prática em política interna. Goleiro da equipe, Đặng Văn Lâm é filho de pai vietnamita e mãe russa. Nascido em Moscou, passou pelas categorias de base de grandes clubes locais, antes de migrar para a Ásia. Já na Tailândia, Mika Chunuonsee é filho de um tailandês, mas nascido em Gales. Jogou profissionalmente em clubes locais, antes de se mudar ao Extremo Oriente. Tristan Do, por sua vez, nasceu em Paris, filho de um vietnamita que cresceu na Tailândia. Entre as diferentes possibilidades, o lateral revelado pelo Lorient escolheu a seleção tailandesa.

Palestina e a diáspora

A diáspora do povo palestino teve sua primeira grande onda a partir do Século XIX, quase sempre ligada a disputas na região. Além disso, se intensificou em outros períodos históricos, como a Primeira Guerra Mundial e a Segunda Guerra Mundial. Além de se estabelecerem em países vizinhos do Oriente Médio, os palestinos também migraram em massa para a América do Sul, sobretudo ao Chile. A fundação do Palestino é o símbolo máximo da comunidade que abraçou o futebol como uma maneira de se afirmar no novo continente. E, em contrapartida, o retorno acontece nos últimos anos. Os Leões de Canaã se classificaram às duas últimas edições da Copa da Ásia. Recrutar filhos e netos de refugiados foi uma prática comum desde os primeiros anos da seleção, mas atualmente representa um aumento de competitividade.

O elenco atual da Palestina possui 13 jogadores que não nasceram na Faixa de Gaza ou na Cisjordânia. Cinco deles vieram da América do Sul, incluindo três em atividade no continente. Daniel Mustafa é argentino. Jonathan Cantillana, Pablo Tamburini, Yashir Islame e Alexis Norambuena são chilenos – os dois primeiros com passagens pelo Palestino. Islame, especificamente, começou no Colo-Colo e fez parte das seleções de base, participando da preparação chilena à Copa do Mundo de 2010. Porém, neto de palestinos, se transferiu ao futebol da terra ancestral em 2016 e logo ganhou o convite para defender a seleção local nas Eliminatórias. Virou um dos destaques recentes, vestindo a camisa 11. O grupo ainda inclui atletas nascidos na antiga Iugoslávia e nos Estados Unidos.

Há também seis jogadores palestinos nascidos no território de Israel. Alguns deles, inclusive, iniciaram suas carreiras em clubes israelenses ou seguem atuando no país vizinho. O meia Shadi Shaban nasceu em Acre e se profissionalizou no Maccabi Haifa, um dos maiores clubes de Israel. Inclusive, atuou nas seleções israelenses de base. Em 2016, além de passar pelo futebol palestino, esteve um período emprestado no Chile e se transformou no primeiro atleta nascido no Oriente Médio a vestir a camisa do Palestino. Na mesma época, recebeu o convite da seleção palestina e ganhou suas primeiras convocações.

Os reflexos das guerras: Iraque, Irã, Líbano

Em outros países do Oriente Médio que atravessaram guerras ao longo das últimas décadas, o expediente de contar com filhos de imigrantes é comum, embora de uma maneira não tão sistematizada quanto a da seleção palestina. Ainda assim, eles compõem um contingente notável em Iraque, Irã e Líbano – algo que, em alguns anos, poderá ser mais sentido na Síria ou no Iêmen. E os países da Escandinávia, destino comum desses refugiados a partir da década de 1970, possuem diversos representantes na Copa da Ásia de 2019.

Saman Ghoddos nasceu em Malmö e chegou mesmo a atuar em amistosos pela seleção da Suécia. No entanto, mudou de ideia após receber o chamado de Carlos Queiroz e hoje é uma das esperanças do Irã. É companheiro de Ashkan Dejagah, que nasceu em Teerã e se mudou a Berlim com um ano de idade. O veterano fez parte das seleções de base da Alemanha, inclusive conquistando o Europeu Sub-21 com a futura espinha dorsal do Nationalelf na Copa de 2014. Todavia, optou pelo Team Melli no nível principal.

O Iraque conta com o Frans Putros, nascido na Dinamarca, além de outros dois jogadores que se mudaram para o território sueco na infância. Por sua vez, Rebin Sulaka possui origem assíria (grupo étnico de língua aramaica e religião majoritariamente cristã) e nasceu em uma cidade na porção iraquiana do Curdistão. Chegou a atuar pelo Dalkurd e pelo Syrianska,  clubes do Campeonato Sueco ligados às duas comunidades. Já o meio-campista Osama Rashid cresceu na Holanda e defendeu as seleções de base da Oranje, até optar pelos Leões da Mesopotâmia em 2011.

Já no elenco do Líbano, as origens são mais diversas. Os irmãos Alexander e Felix Michel nasceram na Suécia, também com raízes assíria, formados pelo Syrianska. Adnan Haidar é norueguês e Bassel Jadi, dinamarquês. Há ainda o búlgaro Samir Ayass, bem como os alemães Joan Oumari e Hilal El-Helwe. E foram chamados dos jogadores nascidos na África ocidental. A região da costa do Atlântico possui comunidades libanesas notáveis, formadas a partir do Século XIX, em fluxos concomitantes aos que vieram ao Brasil. Fazem parte deste grupo o meio-campista Nader Matar (Costa do Marfim) e o goleiro Mehdi Khalil (Serra Leoa).

As migrações a partir do futebol em Catar e Emirados Árabes

Emirados Árabes Unidos e Catar são dois países com grande número de migrantes provenientes de outros países asiáticos, sobretudo trabalhadores braçais – o que envolve uma série de questões sobre direitos humanos, diga-se. No entanto, há também um movimento migratório provocado pelo futebol. O fortalecimento das ligas locais, despejando dinheiro, provocou um aumento substancial no número de jogadores estrangeiros. E não são apenas aqueles já badalados que desembarcam em novas terras. Há muitas promessas de países vizinhos que se desenvolvem nos clubes e acabam adotando as seleções locais.

Ausente nesta Copa da Ásia por lesão, Omar Abdulrahman é o principal exemplo. O meia é de uma família hadramita, um povo originário no atual Iêmen que se estabeleceu em diferentes partes da Ásia e da África. Mesmo nascido em Riade, capital da Arábia Saudita, ele não tinha cidadania saudita por conta de suas origens. O prodígio iniciou sua carreira no Al Hilal e, com seu talento chamando atenção, recebeu a proposta para ganhar a cidadania saudita. A oferta, contudo, não se estendia aos seus familiares e acabou recusada. Assim, quando Abdulrahman tinha 15 anos, ele foi convidado a se juntar ao Al Ain, que também promoveu a mudança de sua família aos Emirados Árabes e naturalizou todos. Apesar da ausência Omar, seu irmão mais velho, Mohamed Abdulrahman, disputa a Copa da Ásia pela seleção emiratense.

Marroquino de nascimento, Ismail Ahmed foi outro a se transferir aos Emirados Árabes na adolescência, adotando a seleção local. Já no Catar, a lista é mais maior. A equipe nacional catariana chegou mesmo a convocar brasileiros em atividade na liga local, como Rodrigo Tabata e Emerson Sheik. Nesta Copa da Ásia, o português Ró-Ró é o único que chegou ao país com uma carreira minimamente estabelecida. Em contrapartida, há diferentes jogadores que nasceram em outros países do Oriente Médio ou do norte da África, seguindo na seleção do Catar após firmarem-se na liga local – como o iraquiano Bassam Al-Rawi e o argelino Boualem Khoukhi. Já Karim Boudiaf nasceu na França, descendente de marroquinos e argelinos, mas se profissionalizou no Al-Duhail.

Além disso, considerando o investimento altíssimo do governo do Catar em programas de formação de atletas, representado pela Academia Aspire (que também possui seus centros em outros cantos do mundo), há a tendência de migrantes ascenderem através de futebol ou mesmo de chegarem ao país para se tornarem profissionais. Meio-campista de 22 anos, Assim Madibo nasceu no Catar, em uma família de origem malinesa. Morou na França durante a adolescência e defendeu a base do Auxerre, antes de chegar ao Aspire. Por lá ganhou a chance de se profissionalizar e desde 2017 defende a seleção principal do Catar. O mesmo aconteceu com Almoez Ali, sudanês de nascimento que ganhou a primeira convocação ao time adulto catariano quando tinha 17 anos. Fato importante, a Academia Aspire ainda possui parcerias com diversos clubes na Europa. Assim, alguns atletas catarianos jogaram na Espanha, na Bélgica, na Áustria e na Inglaterra durante seus processos formativos, antes de retornarem à terra-natal.

Austrália e a acolhida a diversos povos, inclusive da Ásia

Se a diáspora ajuda a desenvolver o futebol de diversos países, o esporte da Austrália aproveita a acolhida oferecida historicamente pela ilha. A partir da Segunda Guerra Mundial, principalmente, a nação se tornou um destino comum a imigrantes saídos da Europa. E diferentes comunidades deram suas contribuições para a afirmação dos Socceroos. Este traço já marca a equipe nacional desde sua primeira participação na Copa do Mundo, em 1974, quando mais da metade dos convocados não tinha nascido na Oceania. A lista de nacionalidades na época inclui ingleses, escoceses, húngaros, alemães e iugoslavos. Algo que prevaleceu também nas talentosas gerações dos anos 1990 e 2000, encabeçadas por Mark Viduka, descendente de croatas.

Se em países como Suíça e Áustria a multiculturalidade auxiliou na recuperação de espaço, na Austrália ela é indissociável ao sucesso. E o elenco da Copa da Ásia comprova esse caráter dos Socceroos. O time convocado por Graham Arnold, em sua maioria, é composto por descendentes de imigrantes – e não apenas dos movimentos centrados na Europa, refletindo a mudança nos fluxos. Andrew Nabbout, por exemplo, veio de uma família libanesa. O pai de Mustafa Amini é do Afeganistão, enquanto sua mãe veio da Nicarágua. Aziz Behich possui ligações com a parte turca do Chipre. Herói na Copa da Ásia de 2015, Massimo Luongo tem óbvia ascendência italiana, mas também indonésia através de sua mãe. Já Awer Mabil é filho de sudaneses do sul que se refugiavam no Quênia quando o garoto nasceu, seguindo à Austrália quando tinha 10 anos.

Entre os europeus, os “sérvios” são maioria no grupo. Milos Degenek deixou seu país-natal na infância, por conta da Guerra do Kosovo e se mudou à Austrália. Depois, voltaria à Alemanha, onde desenvolveu sua carreira como futebolista. Tom Rogic e Danny Vukovic também têm raízes no país balcânico. A ampla comunidade grega é representada por Chris Ikonomidis e Apostolos Giannou, este nascido na Grécia. James Jeggo é de Viena e Alex Gersbach, além de origens gregas, é filho de pai descendente de alemães. Seguem uma tradição nos Socceroos.

Os dois lados do Japão

Ausente nesta Copa da Ásia, Jong Tae-se transformou-se em um símbolo da comunidade de norte-coreanos residentes no Japão – anterior mesmo ao estabelecimento do regime comunista na península. Destaque da Coreia do Norte na Copa do Mundo de 2010, quando ganhou notoriedade ao chorar durante o hino nacional, o atacante nasceu em Nagoia. Enquanto seu pai tem cidadania sul-coreana, sua mãe acaba incluída como Chōsen-seki – uma nacionalidade alternativa concedida aos coreanos que não possuem cidadania japonesa ou sul-coreana, já que a Coreia do Norte não é reconhecida pelo governo do Japão. Em sua juventude, o jogador ainda frequentou instituições de ensino ligadas ao Chongryon, grupo próximo à Coreia do Norte que atende a comunidade de Chōsen-seki. Assim, criou sua identificação e optou pela seleção norte-coreana.

Sem Jong Tae-se, dois jogadores da seleção da Coreia do Norte na Copa da Ásia nasceram no Japão. Ri Yong-jik e Kim Song-gi são de Osaka e Hyogo, respectivamente. Além disso, fizeram toda a sua carreira profissional no futebol japonês, embora o segundo tenha estudado em uma universidade relacionada ao Chongryon. Ambos escolheram defender a equipe nacional norte-coreana no nível adulto.

E se a seleção japonesa por vezes reflete os movimentos dos migrantes nipônicos, desta vez há apenas um jogador convocado pelos Samurais Azuis que nasceu no exterior. É o goleiro Daniel Schmidt, de Illinois, nos Estados Unidos. Filho de pai teuto-americano e de mãe japonesa, ele se mudou para Sendai aos dois anos de idade. Fez toda a sua vida no Japão e, despontando com a camisa do Vegalta Sendai, ganhou suas primeiras convocações a partir de 2018.

Quirguistão e os seus protagonistas

Por fim, vale se debruçar ainda sobre o caso do Quirguistão. A antiga república soviética atravessa o seu momento mais relevante no futebol, ao se classificar pela primeira vez à Copa da Ásia. Também contou com a “expertise estrangeira” para triunfar em sua caminhada até os Emirados Árabes. Um dos principais jogadores do time é Daniel Tagoe. O defensor ganês começou no futebol de seu país e, após jogar na Rússia, se mudou ao futebol quirguize em 2007. Permaneceu por lá durante grande parte deste período e, sete anos depois, começou a ser convocado pela seleção local. Um caso um tanto quanto específico nesta Copa da Ásia.

Ao lado de Tagoe, o Quirguistão conta com outros jogadores que nasceram no país, embora tenham se mudado à Europa na juventude. Acabaram se tornando úteis neste ciclo de classificação. O capitão Edgar Bernhardt cresceu e se profissionalizou na Alemanha. Vitalij Lux também fez o mesmo caminho, até se tornar uma das referências no ataque da equipe nacional. Já Akhlidin Israilov seguiu na adolescência à Ucrânia, para defender o Dynamo Kiev a partir das categorias de base. Exemplos de um futebol multicultural, que se desdobra de diferentes maneiras ao redor do planeta. A Copa da Ásia é mais um microuniverso neste contexto.


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