Os desmandos das torcidas sérvias não vêm de hoje. A violência ultrapassa o limite dos alambrados e exerce grande influência na organização dos próprios clubes. Às vezes, extrapola os limites dos estádios e se infiltra na própria sociedade, como na década de 1990, quando ultras formaram milícias durante os conflitos nos Bálcãs. E mais um episódio dessa liberdade que parece não ter limites foi dado nesta terça.

O Partizan Belgrado deu vexame na terceira preliminar da Liga dos Campeões. Pela terceira temporada consecutiva, os campeões sérvios não conseguiram avançar à fase de grupos, agora eliminados pelo Ludogorets Razgrad. Depois de perderem o jogo de ida por 2 a 1, os alvinegros foram derrotados pelos búlgaros novamente, desta vez por 1 a 0, gerando uma insatisfação evidente nas arquibancadas.

A revolta foi tamanha que Milos Radisavljevic Kimi, famoso líder dos ultras do Partizan, pulou as grades, invadiu o campo e arrancou a braçadeira do capitão Marku Scepovicu. Mais do que o ato em si, impressiona a tranquilidade do torcedor, que é até escoltado por um segurança antes de voltar ao seu lugar. Um problema enraizado e, ao que parece, com total conivência dentro da estrutura do futebol local.