Como você gostaria de fazer seu primeiro gol como jogador profissional? A resposta varia de pessoa para pessoa, mas com um chute perfeito do meio da rua em um jogo de Libertadores que ajuda a manter o 100% de aproveitamento do seu time e quebra um jejum de 37 anos deve satisfazer a maioria. Foi assim o lance que abriu a contagem da carreira de Gabriel Menino, na vitória do Palmeiras, por 2 a 1, sobre o Bolívar, em La Paz.

O garoto de 19 anos anotou seu primeiro gol pela equipe principal do Palmeiras, aos 15 minutos do segundo tempo. Contribuiu para a terceira vitória dos paulistas nas três primeiras rodadas da fase de grupos da Libertadores e para o primeiro triunfo de um brasileiro nos 3,6 mil metros de La Paz desde o Grêmio, em 1983.

Se a altitude era um problema para o Palmeiras, os seis meses sem jogar desde que o futebol boliviano foi paralisado pela pandemia atrapalharam o Bolívar. Com as duas complicações na balança, prevaleceu a superioridade técnica do time de Vanderlei Luxemburgo, enquanto houve gás, e o gol de Gabriel Menino se mostrou essencial depois de o Bolívar descontar e pressionar em busca do empate na reta final da partida.

Durante a primeira hora, o Palmeiras foi absoluto na partida e sem precisar fazer grande coisa. Não correu riscos na defesa, esticava as bolas para Rony e Raphael Veiga testou o goleiro Rojas duas vezes de fora da áreas. Testes fáceis: as duas em cima do goleiro. Uma cobrança de falta deixou os zagueiros livres, e Luan tentou cabecear por cobertura, mas mandou para fora.

Aos 32 minutos, bola esticada para Rony. Ele recebeu marcado por Adrián Jusino. Foi ao fundo, bateu na parede, protegeu e girou. Estava driblando para trás, em direção à linha lateral, quando foi derrubado de maneira estabanada e desnecessária pelo zagueiro do Bolívar. Mas pênalti bobo ainda é pênalti. Willian cobrou muito bem e abriu o placar para o Palmeiras.

Pouca coisa aconteceu na meia hora entre o primeiro e o segundo gol, mas valeu a pena esperar. Rony recebeu pela esquerda, na altura da intermediária, e abriu de lado. Gabriel Menino dominou e soltou a perna. A bola foi subindo e abrindo para a direita até acordar a coruja. Golaço.

Marcos Riquelme, de cabeça, descontou pouco depois e, uma hora, os efeitos da altitude começaram a afetar o Palmeiras. Luxemburgo chegou a colocar um terceiro zagueiro para lidar com o excesso de cruzamentos do Bolívar para tentar o empate no abafa. Gustavo Scarpa ainda acertou a trave nos minutos finais, e Gabriel Verón mandou o rebote em cima de Rojas.

O Palmeiras chegou a 15 partidas de invencibilidade. Brilhou em poucas delas, mas vem em uma ligeira melhora. Nesta quarta-feira, isso nem entra na conta. Na altitude de La Paz, não se joga, se sobrevive, e o Palmeiras não apenas sobreviveu, como venceu. E foi apenas o segundo brasileiro a conseguir isso na história.

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