O Arsenal anunciou nesta quarta-feira a contratação de Alexandre Lacazette, 26 anos, atacante que era do Lyon. O preço foi alto: € 53 milhões, batendo o recorde de transferências do clube – que era pela contratação de Mesut Özil, em 2013, por € 47 milhões. E o valor pode subir para € 60 milhões com alguns bônus de desempenho. Lacazette não está no nível dos melhores atacantes do mundo, mas é uma contratação de muita qualidade para o Arsenal, que faz todo sentido pensando no estilo de jogo sob o comando de Arsène Wenger.

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Aos 26 anos, o francês acumula ótimas temporadas no Lyon, onde vestia a camisa 10, mas atuava como um camisa 9. É o atacante de referência do time, mesmo sem ser um centroavante do tipo de Giroud, que se impõe pelo físico e é forte na bola aérea. Lacazette tem outra característica: é técnico, tem uma excelente finalização e velocidade. É versátil também: pode atuar centralizado, como referência ofensiva, como foi mais comum nos últimos anos, ou também ser colocado atrás de um centroavante e até pelos lados do campo.

“Nós estamos muito felizes em ter Alexandre se juntando ao nosso grupo. Ele mostrou ao longo de muitos anos que ele pode marcar gols e que é um finalizador muito eficiente. Assim como ele também tem qualidades técnicas muito interessantes e uma personalidade forte. Então ele é um cara que é uma grande contratação para nós e alguém que irá nos ajudar a brigar no mais alto nível nesta temporada”, afirmou Arsène Wenger ao site do clube.

Wenger tem razão. Ele marca mesmo muitos gols. A sua estreia no time profissional aconteceu no dia 5 de maio de 2010, contra o Auxerre. Entrou e jogou 12 minutos. Esteve outros dois jogos no banco de reservas, mas não entrou. Em 2010/11, ele fez 11 jogos e marcou dois gols. Em 2011/12, jogando mais, chegou a 10 gols em 43 jogos.

Foi ganhando cancha como artilheiro a partir da temporada 2013/14, quando chegou a 22 gols em 54 jogos. Em 2014/15, superou pela primeira vez a marca de 30 gols em uma temporada: 31 gols em 40 jogos, sendo 27 só na Ligue 1. Em 2015/16, fez 23 gols em 44 jogos, com 21 deles na Ligue 1. Em 2016/17, teve a sua temporada mais artilheira na carreira: foram 37 gols em 45 jogos, sendo 28 deles marcados na Ligue 1, seu recorde pessoal.

“Eu estou, é claro, encantado e muito orgulhoso porque o Arsenal é um clube lendário. Durante a minha infância, graças a Thierry Henry e outros jogadores franceses, eu sempre sonhei em jogar por este clube e hoje este sonho está se realizando”, afirmou Lacazette, em entrevista ao site do clube.

“Eu gosto de clubes com história. Também o fato do técnico estar aqui por um tempo mostra que é um clube estável, que eu gosto. Além disso, há alguns jogadores franceses aqui, o que torna mais fácil para me adaptar. Na minha opinião, o Arsenal é o clube que joga o melhor futebol na Inglaterra, então eu quis vir para cá”, analisou ainda o atacante.

Perguntado sobre o seu estilo de jogo, Lacazette mostra como ele pode se encaixar no clube. “Quando eu jogo, eu gosto de usar minha velocidade e me ligar com outros companheiros. Como atacante, eu gosto de marcar gols, é claro, mas não se trata apenas disso. Eu gosto de jogar um futebol que flua e que todo o time se envolva”, respondeu o atacante.

Sobre a sua temporada mais artilheira na carreira, Lacazette falou sobre a importância dos colegas de equipe. “Primeiro de tudo, você precisa ter jogadores atrás de você que passem bem a bola, resultado em boas oportunidades de marcar gols. Além disso, toda vez que eu chuto a gol é porque eu acredito que posso marcar. Eu não chuto por chutar. Eu sempre tento escolher a melhor opção, seja passe ou chute. Eu também tento ficar o mais calmo possível. Tudo isso é conseguido com muito trabalho duro no treinamento”, disse o jogador.

Os seus 28 gols na Ligue 1 significam mais que a soma dos gols na Premier League de Olivier Giroud (12), Theo Walcott (10), Danny Welbeck (2) e Lucas Perez (1), somando 25.

Onde se encaixa Lacazette?

Será preciso ver como Arsène Wenger pretende armar o time. Se mantiver o esquema com três zagueiros, Lacazette pode ser usado como um dos três jogadores de ataque, ao lado de Alexis Sánchez e Mesut Özil. Isso, claro, se Sanchez e Özil ficarem – e este é um grande “se”. Se voltar ao 4-2-3-1 que adotou em outros momentos, Lacazette pode ser o jogador de frente, com Sánchez por um lado, Özil pelo centro e outro jogador na ponta, como Alex Oxlade-Chamberlain ou Theo Walcott.

Lacazette também pode ser recuado para jogar por um dos lados ou pelo centro em uma formação com Olivier Giroud como referência, em um momento que o time precisar de mais força física. Adiciona uma opção de qualidade para tornar o time mais forte na marcação de gols. O problema é se Lacazette for jogar sem Sánchez e sem Özil e já for uma reposição a um destes. Aí o Arsenal continuará tendo problemas.