Tudo vinha bem até as semifinais. A Alemanha, que joga há muito tempo no 4-2-3-1, havia vencido os quatro primeiros jogos na Eurocopa sem tomar muitos sustos, até encarar a Itália. Todo mundo sabia que o buraco era mais embaixo, mas há um ditado lá na minha terra que diz que o homem pode ser tudo na vida, menos frouxo, covarde. E Joachin Löw foi covarde nesta quinta-feira ao mudar o sistema na última hora. Pagou o preço.

O Nationalelf tinha jogado bem contra a Grécia sem Podolski e Mario Gómez. André Schürrle e Miroslav Klose pareciam ter tomado conta das posições. Não tomaram. Löw voltou com os barrados e escalou, de maneira inexplicável, Toni Kroos. O objetivo, seja lá qual tenha sido, não foi cumprido. Kroos jogou bem, é um excelente armador, mas junto de Schweinsteiger e Khedira, formou um trio de jogadores capaz de pensar o jogo. Na teoria, tudo muito bonito, um time em que todos sabem jogar bola e podem defender também.

Na prática, não. O time pensava, pensava, pensava e ninguém botava as cartas na mesa para resolver. Ao trio de pensadores, se juntou Mesut Özil voltou a sumir, aceitando passivamente a marcação feita por Daniele De Rossi durante a maioria do tempo. A luz dele estava apagada, e se não fosse o pênalti bem batido no fim, não haveria nada para elogiar essa atuação. Kroos foi o único a tentar algo quando a coisa apertou, com passes arriscados e finalizando de longa distância várias vezes. A maioria delas longe do gol.

Se no meio-campo as coisas não andavam bem, o que dizer do ataque? Lukas Podolski foi, de longe, o pior jogador alemão nessa Eurocopa. Peça nula, jogou só com o nome, e Löw apostou nele até os 45 minutos do primeiro tempo. Assim como foi audacioso em colocar os jovens na Copa do Mundo de 2010, o comandante alemão foi conservador (para não dizer covarde, medroso) em não tirar Podolski. Thomas Müller, nitidamente inferior a Schürrle, foi outra aposta conservadora. E a não utilização de Mario Götze é uma quebra de promessa do treinador, que antes da Euro afirmou que ele não seria “um mero reserva” na competição. Pois bem, o Wunderkind só jogou alguns minutos do jogo contra a Grécia.

Se no ataque as coisas não funcionavam, o que dizer da defesa? Mats Hummels foi de bestial a besta nessa partida ao tomar um baile de Cassano. Tem potencial para ser um dos melhores do mundo, mas quando joga mal, geralmente entrega o ouro com força, para valer. Precisa de mais regularidade. Holger Badstuber falhou no primeiro gol também, e perdeu o duelo com Balotelli. Até Philipp Lahm, que costuma ser seguro, vacilou no segundo gol. Apenas Manuel Neuer pode ser isentado de culpa nessa eliminação. Jogou com raça e foi até para o ataque buscar o empate nos minutos finais.

Em suma, quase nada funcionou, e a eliminação foi justíssima. Tivesse a Itália um pouco mais de pontaria, certamente o placar seria mais elástico. A quantidade de contragolpes cadenciados ou desperdiçados pela Azzurra mostra que no segundo tempo os alemães partiram para o ataque sem medo, mas não adianta ser corajoso quando as coisas já estão complicadas.

Resta a essa geração a Copa do Mundo de 2014. Schweinsteiger e Lahm, comandantes dessa equipe, terão 30 anos, e Özil terá 26. O favoritismo ainda existe, mas o alerta foi dado pelos italianos. É fundamental ter coragem e partir para cima sempre, sem mudar a forma de jogar, e sem escalar jogadores por nome ou dever histórico. Se Löw quiser ganhar a Copa, precisará dar chance a quem merece e manter sua filosofia vencedora dos últimos anos.