No domingo em que o Santiago Bernabéu recebe a falsária final da Copa Libertadores, o Real Madrid conheceu um dos menores estádios da história do Campeonato Espanhol. El Alcoraz é uma acanhada cancha em Aragão, para 7,6 mil espectadores. As arquibancadas baixas permitem que se observe o entorno e, neste domingo, trouxeram um problema a mais aos merengues: o vento. As correntes que davam veneno aos chutes do Huesca, porém, foram apenas parte do tormento encarado pelos visitantes. O time de Santiago Solari teve uma atuação apagada e, mesmo saindo em vantagem no placar, precisou lidar com o sofrimento. Passou apuros até o apito final e recorreu inclusive à cera contra os lanterninhas de La Liga. Tudo isso para segurar a vitória por 1 a 0, suada, mas sem tantos méritos.

O Real Madrid entrou em campo lidando com os desfalques por lesão, mas como o melhor que Solari tem à disposição, sem poupar peças visando à Champions. E em primeiro tempo pouco empolgante, os merengues mantiveram certo controle sobre a situação para abrir vantagem. Dependeram basicamente de Gareth Bale. O gol saiu aos oito minutos, em avanço de Álvaro Odriozola pela direita. O lateral cruzou e o galês apareceu livre dentro da área, completando de canhota às redes. O Huesca almejou o empate, mas Thibaut Courtois fez grande defesa em arremate de Ezequiel Ávila. E quando os merengues tentaram o empate, o goleiro Aleksandar Jovanovic se agigantou para buscar o chute de Bale na gaveta.

Na volta do intervalo, o Huesca tomou as rédeas do jogo para si. Se o vento atrapalhava suas ligações diretas nos 45 minutos iniciais, desta vez estava a seu favor. O time da casa acuou o Real Madrid e começou a pressionar. A maioria das jogadas aconteceu pela esquerda, onde David Ferreiro infernizou Odriozola. E as chances logo surgiram. Gonzalo Melero teve a oportunidade de ouro para empatar, mas a cabeçada totalmente livre dentro da área, no contrapé de Courtois, lambeu a trave. O belga também fez linda defesa, em chute colocado de Ferreiro. Já do outro lado, os merengues se resumiam a Bale. Nas raras chegadas, dependendo da velocidade no ataque, era sempre o galês quem definia. Travou um duelo particular com Jovanovic, que pendeu ao goleiro, com outras duas grandes defesas.

Federico Valverde, Isco e Marco Asensio saíram do banco, mas alterações não surtiram tanto efeito ao Real Madrid. Os visitantes precisaram se enclausurar e lidar com o sufoco provocado pelo Huesca, empurrado pelos efeitos do vento. Os madridistas chegaram ao cúmulo de gastar o tempo, com a cera comandada por Courtois. E o goleiro sairia de campo como salvador, ao salvar a vitória no fim. Espalmou uma cobrança de falta sinuosa de Moi Gómez, viu Cucho Hernández mandar para fora uma oportunidade clara e ainda contou com o auxílio de Dani Carvajal, afastando em cima da linha o arremate de Jorge Pulido. O apito derradeiro fez os merengues respirarem aliviados diante dos nanicos. Foram míseras cinco finalizações dos blancos em 90 minutos, sendo quatro de Bale.

O Huesca faz uma campanha muito frágil no Campeonato Espanhol. É o lanterna com sete pontos, a sete de deixar a zona de rebaixamento. Seu ataque anotou 12 gols em 15 rodadas, enquanto a defesa tomou 30. A atuação contra o Real Madrid, ao menos, indica que há esperanças para uma campanha um pouco mais digna. E parte dos jogadores apresentou seu potencial a transferências futuras, com menções especiais a Ferreiro e Jovanovic. Já o Real Madrid, ainda que emende bons resultados com Solari, não consegue convencer tanto. Se há um lado bom no resultado deste domingo é que recolocou os merengues no G-4, ultrapassando o Alavés. São 26 pontos, a cinco do líder do Barcelona. Mas com a certeza de que os gigantes não andam intimidando nem o menor time do campeonato. Precisam agradecer a Bale e Courtois.