Quando Breno surgiu arrebentando no São Paulo em 2007, enchia os olhos. Era um zagueiro forte, rápido e habilidoso (não tanto quanto achava que era), capaz de jogar na lateral direita e arrancar para o ataque marcando golaços. Tinha 18 anos, era titular e protagonista de um time bicampeão brasileiro com uma defesa sensacional.Brilhou tanto naqueles seis meses que se tornou candidato candidato natural a assumir uma vaga na seleção brasileira. Pois bem, cinco anos se passaram e agora ele está na cadeia. Foi condenado a três anos e nove meses de prisão pela justiça alemã por ter incendiado a própria casa.

Nesse intervalo de tempo, Breno parece ter feito questão de se sabotar como jogador, e foi bem ajudado pelo destino. Logo em seu início no Bayern Munique, falhou muito e não conseguiu se firmar de cara. No segundo semestre de 2008, o zagueiro disputou as Olimpíadas com a seleção brasileira. Teve desempenho discreto, bem abaixo do que prometia no ano anterior.

No Bayern, ele teve a segunda chance, e aí rompeu os ligamentos no joelho. Foi emprestado ao Nürnberg, e voltou ao Bayern Munique com Louis van Gaal. Teve outras chances na Liga dos Campeões e na Bundesliga em 2010/11. Não as aproveitou. Falhou bastante em jogos decisivos e perdeu espaço novamente. Veio outra lesão, a depressão, e enfim, o incêndio em sua própria casa, causado por ele mesmo no dia 20 de setembro de 2011.

Depois do incêndio, o Bayern Munique ainda o reintegrou ao time principal após ele sair da cadeia. Breno chegou a ficar no banco de reservas de algumas partidas da Bundesliga e parecia tudo bem. Até ele dizer no Twitter que o Bayern estava “de sacanagem” com ele por não o colocar para jogar. Não adiantou tentar jogar a culpa em algum primo ou pedir desculpas. O mal já estava feito, e a palavra dita não pode voltar. O Bayern, já conformado com o baita prejuízo que foi a contratação dele, lavou as mãos. Continuou ajudando, mas sem o mesmo empenho.

Por mais que seja sabido o fato de Breno consumir uma garrafa de whisky por dia, ele não tinha como jogar um papo do tipo “foi porque eu bebi” ou dizer que “ele estava possuído por Satanás” para a justiça alemã, como fez a esposa dele. Esse tipo de postura não cabe em um time que paga salários milionários em dia. Na Alemanha, a chapa é quente e ele precisará pagar pelo que fez. Na sentença ainda cabe recurso, mas, caso não haja alterações na pena, a carreira dele será bem prejudicada. Pode até se encerrar precocemente.

Há quem considere, porém, que o rigor da pena seja excessivo e trate Breno como um doente, tese que até é válida. Mas é fundamental que se entenda que o zagueiro cometeu um crime ao danificar o patrimônio de outra pessoa (a casa era alugada) e colocar em risco a vida dos próprios familiares. Alguma punição precisa ser adotada além do pagamento dos danos materiais, e um tratamento para que ele possa sair do alcoolismo. Isso, é claro, se ele mesmo quiser, mas aí já se trata de uma escolha pessoal. Assumir o erro, como ele já fez, e encarar as coisas de frente são os primeiros passos.

Para o futebol, porém, as coisas se tornam mais complicadas. Mesmo com todo o inferno astral vivido na Alemanha, Breno ainda atraía o interesse de várias equipes europeias, incluindo a Lazio, que quase o contratou. Agora, com a possibilidade de passar um bom tempo preso, vê a carreira estagnar numa fase em que nada dá certo. E sem contrato com o Bayern Munique, o que é pior.

Caso seja confirmada a pena, Breno terá 26 anos quando sair da cadeia. Poderá se reerguer, mas precisará ter uma força de vontade enorme para isso. Não é o primeiro caso de jogador de futebol, e nem de ser humano que se destrói, e isso só piora a situação dele, que terá de se reerguer sob olhares desconfiados do mundo inteiro. Muito pouco para quem um dia foi apontado como o sucessor de Lúcio.