Como um vinho, Andrea Pirlo parece melhorar conforme o tempo passa. O meia já passou dos 35 anos, mas vê-lo em campo parece ser mais agradável a cada ano. A transferência sem custos para a Juventus, em 2011, parecia ser aquele tipo de coisa que marca o fim da carreira de um jogador, mas nos Bianconeri o veterano inaugurou uma nova fase tão brilhante – ou até mais – quanto as outras. E, segundo o que diz o próprio Pirlo, parte de nossos agradecimentos por vê-lo em campo devem ir para Carlo Ancelotti. O Maestro credita ao treinador a mudança que transformou sua carreira e a levou ao ápice.

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Em entrevista ao site espanhol ABC.es, Pirlo lembra como o modo como Ancelotti o escalava no Milan transformou não apenas seu futebol, mas também o italiano como um todo, dando espaço a um estilo mais vistoso. “Até o Ancelotti começar a me colocar à frente da defesa, essa posição na Itália era ocupada apenas por meio-campistas defensivos, com a mesma ideia: destruir em vez de criar. Comecei a jogar como pivô, e isso mudou a tendência no futebol italiano. Provamos que era possível vencer jogando um bom futebol. Tenho orgulho de ter introduzido o Jogo Bonito na Itália”, contou o camisa 21.

Pirlo considera Ancelotti um “pai” no esporte e diz que sua carreira começou mesmo a partir do momento em que encontrou o hoje treinador do Real Madrid. “Tive a sorte imensa de encontrar o Ancelotti no Milan. Ele marcou um antes e um depois na minha carreira. Parei de jogar como segundo atacante e me transformei em um armador. Foi ali que minha carreira realmente começou. Ancelotti é meu pai, em termos de futebol. Ele me levou ao ápice do esporte. Ele é uma das melhores pessoas que já encontrei no futebol e um técnico soberbo, acima de tudo.

A relação com o técnico não foi a única coisa que marcou a vida do atleta em sua passagem pelo clube rossonero. A competitividade e as amizades daquele período têm espaço importante na memória de Pirlo, que, entre outros, conquistou dois Campeonatos Italianos, duas Champions Leagues e um Mundial de Clubes pela equipe.

“Nosso período no Milan foi cheio de triunfos. Tínhamos um time de jogadores jovens e talentosos e sede de títulos. Tudo foi mágico, e fizemos algumas amizades duradouras fora do futebol também, como por exemplo com Nesta e Gattuso. O Gennaro (Gattuso) colocava o coração na ponta da chuteira. É um ser humano especial que trazia muitos benefícios a todos do time. Um dos meus melhores amigos”, recorda-se.

Levando em conta o jogador que Pirlo é hoje e os atletas com quem Ancelotti conta no Real Madrid em posição similar, não tem como evitar a ansiedade em descobrir a que nível o treinador pode levar jogadores como Luka Modric e Toni Kroos, sobretudo o alemão, por causa da idade. Isso sem falar em Lucas Silva, é claro, já que poderíamos nos beneficiar diretamente de seu crescimento, imaginando que conquiste seu espaço na seleção brasileira. Enquanto isso não passa de projeção, o jeito é apreciar o “produto final” que Pirlo se tornou graças ao técnico. Um craque de elegância rara, que toma para si o controle das partidas e rege seu ritmo com serenidade.