Chegou a fase final do Paulista. Mas ele nunca será como antes…

Chegou a hora das decisões, mas o foco novamente não estará no estadual. Afinal, o que vale mesmo vem no meio da semana

Sábado e domingo serão dias de decisão no Campeonato Paulista. Finalmente, depois de 19 longas e entediantes rodadas, chegou a hora de termos jogos valendo alguma coisa. Sábado tem Mogi Mirim x Botafogo-SP e Santos x Palmeiras. No domingo, Corinthians x Ponte Preta e São Paulo x Penapolense. Chegou a hora de acabar o marasmo. Ou será que não?

A fase final do Paulista chegou, mas continua sem empolgar ninguém. Temos a Libertadores com jogos decisivos para os times brasileiros logo na semana que entra, com dois dias de descanso entre um jogo e outro. É inevitável, portanto rodar um pouco o elenco para esses dois jogos. O Palmeiras joga na terça, o Corinthians e o Grêmio na quarta e o São Paulo e o Fluminense na quinta. Apostaria que nenhum desses times entrará com força máxima no fim de semana, mesmo sendo um momento decisivo. É uma questão de prioridades.

Os times deveriam ter elencos para disputar duas competições. É verdade, mas se essa outra competição é o Paulista, bem… Ninguém irá ligar muito. É verdade também que foi uma falha de Júlio César contra a Ponte Preta que apressou a sua saída do time titular do Corinthians para a entrada de Cássio, mas há quem diga que esse o Paulista foi fundamental para a conquista da Libertadores e, portanto do Mundial. Menos, muito menos. Claro que a falha no Paulista foi uma desculpa para a mudança, que naquele momento ainda era ousada. Mas não podemos elevar demais o papel que aquela derrota teve.

Os estaduais chegam à sua fase decisiva, mas para os times que disputam a Libertadores, será só mais um jogo antes do que interessa de verdade. Para os outros, é uma forma de afirmação, de ganhar confiança e, de repente, ganhar um título que não virá em outro torneio no ano. É o caso do Santos ou do Botafogo, por exemplo. Dificilmente esses times brigarão pelo título brasileiro, convenhamos. Há chance na Copa do Brasil, mas ali é uma loucura tão grande que é difícil apostar. Então o estadual é uma bengala útil. Campanha ruim no Brasileiro? “Ah, mas ganhamos o estadual”. E tá tudo certo. Como se ganhar um título no ano fosse desculpa para não jogar bem até que mude a folhinha do calendário.

O Corinthians enfrentará a Ponte Preta. Claro que para a Ponte Preta o jogo vale mais. A torcida corintiana quer é que o time passe pelo Boca Juniors pelas oitavas da Libertadores. Está pensando em um bom resultado em Bombonera. Se perder no Paulista, bom, fazer o que, né? Acontece. Não pode é perder na Libertadores. O São Paulo tem que passar pelo Penapolense porque nem com o time reserva o time poderá se dar ao luxo de perder. Mas semana que vem, em um confronto contra Corinthians ou Ponte, o que vale mais? Desgastar os jogadores no Paulista ou mesclar o time e guardar forças para o jogo duríssimo contra o Atlético Mineiro em Belo Horizonte na semana seguinte? A resposta é evidente.

O Palmeiras tem tudo para perder do Santos. Não tem elenco suficiente para jogar as duas competições. E o Santos quer ganhar o Paulista, pelo que falamos acima. E não ter á um jogo decisivo no meio da semana. Mas imagine se o Palmeiras perde do Santos, mas consegue um bom resultado contra o Tijuana na terça. Será que a torcida liga? Acho que não. Contanto que o time não deixe de lutar, claro. Mas é diferente da Libertadores.

As quartas do final do Paulista chegaram e a única diferença é que talvez os jogos fiquem um pouco mais emocionantes pela possibilidade de eliminação. Mas continua longe de ser empolgante. Bem longe. E parece que a razão é irreversível: não há mais o mesmo interesse. Nem dos clubes, nem dos jogadores, nem do público e até da TV. O campeonato pode melhorar, tem que ficar mais curto e usar menos datas. Pode ficar mais interessante e é essa a missão dos dirigentes, embora eles pareçam não ligar para isso.

O que não parece mais ter volta é que o Paulista jamais terá o mesmo peso. Não teremos mais um Paulista tão importante como aquele de 1958, quando Pelé marcou incríveis 58 gols no Campeonato, em 30 partidas, ou como aquele de 1977, quando o Corinthians saiu da fila, ou como aquele de 1993, quando o Palmeiras arrasador saiu da fila com um time histórico, nem como o São Paulo de 1943, que fez a moeda cair de pé e acabou com a hegemonia de Corinthians e Palmeiras. Esses tempos passaram. O mundo mudou. O Paulista é um campeonato de história, mas que hoje, vive só dela. Continuará existindo e deve continuar mesmo. Mas não terá nunca mais a mesma importância.