Não havia pedido que calasse o Allianz Parque e seu entorno. Antes, durante e depois, as aglomerações no estádio eram enormes, cheias de liberdade e barulho. Viver a expectativa e comemorar era o que mais interessava. Afinal, não se cala uma torcida apaixonada como a do Palmeiras, muito menos em dia de decisão. E os alviverdes confiavam que poderiam levantar mais uma vez a Copa do Brasil. O time de Marcelo Oliveira podia não ter vencido o Santos na Vila, mas trouxe para casa um resultado que dava para encarar. Contou com o apoio de seus torcedores, que acreditaram e apoiaram. Venceram por 2 a 1, em uma noite de agonia e exultação nos arredores da Rua Turiassú. Por fim, a alegria maior veio na vitória por 4 a 3 nos pênaltis. A “torcida que canta e vibra” fez jus ao hino, comemorando seu terceiro título no torneio.

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Poucos times investiram tanto em 2015 quanto o Palmeiras. Os alviverdes colocaram a mão nos bolsos e trouxeram principalmente em número, realizando a reformulação do time. O elenco passou a contar com a folha salarial mais alta do futebol brasileiro, mas não correspondia em campo. As frustrações se acumularam, desde o Paulistão ao Campeonato Brasileiro. E a pressão recaía à Copa do Brasil. Marcelo Oliveira nem de longe vinha sendo visto como unanimidade, diante de uma a equipe improdutiva e com maus resultados. Mas tudo mudou em uma partida. Em uma final. O suficiente para conquistar o título. E com o protagonismo justamente de alguns daqueles que vieram a peso de ouro.

A derrota por 1 a 0 na Vila Belmiro ajudou a fazer o Palmeiras campeão. Porque, dentro das circunstâncias do jogo, o resultado ficou barato. O Santos desperdiçou pênalti, viu Fernando Prass crescer contra os seus atacantes e ainda não marcou o segundo por um erro inacreditável de Nilson nos instantes finais. A diferença tornava o trabalho dos alviverdes menos complicado, até mesmo pela ausência do gol qualificado na decisão da Copa do Brasil a partir deste ano. Bastava vencer. E os palmeirenses entraram em campo com este espírito.

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Com apenas 10 segundos, Vanderlei já fazia milagre para salvar o Santos, impedindo o gol de Gabriel Jesus. E o goleiro santista se tornou protagonista do primeiro tempo. Suas defesas primordiais seguraram o placar zerado, em especial no desvio à cabeçada de Lucas Barrios. No entanto, o jogo também era intenso do outro lado. O Peixe teve sua chance de abrir o placar: Prass realizou grande defesa, enquanto a trave ainda salvou o gol de Victor Ferraz. Além disso, as lesões de David Braz e Gabriel Jesus atrapalharam as duas equipes. Mas não a vontade, enorme para ser traduzida em 45 minutos sem gols.

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O Palmeiras veio ainda mais agressivo para o segundo tempo. Esqueça o time pobre de ideias, pouco criativo, limitado às ligações diretas – que se repetiu nos últimos jogos e também se fez presente na Vila Belmiro. Enfim, os alviverdes apresentavam uma proposta de jogo concreta, colocando a bola no chão, trabalhando o passe. Assim, nasceu o primeiro gol, aos 11 minutos. Robinho, Lucas Barrios, Dudu. A trama muito bem construída botou na roda o Santos, ficando fácil para o ponta balançar as redes. Barrios, entretanto, também merece créditos pelo lance. O paraguaio desempenhou perfeitamente a função de pivô. Ganhou destaque pela boa partida que já vinha fazendo, abrindo espaços e criando chances para os companheiros.

Naquele momento, a decisão ia para os pênaltis. E o jogo estava nas mãos do Palmeiras. Toda a iniciativa partida dos alviverdes, se impondo no campo de ataque, contra um adversário acuado. O gol, caso se repetisse, seria daquele lado. Aconteceu de novo apenas aos 39 minutos, para dar mais emoção, com Dudu. A partir de uma cobrança de falta, Victor Hugo desviou de cabeça, e a bola sobrou com o atacante para desviar na pequena área. Justo ele. A maior fonte de discórdia sobre o clube na janela de transferências, até sobrevalorizado por aquilo que joga. Transformado em vilão contra o mesmo Santos, na final do Paulista. Mas que, por fim, terminou como herói. Justificou a aposta sendo decisivo, com dois gols na final.

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Entretanto, o Santos ainda não estava morto. E mostrou a força que faltou nos 87 minutos anteriores para buscar o empate logo na sequência. Na saída de bola, Marquinhos Gabriel descolou um escanteio. Que terminou em gol de Ricardo Oliveira, fuzilando na pequena área. A partir de então, qualquer esforço seria em vão. As duas equipes decidiriam o seu destino na marca da cal. Pela primeira vez na história da Copa do Brasil, o campeão seria definido na disputa de pênaltis.

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Fernando Prass, o melhor do primeiro jogo, não tinha aparecido tanto nesta quarta. Seu momento de maior destaque havia acontecido em mosaico antes do jogo, ao lado da taça. Pareceu até premonição do que aconteceria. Todos os holofotes se voltaram ao goleiro nos momentos finais. Ajudado antes pelo escorregão de Marquinhos Gabriel, o veterano espalmou a cobrança de Gustavo Henrique. Vanderlei respondeu agarrando o chute de Rafael Marques. E a sequência de gols se manteve até o último lance, sob a responsabilidade de Prass. O momento em que o próprio goleiro foi para a quinta cobrança, estufou as redes e saiu para a comemoração, tornando o Palmeiras campeão.

O ano do Palmeiras não seguiu o roteiro que os seus torcedores queriam. Mas teve o desfecho sonhado por todos. O time triunfante, fazendo valer o investimento e o apoio das arquibancadas nos meses anteriores. Além disso, também classificado à Libertadores, prometendo mais esforços para a próxima temporada. Ainda há muito a se acertar, o elenco não está redondo, a equipe não apresenta regularidade. Mas os 90 minutos nesta quarta valeram por um ano. Com uma taça, fica mais fácil de planejar o futuro. E, antes disso, os alviverdes têm todo o direito de festejar. Que a vizinhança do Allianz Parque não durma nesta noite.