A Copa Libertadores representa o grande desejo da torcida do Palmeiras neste momento. Os títulos recentes no Campeonato Brasileiro levam os alviverdes a querer mais, e o investimento também coloca o clube entre os favoritos ao título continental. A má fase das últimas semanas, que inclui a perda da liderança na Série A e a eliminação na Copa do Brasil, aumenta o peso da campanha sul-americana. E, em uma partida de alto nível de tensão, os palestrinos buscaram uma inestimável vitória em Porto Alegre. Não foi o jogo exatamente perfeito, mas valeu pela forma como os times estavam ligados. E não se nega o sucesso do Palmeiras em cumprir sua missão, para fazer o Grêmio tombar dentro da Arena. Além de uma ótima exibição defensiva, os paulistas contaram com um relâmpago de Gustavo Scarpa para construir a vitória por 1 a 0. Dão um passo à frente em busca das semifinais da Libertadores.

Se há 24 anos o duelo entre Grêmio e Palmeiras simbolizava o embate entre duas filosofias distintas, do copeirismo tricolor à voracidade alviverde, as identidades outra vez se distinguiram na Arena nesta terça-feira, com papéis trocados. O Tricolor de Renato Portaluppi preza pela posse de bola e não demorou a se impor no campo de ataque, trocando passes. Enquanto isso, Felipão continua professando sua velha fé de solidez defensiva e saídas rápidas ao ataque. Assim, a partida se desenhou desde os primeiros minutos.

Dudu chegou a chutar para fora com muito perigo aos quatro minutos, antes de Jean Pyerre também ameaçar a meta do Palmeiras em tiro de fora da área. O equilíbrio nas chances, porém, não era o mesmo das posturas. Por mais que os alviverdes se defendessem bem, tinham muitas dificuldades de sair ao ataque. Dudu era o principal respiro, incansável pelo lado direito – auxiliando até mesmo a dobrar a perseguição a Everton na defesa. Faltava contar com a colaboração dos companheiros nos avanços, entre muitos erros do time na transição. Mesmo dando mais mobilidade ao setor ofensivo, Luiz Adriano não conseguia prevalecer. Já o Grêmio empurrava os visitantes ao campo de defesa palmeirense. Procurava os espaços e rodava a bola.

A pressão do Grêmio incomodava o Palmeiras através de sua movimentação, mas não gerava muitas chances de gol. Quando encontrou uma brecha, Alisson parou em defesa segura de Weverton. Os tricolores ainda precisaram queimar sua primeira substituição logo aos 17 minutos, após a lesão de Bruno Cortez, que deu lugar a Juninho Capixaba. Os gremistas tinham mais recursos, pela cadência de jogo. Só que não era suficiente aproximar o time do gol.

Acuado, o Palmeiras encontrava dificuldades para cruzar o meio-campo. A equipe de Felipão parecia depender de um lance isolado. E ele veio aos 30 minutos, da maneira mais feliz à torcida visitante. Gustavo Scarpa sofreu a falta de Matheus Henrique na intermediária. A cobrança era de muito longe e Paulo Victor montou sua barreira com apenas dois homens. Scarpa resolveu arriscar e, depois que Marcos Rocha rolou para desmanchar a barreira, o meio-campista pegou na veia. Mandou um petardo, que se não saiu tão no canto, veio com força e no alto da meta. Triscou no travessão, antes de morrer dentro do gol, sem que o arqueiro o alcançasse. Um golaço que, se não demarcava uma superioridade palestrina, premiava o empenho da equipe na marcação.

O Grêmio não se desesperou depois do gol. Seguiu fazendo o seu jogo de troca de passes. Porém, o Palmeiras pareceu mais seguro em sua estratégia. Concedeu pouquíssimo. No máximo, os tricolores tiveram duas reclamações de pênalti que o árbitro preferiu não marcar. A intensidade no combate e a eficiência na cobertura garantiam a vantagem dos palmeirenses. Trancavam a faixa central e também sofriam pouco com as investidas dos gremistas pelas pontas. Felipe Melo, mesmo com um cartão amarelo logo de cara, fazia uma baita partida na cabeça de área.

O Palmeiras aproveitou o intervalo para retornar ao gramado com muita energia para o segundo tempo. Conseguiu sair ao ataque e abafou o Grêmio. Na melhor chance, Dudu cabeceou e Paulo Victor realizou uma defesa fantástica para evitar o segundo. Luiz Adriano também assustou em outro cabeçada para fora. Foram minutos iniciais de sufoco aos tricolores, que só diminuíram o vigor dos palmeirenses quando começaram a atacar com mais velocidade. Everton passou a aparecer mais pela esquerda, entre arrancadas e boas chances criadas, apesar do duro duelo com Marcos Rocha. Muito acionado pelos companheiros, o Cebolinha faria Weverton trabalhar novamente, em mais uma defesa segura do goleiro palestrino. Renato respondeu do lado de fora, com a entrada de Diego Tardelli no lugar de André aos 12 minutos.

O Palmeiras atuava de maneira mais solta e tentava equilibrar o jogo, com os atletas posicionados mais à frente em campo. Enquanto isso, o Grêmio apertava a marcação e causava problemas na saída dos adversários. Weverton ficou na fogueira algumas vezes. Era uma partida mais corrida, e também mais nervosa, com bons contra-ataques desperdiçados principalmente pelos alviverdes. Aos 21 minutos, Felipão optou por tirar Scarpa e dar um pouco mais de consistência ao meio-campo, com Raphael Veiga. Perdeu justamente um pouco do poder que exibia nos contragolpes.

A partir deste momento, o Grêmio recobrou o domínio visto no primeiro tempo. O Palmeiras recuou e tentava controlar o jogo propositivo dos tricolores. Os gaúchos seguiam com poucas brechas e, quando Everton finalizou, Weverton defendeu em dois tempos. A resposta de Felipão viria aos 28. Luiz Adriano chegou a sentir e deu lugar a Carlos Eduardo, que oferecia mais velocidade ao ataque. Logo na primeira participação, o substituto ajudou a recuperar uma bola e Willian bateu para defesa de Paulo Victor. Pouco depois, Carlos Eduardo arrancou pela direita e conectou com Dudu na entrada da área. O atacante bateu de primeira e seu chute resvalou na trave, antes de sair.

O alívio seria momentâneo ao Palmeiras. Aos 31, Felipe Melo foi expulso. O volante atuou com intensidade máxima, apesar do cartão amarelo no início. Estava exposto a uma entrada mais firme e ela acabou acontecendo em uma disputa na intermediária – ainda que a decisão da arbitragem seja passível à discussão. Prejudicou o time, mas isso não anulava a boa atuação do volante. Para arrumar a cabeça de área, Felipão colocou Thiago Santos no lugar de Willian. Enquanto isso, Renato já tinha trocado Alisson por Luciano – foi ele, aliás, que recebeu a falta no lance da expulsão. Os gremistas tinham mais presença ofensiva, mas faltava melhorar a criatividade contra um adversário no limite.

O problema é que o Grêmio continuou devendo um futebol mais inventivo, sem arriscar os passes. O Palmeiras se conteve na defesa e conseguiu segurar a vantagem com a unha. Os tricolores rondavam a área, mas sem qualquer penetração. Acabaram limitados a chutes de média distância, com Matheus Henrique e Jean Pyerre mandando para fora. Nem mesmo as bolas levantadas ajudaram os gremistas, diante do excelente posicionamento dos palmeirenses atrás. Bruno Henrique cresceu especialmente nesta reta final. Os visitantes comemoraram uma vitória gigantesca.

O resultado não é garantia ao Palmeiras, mas abre o caminho do time rumo ao reencontro no Pacaembu. Por mais que Felipe Melo seja um desfalque sentido para o segundo jogo, os alviverdes jogarão na sua zona de conforto, podendo se defender e buscar os contragolpes. O momento também favorece, diante da alta de jogadores como Dudu, assim como pela importante adição de Luiz Adriano na linha de frente. O Grêmio sabe que ficou devendo. Seu domínio foi pouco produtivo e a realidade é que Weverton não precisou realizar uma defesa tão difícil. A sobrevivência dos tricolores dependerá de muito mais agressividade ofensiva. Desta vez, Everton não resolveu sozinho. E os gremistas dependerão não só do seu craque para reverter a situação em São Paulo.

*As notas são dadas pelo SofaScore, através de um algoritmo que se baseia nas estatísticas da partida.