O Palmeiras não disputava uma semifinal de Libertadores desde 2001. Foram 17 anos de espera para que os alviverdes se colocassem novamente entre os quatro melhores do continente, pela sétima vez na história. E em nenhum momento a classificação do time de Luiz Felipe Scolari pareceu em perigo nesta quarta-feira. Os palmeirenses fizeram uma partida soberana no reencontro com o Colo-Colo. A vantagem de dois gols, estabelecida já no encontro no Chile, facilitava a situação aos anfitriões. E a tranquilidade prevaleceu ao longo da noite no Allianz Parque. Aproveitando para testar variações, os palestrinos fizeram uma exibição segura e claramente superior, rendendo nova vitória por 2 a 0. Excelente momento, que referenda a força demonstrada em diferentes momentos nesta caminhada na Libertadores.

A mudança mais significativa no Palmeiras veio na forma de jogar. Felipão escalou um meio-campo com três homens, composto por Thiago Santos, Bruno Henrique e Moisés – que espelhava a formação dos visitantes. Dudu vinha centralizado, como um meia de ligação. Já no ataque, a dupla formada por Borja e Willian. Deu certo. Os alviverdes anulavam bem o jogo do Colo-Colo, muito limitado em suas tentativas e errando demais as jogadas. Sem a inspiração de Valdívia desta vez, bem marcado por Thiago Santos, os chilenos mostravam pouco no Allianz Parque, mesmo controlando mais a posse de bola. Os alviverdes atuavam com intensidade na marcação, travando o meio-campo, e tentavam sair rápido ao ataque. A primeira chance clara veio aos 20 minutos, em jogada de Mayke pela direita, na qual o lateral exagerou na força e isolou a conclusão.

À medida que o tempo ia passando, o Palmeiras tomava conta da partida. Só demorou a ser mais agressivo no ataque. Quando conseguiu, ganhou um golaço de Dudu. O lance decisivo aconteceu aos 36 minutos e mostrou o acerto no posicionamento do jogador. Ele ganhou a bola no campo de ataque e partiu em velocidade. Deu uma finta no marcador e abriu o espaço na entrada da área, para arriscar o chute. Soltou a bomba. Orión não saltou o suficiente, mas nada que negasse a pintura do palmeirense. A resposta do Colo-Colo viria logo depois, em arremate de Insaurralde, que rendeu um milagre de Weverton. A quem precisava de ao menos três gols, a falta de agressividade dos colo-colinos era um sério problema, sentindo a ausência do lesionado Paredes.

Na volta ao segundo tempo, o Palmeiras parecia disposto a resolver o jogo, voltando à sua formação usual. Primeiro, veio uma cabeçada de Borja para fora. Já aos seis minutos, Dudu foi puxado na área e sofreu pênalti. Na cobrança, Borja encheu o pé e mandou longe do alcance de Orión. A atuação dos palestrinos era bastante consistente. A equipe se defendia sem sobressaltos e saía com fluidez ao ataque, gerando algumas boas tramas. Victor Luís poderia ter feito o terceiro aos 13, mas desperdiçou um ótimo contragolpe. Do outro lado, o Colo-Colo parecia jogar apenas por obrigação. Mal conseguia ameaçar a meta de Weverton, limitado às bolas paradas para tentar alguma coisa. Em uma dessas, Barrios desviou e causou um raro susto nos anfitriões.

Apesar da atuação decisiva de Dudu, muito bem na movimentação, Bruno Henrique também merece elogios pela maneira como jogou no Allianz Parque. A fase do volante é excelente e ele quase foi premiado com um golaço de falta aos 24 minutos. A cobrança no capricho bateu no travessão. Com o passar dos minutos, Felipão passou a poupar seus protagonistas, certamente pensando no clássico com o São Paulo marcado para o próximo sábado. Dudu e Borja saíram, para as entradas de Hyoran e Deyverson. Com o Colo-Colo já morto na partida, ainda saíram algumas boas jogadas palmeirenses no final, sem a melhor conclusão. Já o último suspiro dos chilenos veio em chute de Valdívia que desviou no meio do caminho e foi para fora. Quase nada a quem precisava de um milagre.

O Palmeiras cresceu bastante nas últimas semanas, desde a chegada de Felipão. Não é um time exatamente exuberante, mas possui muita consistência na defesa, aproveita bem suas chances no ataque e conta com uma capacidade enorme de rotação. Competitividade é seu norte. O Brasileirão se torna uma disputa bem-vinda, ainda mais pela maneira como os “reservas” vem se dando bem, agora podendo arrebatar de vez a liderança no Morumbi. Entretanto, o objetivo claro é a Libertadores e a oportunidade se mostra enorme. Boca Juniors ou Cruzeiro, quem chegar às semifinais, imporá um desafio aos alviverdes. Ainda assim, talvez os oponentes temam mais a camisa verde do outro lado, pelo momento vivido pelos palestrinos na competição continental.