Ter um elenco amplo e bem montado é pre-requisito para qualquer time que almeje conquistar uma competição de pontos corridos no intenso futebol atual. No Brasileirão, então, ter um grupo de jogadores amplo e nivelado se transforma em uma dádiva, dentro do calendário inchado e apertado. O Palmeiras muito investiu em contratações nos últimos anos e nem sempre soube usar esta profundidade, com rotações confusas e jogadores que não rendiam. Um dos grandes méritos de Felipão desde sua chegada é exatamente esse, dosando forças entre as diferentes competições sem perder o ritmo e sem ver insatisfações dentro do grupo. A equipe que disputa a Série A nem sempre é a “idealizada”. Não anda importando muito, pela consistência dos resultados. Entre os virtuais titulares e outros tidos reservas que seriam absolutos em qualquer time, os alviverdes venceram mais uma. Derrotaram o São Paulo, num triunfo valiosíssimo em suas pretensões de título. Foram cirúrgicos em seus ataques e contaram com a inoperância tricolor em parte do tempo, para sair com os 2 a 0 no placar e encerrar um jejum de 16 anos sem vencer no Morumbi.

As arquibancadas lotadas deveriam motivar o São Paulo, mas o momento ruim do time de Diego Aguirre prevaleceu. O Palmeiras se fechava muito bem na defesa e esperava os momentos certos para dar o bote sobre os anfitriões. O gol quase saiu no lance bisonho de Sidão, em reposição atrapalhada por Deyverson, na qual depois ele pegaria com a mão fora da área. A infração do palmeirense deveria ter sido marcada, embora o árbitro tenha deixado passar e também não tenha assinalado o toque flagrante do goleiro com a mão fora da área, que renderia uma expulsão. Era um clássico frio, em que os tricolores tinham a posse de bola e não agrediam, enquanto os alviverdes se seguravam confortavelmente, graças ao bom trabalho na intermediária.

O São Paulo criou sua primeira chance aos 26 minutos, em bola alçada que Rodrigo Caio não alcançou. E as bolas paradas seriam determinantes para o resultado, sobretudo com os erros de marcação dos são-paulinos. O primeiro gol aconteceu aos 33 minutos. Cobrança de escanteio feita por Dudu, que Gustavo Gómez apareceu livre para cabecear. O zagueiro, aliás, é desses ditos “reservas” que fazem uma diferença tremenda ao desempenho no Brasileirão. E seriam mais quatro minutos para o segundo tento, em contra-ataque gerado a partir de um escanteio tricolor. Os palmeirenses partiram em velocidade e foram abrindo espaço. Dudu recebeu na esquerda e soltou o pé, mas o tiro cruzado esbarrou na trave. Sem problemas: com a lentidão dos anfitriões na recomposição e o mau posicionamento, ficou mais fácil para Mayke recolher o rebote e cruzar na cabeça do desmarcado Deyverson, sem chances para Sidão. No fim, mais duas chances para os palestrinos em faltas e a insatisfação era palpável na atmosfera do Morumbi, diante das audíveis vaias.

Para o segundo tempo, Aguirre realizou duas mudanças. Tirou Rodrigo Caio e Nenê para as entradas de Carneiro e Everton. O São Paulo tentava atuar de forma mais agressiva e tentava entrar de qualquer jeito na área do Palmeiras, buscando principalmente os cruzamentos aos seus centroavantes. Era pouco. Ao menos os palmeirenses também não levavam tanto perigo nos contra-ataques, errando na construção das jogadas. Foi um jogo truncado, em que nenhum dos times dava o braço a torcer, mas não se ajudava no ataque. Os alviverdes, ainda assim, ficaram mais próximos do terceiro. Willian, que saíra do banco, soltou a bomba aos 34 e parou em Sidão. Somente nos dez minutos finais é que o Tricolor parecia conseguiu ser mais concreto em seus lances de ataque, com Weverton realizando duas defesas. Não era mesmo o dia dos são-paulinos.

É claro que o elenco do São Paulo não consegue produzir mais o alto nível de outros tempos. Há um desgaste natural em um time que já vinha produzindo mais do que o esperado. A defesa tem sua parcela de culpa pelo resultado neste sábado, falhando em ambos os tentos. Mas Aguirre não foi bem em suas escolhas. Se o time já não rendeu o esperado durante o primeiro tempo, a decisão por sacar Nenê é bastante contestável, justamente por ser o cara que dá um toque diferente. Confiou demais no jogo aéreo e deixou as limitações mais expostas. Com apenas duas vitórias em nove rodadas no segundo turno, a equipe estaciona nos 52 pontos e pode terminar o sábado fora do G-4. Neste momento, a vaga direta na Libertadores já parece lucro.

Méritos do Palmeiras e de Felipão, com sua segurança na defesa, mesmo mesclando “titulares e reservas”. Não foram todos que se saíram bem, mas o empenho do time agradou. Mayke saiu bem do banco, ao substituir o lesionado Marcos Rocha no primeiro tempo. Moisés, mais uma vez, deu estabilidade ao meio-campo e controlou a partida ao lado de Felipe Melo. E na zaga, Gustavo Gómez ressalta sua importância desde que desembarcou no Palestra. É um excelente defensor para o nível do futebol brasileiro, que talvez possa ser mais utilizado também na reta final da Libertadores. Por enquanto, suas participações valem para que o Palmeiras ganhe distância na ponta do Brasileirão. São 56 pontos, três de vantagem para o Internacional. Embalo reafirmado em mais um clássico e na casa do rival. Nada melhor para ganhar confiança e já vislumbrar o confronto direto com o Grêmio na próxima semana.


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