O Colônia cumpriu o esperado na segunda divisão da Bundesliga. Preservando parte de seus destaques, os Bodes conquistaram o título da competição e retornaram à elite um ano após sua queda. O Hamburgo, por outro lado, terminou a temporada como uma grande decepção. Com uma rodada de antecipação, os Dinossauros já sabiam que não conseguiriam alcançar o acesso. E o revés dos hamburgueses, em compensação, coroou a gangorra mais alucinante do futebol europeu nos últimos anos: o Paderborn está de volta à primeira divisão. Invariavelmente, pelo bem ou pelo mal, a torcida dos nanicos sabe que viverá fortes emoções. É a sexta temporada consecutiva em que o clube da Renânia do Norte-Vestfália termina subindo ou descendo na liga nacional.

A passagem anterior do Paderborn pela Bundesliga, a primeira de sua história, ainda está fresca na memória dos torcedores. Vice-campeão da segundona em 2013/14, o time chegou a liderar a elite por uma rodada em 2014/15. Em 20 de setembro de 2014, Moritz Stoppelkamp marcou um gol antológico de seu próprio campo de defesa e colocou os nanicos no topo, à frente do Bayern de Munique no saldo de gols. Obviamente, o sonho não durou tanto. Apesar de um primeiro turno digno, em que esboçaram a luta pelas competições europeias, os renanos despencaram na metade final da campanha e não escaparam do esperado rebaixamento.

Contudo, os dois anos posteriores seriam um martírio muito maior ao Paderborn. O time sofreu com as readaptações às divisões de acesso. Entre os desmanches enormes e as difíceis remontagens do elenco, amargou mais dois rebaixamentos consecutivos. Caiu na segundona em 2015/16, ocupando as últimas posições desde o início da campanha. E não melhoraria sua situação nem mesmo na terceirona, em 2016/17. Após novo desmanche, os nanicos fizeram um péssimo início de segundo turno e até conseguiram reagir na reta final, mas o empate com o Osnabrück na última rodada condenou a equipe. A antepenúltima posição levaria os renanos à quarta divisão alemã, semi-profissional e regionalizada.

Levaria. Porque, afinal, não levou graças a uma reviravolta na Baviera. Naquela mesma temporada, o Munique 1860 caiu na segunda divisão da Bundesliga. Porém, o descenso ocorreu em meio a um imbróglio envolvendo os donos do clube. Discordando da política da liga de não permitir um acionista majoritário, eles decidiram não pagar a licença para disputar a terceirona e foram relegados automaticamente à quarta divisão. Assim, o antepenúltimo colocado da terceira se preservaria no mesmo nível. Sorte que caiu no colo do Paderborn e permitiu ao time se refazer já em 2017/18. O clube iniciou sua ascensão como fênix e, ao lado do Magdeburgo, conquistou o acesso de volta à segunda divisão.

Treinador responsável por quase evitar o descenso à quarta divisão, Steffen Baumgart continua no cargo desde abril de 2017. E, em 2018/19, precisou conduzir um processo mais amplo de renovação de seu elenco na segunda divisão. O Paderborn repetiu a estratégia que deu certo na terceirona passada. Foi atrás de vários jogadores nos clubes da elite, contratados a custo zero ou emprestados. Chegaram novos nomes de Schalke 04, Hannover 96, Freiburg, Fortuna Düsseldorf, Hertha Berlim e até do Brighton. Também buscaram outros reforços nas divisões de acesso, enquanto uma barca grande deixou a Benteler Arena. Embora tenha demorado um bocado a pegar no tranco, o novo time deu liga. Menção especial ao ataque, que anotou 76 gols. Quatro jogadores ficaram alcançaram os dois dígitos.

O Paderborn passou boa parte do campeonato vagando no meio da tabela. Depois de temporadas muito intensas, permanecer na segunda divisão já parecia um objetivo razoável. No entanto, o bom segundo turno se combinou com a queda de desempenho dos demais candidatos ao acesso. Enquanto o Paderborn conquistou 19 dos 24 pontos disputados entre a 26ª e a 33ª rodada, os demais times à frente da tabela não faturaram mais do que 13. Assim, os nanicos saltaram da sétima para a segunda posição.

O maior milagre aconteceu na corrida contra o Hamburgo. Os Dinossauros foram incompetentes o suficiente para somar míseros três pontos no mesmo período. Os renanos tiraram uma diferença de 12 tentos. Na penúltima rodada, aliás, aconteceu o emblemático confronto direto. Na última chance de agarrar a salvação, os hamburgueses foram duramente humilhados na Benteler Arena. A goleada do Paderborn por 4 a 1 tirou o HSV da disputa e deixou a promoção na mira dos anfitriões.

Neste domingo, ainda rolou uma dose de emoção. O Union Berlim também derrapara demais nas semanas anteriores, acumulando nove pontos entre a 26ª e a 33ª rodada. Mesmo assim, era o único que poderia estragar os planos do Paderborn no compromisso final. Faltou pouco. O Dynamo Dresden ajudou os antigos companheiros da Alemanha Oriental, derrotando os renanos por 3 a 1. O problema é que os berlinenses não cumpriram sua parte na visita ao Bochum. Os anfitriões abriram dois gols de vantagem, mas tiveram um jogador expulso. Com a vantagem numérica, o Union buscou o empate por 2 a 2 após os 38 do segundo tempo. Todavia, precisava da vitória e terminou a campanha atrás do Paderborn no saldo de gols. Na terceira colocação, o time da capital encarará o Stuttgart durante os playoffs de acesso. Enquanto isso, os promovidos encabeçavam uma emocionada comemoração em Dresden.

O mais curioso é que nenhum dos acessos recentes do Paderborn veio com título. Sempre o clube terminou na segunda colocação, mas ainda assim carimbou a sua promoção. E os desafios na elite serão óbvios. Por mais que o equilíbrio permita tamanha gangorra na Bundesliga, a diretoria terá que definir sua política de transferências. Irá manter o elenco ou contratará de baciada outra vez? O que deu certo nas duas últimas temporadas não tinha vingado nas três anteriores. Antigo ídolo do clube e chefe-executivo desde 2017, Markus Krösche será um desfalque importante neste planejamento. Segundo a revista Kicker, ele trabalhará no RB Leipzig a partir do próximo semestre.

Além do mais, o mercado pequeno ao redor da cidade de 150 mil habitantes, sufocada por outros gigantes na Renânia do Norte-Vestfália, não dá muita margem ao crescimento do Paderborn. Apesar do estádio recém-inaugurado, os nanicos terminaram com uma ocupação de 76% na segundona. O objetivo será evitar o sobe-e-desce pelo sétimo ano seguido. De qualquer forma, alcançar a primeira divisão pela segunda vez, e depois de uma epopeia tão grande, já é uma enorme façanha. Apesar da taquicardia inerente, os torcedores podem se encher de orgulho.