Londres trará belíssimas lembranças à temporada do Bayern de Munique. Os bávaros já tinham feito uma de suas melhores atuações nos últimos anos durante os 7 a 2 sobre o Tottenham, especialmente pelo segundo tempo esmagador. Já nesta terça, a equipe atropelaria o Chelsea em Stamford Bridge, num 3 a 0 que saiu barato. Não seria exagero dizer que, pela consistência ao longo da noite e pela importância da ocasião, o Bayern fez uma apresentação ainda melhor do que aquela. E até os protagonistas se repetiram: com um ótimo entendimento, Robert Lewandowski e Serge Gnabry voltaram a destroçar os londrinos do outro lado.

Em outubro, na visita ao Tottenham, Gnabry fez o jogo de sua vida. O ponta anotou quatro gols e ainda deu uma assistência a Lewandowski durante o primeiro tempo. Sem dúvidas, terminou como o grande símbolo da goleada acachapante, que ainda teve mais dois tentos de Lewa. Havia motivos especiais para o alemão se motivar, aliás: profissionalizado pelo Arsenal, Gnabry não teve o espaço merecido no Emirates, mas parecia sentir o gosto de enfrentar os antigos rivais. Ofereceu uma exibição de gala, que a torcida dos Gunners certamente desfrutou.

Já em Stamford Bridge, de novo o jovem infernizou a vida de um dos velhos rivais – a ponto de ser eleito pela Uefa como o melhor em campo. Muito incisivo, Gnabry realizou uma partidaça. Movimentou-se bastante pelo lado esquerdo do ataque e apareceu para finalizar quatro vezes. Em duas delas, balançou as redes. Vem sendo um dos principais jogadores do Bayern nos últimos tempos e, após se recuperar de lesão recente, volta a ressaltar sua importância ao setor ofensivo. De uma contratação que deixava dúvidas se realmente daria certo, o alemão produz bem mais que o esperado. Seu rendimento nas últimas aparições, sobretudo, é espetacular.

Ao seu lado, falar sobre Lewandowski é chover no molhado. O centroavante melhora ainda mais o rendimento e vive aquela que é, até o momento, a melhor temporada de sua carreira. Mais do que sua efetividade diante do gol, contribui também com a capacidade na criação. E isso ficou claro diante do Chelsea.

Se a bola insistia em não entrar, depois de duas grandes defesas de Willy Caballero no primeiro tempo, Lewandowski serviu de ímã à marcação antes de surgir como um garçom para Gnabry abrir o placar. Depois, de novo tabelaria com o alemão, em ótima enfiada de bola ao segundo tento. Por fim, o polonês teve seu prêmio ao apenas escorar o cruzamento de Alphonso Davies, em gol que o permitiu retomar a artilharia isolada da Champions. São 11 gols nesta edição, um a mais que Erling Braut Haaland. E, agora, brilhando também nos mata-matas, como se cobrava.

É importante ao Bayern encontrar alternativas ao seu jogo ofensivo, para não depender apenas das conclusões de seu artilheiro. Lewandowski é um dos melhores centroavantes do mundo (o melhor no momento) por também abrir espaços aos companheiros e deixar as vaidades de lado na hora de dar assistências. A partida desta terça-feira evidenciou tal inteligência na leitura de jogo. Sua média de gols nos mata-matas da Champions ainda é relativamente baixa, mas a atuação desta noite não deve se prender a isso. Lewa foi uma engrenagem essencial.

Além do mais, a vitória em Stamford Bridge reforça a combinação entre Lewa e Gnabry. Ambos já vinham de uma ótima partida pela Bundesliga, carregando o time na virada sobre o Paderborn dentro da Allianz Arena. O nível do desafio, em teoria, aumentaria contra o Chelsea. Contudo, a dupla tornou-o bem mais fácil que o esperado. Transitaram em diferentes posições e exploraram o espaço um do outro, bem como souberam ler a movimentação para executar passes perfeitos.

Nesta terça, foram duas tabelas com Lewandowski que resultaram em gols de Gnabry. Na última sexta, o alemão já tinha sido o garçom do polonês por duas vezes na virada por 3 a 2 sobre o Paderborn. Entre gols e assistências, os dois se combinaram a 14 tentos do Bayern desde a temporada passada. Apenas Thomas Müller supera Gnabry na parceria com o artilheiro, associando-se com Lewa para 16 gols do time no mesmo período.

Considerando os desfalques e as frequentes lesões do Bayern, o trio concentra as principais responsabilidades ofensivas neste momento. Até pelo excesso de problemas físicos de Kingsley Coman, mais uma vez contundido, Gnabry se alça como uma referência no apoio dos bávaros. E as atuações em jogos de peso sublinham esta qualidade do alemão. Entendendo-se com Lewandowski, fica muito mais fácil encurtar o caminho às redes.